Publicidade

E-Prix de Berlim (Corrida 3 e 4): O caneco é do António!

Luís Manuel Barros · 7 min

E-Prix de Berlim (Corrida 3 e 4): O caneco é do António!
Foto: Formula E

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Por António Félix da Costa não se vê foguetes, gente louca no Marquês ou nos Aliados, mas no que depender de mim, este é o momento desportivo do ano em Portugal. As corridas 3 e 4 já se realizaram, e a duas do fim, temos campeão português com um domínio absoluto de todos os pretendentes. Pelo meio e a merecer destaque, duas fantásticas corridas, como a Fórmula E tantas vezes nos dá.

CORRIDA 3: FÓRMULA E PARA INICIADOS

Da próxima vez que alguém me perguntar o que é que vejo de especial na Fórmula E, vou a correr mostrar esta prova. Aqui, viu-se praticamente tudo o que faz a Fórmula E especial. Uma fantástica luta pela liderança onde só no último centímetro da corrida deu para perceber quem iria vencer, o caos no pelotão e demonstrações de habilidade que provam que estes não são pilotos de segunda categoria.

Olhando para a corrida em concreto, Jean-Eric Vergne (DS Techeetah) reencontrou a forma de campeão, garantindo a pole position, com o seu colega de equipa e principal candidato ao título, António Félix da Costa a partir da nona posição.

A corrida em si já não foi tão famosa para Vergne, que apesar de liderar grande parte da mesma, se viu constantemente pressionado por Max Gunther (BMW), que tratou aquele primeiro lugar como um cão trata um osso, e nunca desistiu até tomar conta do mesmo.

O BMW i8 viu-se obrigado a vir à pista após um aparatoso acidente que retirou da corrida Sergio Sette Camara (Geox Dragon), James Calado (Jaguar) e Neel Jani (Porsche). Foi aqui que a corrida começou a apertar para Vergne, com a pressão vinda de trás da parte de Max Gunther.

Mais atrás a batalha por quarto era intensa, com António Félix da Costa a intrometer-se na mesma depois de começar em nono. O português acaba por sair por cima na situação, que ainda viu Stoffel Vandoorne (Mercedes) a retirar-se por um furo após um choque.

É mais ou menos nesta altura que Felipe Massa (Venturi) é penalizado com um Drive Through por causar uma colisão. Vou tirar só um momento para criticar esta penalização, porque quem viu o lance não é díficil perceber que o que causa a colisão é a forma extremamente agressiva como Lucas di Grassi (Audi) fecha a porta, e não um erro de Massa. Na melhor das hipóteses não deveria haver penalização, porque a agressividade extrema de di Grassi é que o prejudicou, como já fez por várias vezes. Como se diz em português, ser um piloto agressivo tudo bem, mas “à vontade não é à vontadinha”.

A batalha pela liderança tornava-se verdadeiramente intensa, com Gunther colado ao difusor traseiro de Vergne, e com maior percentagem de energia, o que lhe dava ainda maior vantagem sobre o francês. A 5 minutos do fim, Gunther finalmente consegue ultrapassar Vergne e parecia ser o momento de seguir em direção ao pôr-do-sol, até que, do nada, Robin Frijns (Virgin) decide tornar as coisas mais complicadas para o alemão.

O piloto da Virgin passa Vergne, e começa, durante as últimas voltas, a atacar incessantemente a liderança para a qual Max Gunther se esforçou tanto. O resultado final foi a vitória do alemão, contudo, pela margem mais pequena da história da Fórmula E, com apenas um décimo a separar os dois pilotos, que seguiam lado a lado na reta final. Vergne fechou o pódio, após ainda lidar com a pressão de António Félix da Costa, que se mostrava cheio de vontade de provar mais uma vez o champanhe. O português terminava em quarto com a mesma vantagem no campeonato de 68 pontos no campeonato, o que significava que, na corrida seguinte, apenas teria de bater os rivais diretos para se sagrar campeão.

CORRIDA 4: MEDALHAS DE OURO SÓ PARA A EQUIPA DOURADA

Jean-Eric Vergne mostrou que tinha mesmo redescoberto a sua forma de campeão, conseguindo a segunda pole position seguida, com o quase campeão António Félix da Costa em segundo lugar, uma posição perfeita para vencer o título, sendo que precisava apenas de bater os rivais mais diretos para o fazer.

Max Gunther decidiu facilitar a vida ao português, sendo que, estando em segundo no campeonato e após vencer a corrida anterior, bateu logo na primeira volta, terminando a sua corrida e tornando a matemática de um Félix da Costa campeão cada vez mais fácil.

O Safety Car veio para pista, e quando o relógio apontava 35 minutos restantes, recomeçou a competição, desta vez acompanhada por gotas de chuva, que não passaram de uma ameaça.

A tabela mantinha-se relativamente calma, com dois DS a liderar, seguidos dos Nissan de Oliver Rowland  e Sebastien Buemi, com Nick de Vries (Mercedes) a tentar intrometer-se num possível pódio.

Como forma de otimizar o consumo de energia e proteger António Félix da Costa, Vergne deixou o colega de equipa passar para a liderança por umas voltas, sendo que o português agradeceu de seguida o favor, devolvendo o primeiro lugar ao ex-colega da academia Red Bull. No último lugar do pódio acontecia o mesmo, com Rowland a permitir a passagem de Buemi, também como estratégia de conservação de energia, que lhe permitiria atacar os líderes com menor risco.

Nick de Vries conseguiu finalmente na última volta desfazer-se de Rowland, o que lhe permitiu chegar ao quarto lugar, sendo que na frente a dupla dourada da DS segurou os avanços de Buemi, e conseguem a dobradinha, com Vergne em primeiro, seguido de Félix da Costa, que conseguiu, assim, o seu primeiro campeonato mundial de Fórmula E, e a cereja no topo do bolo, garantiu o título de construtores para a DS Techeetah.

Não seria de esperar que a duas corridas do fim e com 60 pontos ainda em jogo, que era possível alguém fechar o campeonato, mas a combinação de António Félix da Costa e a DS Techeetah foi dominante de uma forma como ainda não se tinha visto até agora na Fórmula E, onde o equilíbrio é habitual. A consistência em todos os circuitos foi fundamental nesta vantagem, e tudo naquele que pode ser considerado um dos melhores fins-de-semana para o desporto motorizado em Portugal, com a vitória de Filipe Albuquerque nas 4h de Spa na ELMS, a melhor classificação de sempre de Miguel Oliveira na Moto GP com o sexto lugar em Brno, e, para terminar, o campeonato mundial de Fórmula E para António Félix da Costa.

Foto de Capa: Formula E

PILOTO DO(S) DIA(S)

António Félix da Costa – Desta vez não houve vitórias para o português, mas na primeira corrida, uma excelente escalada de nono para quarto, sendo que podia chegar ao pódio, porque mostrava maior velocidade que Jean-Eric Vergne à sua frente. Na segunda corrida começou em segundo e ainda liderou, mas foi planeado, como forma estratégica de colecionar a maior remessa de pontos possível para a equipa. Não foi estupendo e dominador como nas corridas anteriores, mas fica a sensação de que também não precisava, foi consistente e seguro, trabalhando em prol da equipa quando já tinha o campeonato praticamente fechado. Um campeão português com certeza.

DESILUSÃO DO(S) DIA(S)

Fonte: Formula E

Rivais diretos de António Félix da Costa – Faço batota e incluo os rivais diretos de António Félix da Costa na categoria de desilusão, pois nenhum deles foi capaz sequer de complicar as contas ao português, que podia ter apresentado serviços mínimos nas corridas em que participou e ainda assim sairia campeão por uma boa margem. Assim, perdem todos para os homens da DS Techeetah, que dominaram quase por completo as corridas de Berlim.

Artigo revisto por Joana Mendes

Luís Manuel Barros

Redação Bola na Rede · ver artigos