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Dakar 2021: A Arábia como nunca antes vista

Helena Escaleira · 4 min

Dakar 2021: A Arábia como nunca antes vista
Foto: Rally Dakar

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Após todas as restrições impostas devido à COVID-19, que impediram a organização de delinear e apresentar os moldes da prova com maior antecedência, está finalmente definido o percurso do Dakar 2021. Em seguimento da primeira edição realizada no Médio Oriente no passado mês de janeiro, as areias arábicas irão definir novamente o vencedor do Dakar. Pilotos e equipas irão poder continuar a exploração dos desertos do país. País este que criou um impacto enorme nos concorrentes do Dakar 2020, mas que apenas mostrou um pedaço da sua geografia.

Na edição de 2021, as suas vastas e diversas paisagens, as suas dunas, o terreno duro, as zonas técnicas e zonas rápidas, irão preparar o novo passeio pelo deserto, no qual os concorrentes entram em território desconhecido. Apesar de algumas cidades abrigarem novamente o acampamento, a ação na prova rainha de todo o terreno será completamente nova.

Apesar de ainda não se conhecer o itinerário detalhado de etapa a etapa, o diretor da prova, David Castera, afirmou que “será totalmente inédito, temos o compromisso de não utilizar um km do percurso de 2020.” Refere também os novos lugares, a nova navegação e o desejo de que a prova seja mais técnica, mais lenta e mais segura. A intenção passa por apresentar um pacote de novidades para reduzir os custos de participação e aumentar a segurança dos competidores, especialmente nas motos.

Acompanhando a contagem decrescente da apresentação, sabe-se agora que o arranque será em Jeddah a 3 de Janeiro, sendo também a cidade que irá receber o final da competição a 15 de Janeiro.

Repetem-se assim onze etapas, uma vez que está previsto um dia de descanso para 9 de Janeiro em Ha’Il.

Os pilotos terão de enfrentar dunas de fio a pavio. David Castera, afirmou: “Tenho trabalhado com a equipa através de videoconferências. Temos de nos adaptar e trabalhar de forma diferenciada, mas o Dakar está a ser bem preparado”, garantindo que estarão completamente preparados para o mês de janeiro.

A divulgação do livro de bordo apenas minutos antes do início de cada especial será mantida, sendo “uma forma de valorizar ainda mais a navegação, evitar qualquer tipo de fraude através da tecnologia e reduzir um pouco as velocidades”, segundo David Castera. Esta prática será aplicada a todas as categorias enquanto promotora da igualdade. O que promove a introdução de uma versão digital é mais uma das novidades, sendo esta adaptação mais confiável do que a forma tradicional.

Como a segurança é prioritária, os pilotos podem concentrar-se muito mais na corrida e na sua prestação do que em não se perderem.

Nas duas rodas, os pilotos terão de usar, sem exceção, o casaco com airbag insuflável.

A evolução da tecnologia permitiu a construção de aparelhos de promoção de segurança, neste caso, para todas as categorias haverá um sistema de alertas sonoros. Os concorrentes receberão avisos auditivos na abordagem às zonas de dificuldade 2 e 3 para mantê-los alertas. Também serão aumentadas as slow zones, zonas de velocidade controlada por radar. Além disso, certos setores especialmente difíceis e perigosos serão classificados como “zonas lentas”, onde o limite de velocidade é de 90 km/h.

Relativamente aos pneus, nenhuma troca de pneu será permitida na categoria de carro durante a etapa da maratona – nem mesmo entre os competidores. A cada motocicleta será concedido um total de seis pneus traseiros para todo o rali.

As penalidades por mudanças de motor foram introduzidas há alguns anos para incentivar os motociclistas a serem mais cuidadosos na condução. A partir do próximo ano, serão aplicadas penalidades de tempo a partir da segunda troca de pistão, mesmo que o restante do motor permaneça o mesmo. Por fim, os motociclistas não poderão trabalhar nas suas motas nas estações de reabastecimento.

Os coletes de airbag podem reduzir a gravidade de lesões nos acidentes. Nesta edição, serão obrigatórios e sujeitos a inspeções.

Todas estas medidas têm como objetivo evitar novas fatalidades – recordamos que a primeira edição do Dakar em solo saudita foi marcada pelas mortes de Paulo Gonçalves e Edwin Straver. Aprendeu a lição.

As equipas desportivas encarregues de preparar a edição de 2021 do Rali focaram-se em desenvolver o novo sistema de navegação e em desacelerar os veículos para tornar a corrida ainda mais segura.

Outra novidade para a edição 2021 do Rali Dakar prende-se com a criação da categoria Dakar Classic, uma prova para os veículos fabricados até 2000 que disputaram as edições anteriores da maratona off-road. A categoria de Dakar Classic consiste num concurso paralelo para veículos antigos que utilizará os mesmos pontos de partida e chegada que o rali principal. São esperadas na sua linha de partida, máquinas ​​do passado, como Porsche 959, Renault 20, Lada Niva, Toyota Celica, e Land Rover Defender.

Foto de Capa: Rally Dakar

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Helena Escaleira

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