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As férias de Ogier

David Pacheco · 4 min

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Sempre gostei de ver carros de rali em asfalto. Não é carros de rali em circuitos, não, nas estradas comuns. Parece que a adrenalina aumenta.

A quarta ronda do campeonato mundial de ralis (WRC) levou os carros mais rápidos do mundo à ilha da Córsega, região administrativa da França. O rali da Córsega trouxe novas especiais. O chamado rali das 10000 curvas já é difícil com estradas conhecidas, imaginem se mais de 50% do rali é novo. Os navegadores tiveram um dos testes mais duros do ano.

No shakedown relevo para o despiste de Thierry Neuville, mas nada de grave. Assim, o rali começou com naturalidade. E mais natural que Sebastien Ogier liderar no Ford Fiesta WRC não há. O francês, campeão do mundo, venceu a primeira especial com dez segundos de avanço sobre o segundo classificado, Sebastien Loeb em Citroen C3 WRC. Em terceiro chegava o estónio, Ott Tanak em Toyota Yaris WRC. Na Hyundai, o belga Thierry Neuville conseguia o quinto tempo, apesar de se queixar de problemas de travões no seu Hyundai i20 Coupé WRC. Já o seu colega de equipa, Andreas Mikkelson terminava em oitavo, com dois erros logo no princípio da classificativa.

A partir daqui esperava-se uma luta muito renhida entre os dois Sebastien e a Ford e Citroen, o que nos faz relembrar as lutas entre Loeb e Hirvonnen entre 2006 e 2008. Infelizmente, tal não foi possível, pois Loeb saiu de estrada na segunda especial e de lá não saiu, deixando Ogier tranquilamente na liderança do rali. Na Toyota, Latvalla também se queixava dos travões e Esapekka Lappi estava a fazer o primeiro rali em asfalto num WRC. Destaque para o navegador de Jari-Mati Latvalla, Mikka Anttila, que fazia a sua 197 corrida do WRC, passando assim o espanhol Carlos Sainz.

Thierry Neuville tem tido dificuldades com o Hyundai i20 Coupé WRC
Fonte: WRC

Início do segundo dia com Loeb de volta, mas não na luta pela vitória no rali. Mostrou um ritmo muito forte, levando três vitórias em especiais nesse dia. Tannak e Lappi foram os outros vencedores de especiais no segundo dia, comprovando a forma de abordagem cautelosa da liderança por parte de Ogier. O outro Citroen da equipa, pilotado pelo britânico Kris Meeke também mostrou uma subida no seu ritmo, tanto que consegui passar Thierry Neuville e ficar com o segundo lugar da geral, mas na especial número dez saiu de estrada e caiu para décimo. Também nesta especial bateram Jari- Mati Latvala que acabou ali o rali e o terceiro piloto da M-Sport, Bryan Bouffier desistiu devido a problemas no motor. Com o despiste de Meeke, Tanak agarrou a segunda posição, com Neuville a fechar o pódio.

Último dia, e quase nada de novo a acrescentar. Mais uma vez Ogier manteve a calma e acabou por ganhar o rali, sendo que é a sua segunda vitória consecutiva e lidera agora o campeonato. Ott Tanak levou o Toyota Yaris a mais um pódio e Neuvile, que apesar de um rali muito aquém das espetativas, conseguiu terminar em terceiro.

A diferença neste dia foi a Power Stage, prova que dá pontos adicionais para o campeonato. Após o que aconteceu nas rondas anteriores, em que pilotos penalizaram de propósito para ter uma melhor posição de estrada para esta, a FIA decidiu mudar algumas regras. Assim, a FIA decidiu que quem chega-se tarde à Power Stage em forma de penalizar para melhorar a sua posição na estrada, em vez de penalizar, pontos serão retirados. Na Córsega Esapekka Lappi levou o Yaris WRC a ganhar a Power Stage levando os cinco pontos, em segundo seguiu-se Loeb com quatro, Ogier com três, Meeke com dois e Tannak com um ponto.

Pódio final da quarta prova do WRC
Fonte: WRC

Na categoria secundária do campeonato do mundo (WRC2), mais uma vez venceu um piloto oficial da Skoda. Desta vez coube ao veterano Jan Kopecký a “batata”. Mas o destaque vai para a estreia do Citroen C3 R5, conduzido por Stéphane Lefebvre e por Yoann Bonato. O primeiro acabou por ter uma saída de estrada não acabando o rali, já o segundo terminou a prova na segunda posição da categoria. Em terceiro ficou o italiano Fabio Andolfi também em Skoda Fabia R5.

Após o final do rali, os comissários desportivos anunciaram uma multa de 10.000 euros a ser aplicada à Citroen Racing, relativamente a erros no processo de homologação do novo C3 R5, que levou também a erros na documentação de homologação do carro. A questão foi descoberta quando o C3 R5 privado, de Yoann Bonato, foi verificado após o rali. O resultado de Bonato não foi alterado.

Yoann Bonato deu uma estreia quase perfeita ao novo carro da categoria R5 da Citroen
Fonte: Citroen Racing

O WRC segue agora para a América do Sul, onde se irá disputar o rali da Argentina de 26 a 29 de abril.

Foto de Capa: WRC

Revisto por: Rita Manique

David Pacheco

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