E-Prix de Berlim (Corrida 3 e 4): O caneco é do António!

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Por António Félix da Costa não se vê foguetes, gente louca no Marquês ou nos Aliados, mas no que depender de mim, este é o momento desportivo do ano em Portugal. As corridas 3 e 4 já se realizaram, e a duas do fim, temos campeão português com um domínio absoluto de todos os pretendentes. Pelo meio e a merecer destaque, duas fantásticas corridas, como a Fórmula E tantas vezes nos dá.

CORRIDA 3: FÓRMULA E PARA INICIADOS

Da próxima vez que alguém me perguntar o que é que vejo de especial na Fórmula E, vou a correr mostrar esta prova. Aqui, viu-se praticamente tudo o que faz a Fórmula E especial. Uma fantástica luta pela liderança onde só no último centímetro da corrida deu para perceber quem iria vencer, o caos no pelotão e demonstrações de habilidade que provam que estes não são pilotos de segunda categoria.

Olhando para a corrida em concreto, Jean-Eric Vergne (DS Techeetah) reencontrou a forma de campeão, garantindo a pole position, com o seu colega de equipa e principal candidato ao título, António Félix da Costa a partir da nona posição.

A corrida em si já não foi tão famosa para Vergne, que apesar de liderar grande parte da mesma, se viu constantemente pressionado por Max Gunther (BMW), que tratou aquele primeiro lugar como um cão trata um osso, e nunca desistiu até tomar conta do mesmo.

O BMW i8 viu-se obrigado a vir à pista após um aparatoso acidente que retirou da corrida Sergio Sette Camara (Geox Dragon), James Calado (Jaguar) e Neel Jani (Porsche). Foi aqui que a corrida começou a apertar para Vergne, com a pressão vinda de trás da parte de Max Gunther.

Mais atrás a batalha por quarto era intensa, com António Félix da Costa a intrometer-se na mesma depois de começar em nono. O português acaba por sair por cima na situação, que ainda viu Stoffel Vandoorne (Mercedes) a retirar-se por um furo após um choque.

É mais ou menos nesta altura que Felipe Massa (Venturi) é penalizado com um Drive Through por causar uma colisão. Vou tirar só um momento para criticar esta penalização, porque quem viu o lance não é díficil perceber que o que causa a colisão é a forma extremamente agressiva como Lucas di Grassi (Audi) fecha a porta, e não um erro de Massa. Na melhor das hipóteses não deveria haver penalização, porque a agressividade extrema de di Grassi é que o prejudicou, como já fez por várias vezes. Como se diz em português, ser um piloto agressivo tudo bem, mas “à vontade não é à vontadinha”.

A batalha pela liderança tornava-se verdadeiramente intensa, com Gunther colado ao difusor traseiro de Vergne, e com maior percentagem de energia, o que lhe dava ainda maior vantagem sobre o francês. A 5 minutos do fim, Gunther finalmente consegue ultrapassar Vergne e parecia ser o momento de seguir em direção ao pôr-do-sol, até que, do nada, Robin Frijns (Virgin) decide tornar as coisas mais complicadas para o alemão.

O piloto da Virgin passa Vergne, e começa, durante as últimas voltas, a atacar incessantemente a liderança para a qual Max Gunther se esforçou tanto. O resultado final foi a vitória do alemão, contudo, pela margem mais pequena da história da Fórmula E, com apenas um décimo a separar os dois pilotos, que seguiam lado a lado na reta final. Vergne fechou o pódio, após ainda lidar com a pressão de António Félix da Costa, que se mostrava cheio de vontade de provar mais uma vez o champanhe. O português terminava em quarto com a mesma vantagem no campeonato de 68 pontos no campeonato, o que significava que, na corrida seguinte, apenas teria de bater os rivais diretos para se sagrar campeão.

Luís Manuel Barros
Luís Manuel Barros
O Luís tem 21 anos e é de Marco de Canavezes, tem em si uma paixão por automobilismo desde muito novo quando via o Schumacher num carro vermelho a dominar todas as pistas por esse mundo fora. Esse amor pelas 4 rodas é partilhado com o gosto por Wrestling que voltou a acompanhar religiosamente desde 2016.                                                                                                                                                 O Luís escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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