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Marius Lindvik: Um nome cada vez mais pronto para a «luta»

Diogo Rodrigues · 5 min

Foto: FIS Ski Jumping

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Após um adeus em definitivo a solo austríaco, a Taça do Mundo de Saltos de Esqui fazia escala na Polónia. Depois de Wisla era agora Zakopane a receber a parada de “homens pássaro”. De referir , embora com as devidas restrições , que o público estava de regresso preenchendo as bancadas do Wielka Krokiewa como há muito não se  via. Acrescentar que o trampolim era um K140 cujo  K-Point estava nos 125m e o record datava de 2020  pertença de Yukiya Sato, 147m.

VENTO ENCURTA FIM-DE-SEMANA COMPETITIVO

 A sexta-feira, como é norma seria destinada para a realização da qualificação para a prova de domingo, mas o Sr. vento não esteve com meias medidas e fazendo imperar a sua força acabaria por adiar o decorrer da mesma. Assim sendo, os fãs veriam apenas dois dias de evento.

ESLOVÉNIA APROVEITA AUSÊNCIAS PARA SAIR NA FRENTE

Com condições bem mais brandas, ainda que não as desejáveis, teria lugar a terceira disputa coletiva da temporada com nove equipas á partida. Isto após duas em duas para os austríacos, que desfalcados de Kraft poderiam dar aso a surpresas!  As baixas não se ficavam por aqui pois Kubacki e Stoch para  a nação anfitriã e Johansson para os noruegueses também se viam arredados do fim-de-semana.

Aproveitando as vicissitudes  e apresentando superior regularidade os eslovenos comandavam com Peter Prevc, Lanisek, Zajc e Cos a deterem uma importante, mas não decisiva vantagem face aos germânicos: Freund, Geiger, Leyhe e Eisenbichler que encurtavam terreno após um pálido começo. A mais de dez pontos da frente, mas pertíssimo da Alemanha encontrava-se um competente exército nipónico: Nakamura, Yukiya Sato e os manos Kobayashi, que relegava  os viquingues: Tand, Lindvik, Granerud e Pedersen para uma incómoda quarta posição. Quem desapontava e muito era a segunda linha austríaca: Huber, Hoerl, Tschofenig e Aigner, que viam distantes as hipóteses de averbar novo sucesso. Ainda piores, afundados na sexta posição estavam os caseiros: Zyla, Wasek, Wolny e Hula, incapazes de puxar pelo público. Russos e checos, embora sem brilho também se apuravam para a ronda final, da qual como era mais ou menos anunciado o Cazaquistão era afastado.

ESLOVENOS VOLTAM AO TOPO TRÊS ANOS DEPOIS

Com as seleções de volta ao trampolim, as condições mostravam-se bem melhores, algo que originaria um aumentar de qualidade das marcas rubricadas das quais destaco o mega salto de Eisenbichler, 141.5m, insuficientes para abalar a confiança eslovena, com estes a voltar três temporadas depois a vencer uma competição do género. Em segundo concluíam os bávaros, conseguindo-o após a falha de Ryoyu na última manga, com os asiáticos a contentarem-se com o bronze seguidos da Áustria, líder da Taça do Mundo de Nações, da Noruega e dos caseiros. Já na cauda do pelotão as posições não se alterariam. Assim todos canalizavam esforços para o dia seguinte.

FINALMENTE ALGUÉM PERTURBAVA O SAMURAI

Com duas jornadas de atraso, lá aconteceria a qualificação onde 70 inscritos lutavam por 50 vagas. Lindvik parecia manter “a mão” da jornada passada ao vencer a ronda, com Hoerl a ser segundo e Ryoyu terceiro, com todos a voarem igual distância, 137.5m.Peter Prevc voltava às boas atuações quarto com 137m,enquanto Tande rubricando menos meio metro era quinto.  Zajc, Geiger, Lanisek, Eisenbichler  e Cene Prevc eram os outros membros dos dez mais. Pela negativa , longe de entusiasmar num dia em que os favoritos carimbaram passaporte para a 18º etapa do campeonato estavam: Leyhe, Granerud e Cos. No polo contrário os locais Pilch e Kot  asseguravam a primeira qualificação da temporada, ao passo que Wellinger era afastado por irregularidades no fato.

RYOYU VOLTAVA A MOSTRAR QUEM MANDA

Com o vento bastante irregular ia a cabo a ronda inicial, na qual Ryoyu demonstrava autoridade ao assinar 136m, com a sensação da jornada Tschofenig a 2.8 pontos do nipónico efetuando menos um metro. Lindvik seguia de perto o duo da frente saltando a mesmíssima distância que o jovem austríaco. Geiger era quarto rubricando 136.5m, marca idêntica à obtida por Lanisek. Num Top dez no qual o país do esqui colocava ainda: Huber e Hoerl com o  inexperiente Aigner a destacar-se. Muito aquém do exigido ficavam: Eisenbichler  16º e Granerud dois postos atrás, sendo que Kos conseguia à risca acesso a um tramo final no qual Leyhe e  Hayboeck eram ausências de relevo!

UM BIS QUE EQUILIBROU E MUITO AS CONTAS

A ronda final marcada pela elevada bonificação de vento atribuída, veria inicialmente os 131m de Kos valerem-lhe uma ascensão até a um agridoce 16º posto, com este a ser travado por Eisenbichler que fechava em décimo. Quem revelando um assinalável sangue frio lograva somar o segundo triunfo consecutivo seria Lindvik ao arrancar majestosos 139.5m. Em segundo ficava Geiger assinando menos quatro metros, o bronze pertenceria a Lanisek. Desperdiçando oportunidade flagrante para novo triunfo ao ficar-se pelos 132m Kobayashi era quarto à frente de Tschofenig que garantia o melhor desempenho da carreira. Granerud falhando o Top 20 via a revalidação como algo cada vez mais complicado.

Com a “caravana” a mudar-se para Titisee-Neustadt , na Alemanha, o colete continua a ser de Kobayashi somando 941 pontos, mais 44 que Geiger. Lindvik ocupa agora o terceiro posto por troca com Granerud, com o vencedor em Zakopane a estar a 198 pontos do nipónico.

Marcamos encontro para a semana. Até lá já sabe, fique bem, fique na companhia do seu BNR!

Foto de Capa: FIS Ski Jumping

A FIGURA

Marius Lindvik – O jovem viking mostrou com mais uma exibição de encher o olho que se perfila como um duro rival para Ryoyu. Regularidade, segurança, sobriedade e força mental parecem ser as armas de um nome forte e com quem há que contar quer para o restante campeonato, mas também para os  olímpicos que se avizinham.

A DESILUSÃO

Halvor Egner Granerud – O atleta de Oslo, que “esmagou” a concorrência na temporada transata soma apenas um triunfo no atual campeonato. Toda a confiança, fluidez, tranquilidade e facilidade com que pautava as suas atuações no passado dão agora lugar à insegurança, à falta de prazer nos trampolins e a uma falta de motivação gritante. Resta-me perguntar: será o campeão de 25 anos capaz de recuperar desta mini crise a tempo de conquistar o ouro em Pequim?

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos