Como está a correr a temporada dos rookies? | Fórmula 1

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Desde 2001 que não tínhamos seis pilotos a estrearem-se na Fórmula 1 e somente, a McLaren e a Aston Martin mantiveram a dupla do ano passado. Neste momento, estamos na pausa de verão e com 14 corridas já realizadas, acredito que é o momento ideal para fazer um balanço de como tem corrido a temporada aos rookies.

A época nem começou bem para a maioria dos novatos, onde só Kimi Antonelli e Oliver Bearman sobreviveram ao caos na Austrália. A estreia na Fórmula 1 não foi fácil, mas houve quem desse a volta por cima.

Comecemos pelo prodígio italiano, Kimi Antonelli. De todos os rookies, o jovem de 18 anos é o que tem uma pressão maior. Além de estar numa melhor equipa, a Mercedes, ele foi contratado para substituir o heptacampeão mundial, Lewis Hamilton.

Antonelli teve um bom início de temporada ao fazer a pole position para a corrida Sprint de Miami e já chegou ao pódio no Grande Prémio do Canadá à frente dos dois McLaren. Contudo, a sua fase atual não é das melhores. Desde a sua subida ao pódio só pontuou uma vez, que foi na Hungria, e abandonou em dois Grandes Prémios de forma consecutiva, na Áustria e na Grã-Bretanha.

No Campeonato de Pilotos, está em sétimo lugar com 64 pontos, bastante atrás dos 172 do seu companheiro de equipa, George Russell, que ocupa a quarta posição. Nota-se que Antonelli anda fragilizado e a prova disso é o pós-corrida na Bélgica, onde o italiano dá uma entrevista, visivelmente, emocionado depois de uma má prestação.

Oliver Bearman está a fazer a sua temporada de estreia na Fórmula 1, mas não é a primeira vez que conduz um monolugar desta categoria. No ano passado, substituiu Carlos Sainz no GP da Arábia Saudita, que teve uma apendicite, e terminou na sétima posição. Certamente, esse desempenho fez com que a Haas acreditasse que o britânico era o piloto ideal para substituir Kevin Magnussen.

A par de Antonelli, Bearman também teve um bom início de temporada. O piloto de 20 anos fez grandes recuperações no GP da China e do Bahrain, onde para mim fez a sua melhor corrida. Na quarta prova da temporada, Bearman saiu da última posição e terminou em décimo. Foi um desempenho notável do britânico, que até agora nunca mais pontou. Desde o Canadá até à Bélgica, esteve sempre à porta dos pontos, ao terminar na 11.ª posição.

Ocupa o 19.º posto no Campeonato de Pilotos com 8 pontos, só à frente de Franco Colapinto e de Jack Doohan, que não têm qualquer ponto conquistado. Os resultados de Bearman não devem ser só baseados na sua qualidade, porque a Haas, atualmente, é a nona pior equipa.

Liam Lawson também já tinha experiência de correr na Fórmula 1, mas é um rookie na mesma, porque está a fazer a sua primeira época completa. De todos, foi, sem dúvida, o que teve o pior arranque. Começou como piloto da Red Bull, mas ao fim de duas corridas foi substituído por Yuki Tsunoda e agora o neozelandês corre pela Racing Bulls.

Esta troca prematura não deve ter caído nada bem a Lawson, mas penso que foi a melhor coisa que lhe aconteceu. O ambiente na Red Bull não é o melhor e numa equipa onde a pressão é menor, Lawson tem a oportunidade de mostrar a sua qualidade. A adaptação ao Racing Bull não foi fácil, mas parece ter encontrado a sua melhor versão. Ao fim de oito corridas, marcou os seus primeiros pontos no GP do Mónaco. Na Áustria teve o seu melhor desempenho ao terminar na sexta posição.

Lawson está a mostrar a sua resiliência e está a fazer de tudo para continuar na Fórmula 1. Foi alvo de chacota no início da temporada e conseguiu dar a volta à situação e no GP da Hungria até ficou à frente de Max Verstappen. Na classificação de pilotos, está em 15.º com 20 pontos, o dobro dos pontos de Tsunoda.

Relativamente a Jack Doohan, não há muito que se possa dizer. Antes da temporada arrancar o seu lugar já estava em risco depois da contratação de Franco Colapinto para piloto reserva. A entrada do piloto argentino na Alpine veio reforçar a ideia que a equipa francesa não estava confiante no jovem piloto.

Ao fim de seis corridas, Doohan disse adeus à Fórmula 1 e foi substituído por Colapinto. Nesta curta passagem, o australiano não conquistou qualquer ponto e desistiu em dois Grandes Prémios, na Austrália e em Miami, curiosamente, o primeiro e o último ao volante do Alpine.

Isack Hadjar foi o último piloto a ser anunciado para esta temporada e o francês está a ter uma época de estreia muito sólida. Em 2024, Hadjar foi o piloto que mais corridas venceu na Fórmula 2, quatro ao todo, mas não foi o suficiente para se tornar campeão. Na sua curta carreira, já teve dois companheiros de equipa e o jovem de 20 anos conseguiu superiorizar-se a Tsunoda e agora a Lawson.

Hadjar não teve um início desejável. Na corrida de abertura, o piloto da Racing Bulls bateu na volta de formação e não conseguiu participar na corrida. Após este duro golpe, Hadjar redimiu-se e está a mostrar o seu verdadeiro valor. É o único piloto de Fórmula 1 que ainda pode dizer que nunca caiu na Q1. O jovem francês, no dia da qualificação, chega sempre pelo menos à Q2. Conquistou os seus primeiros pontos, na terceira corrida do ano, no Japão e o seu melhor resultado foi no Mónaco, ao terminar na sexta posição.

A sua maturidade e consistência fazem com que grande parte dos fãs de Fórmula 1 escolham Hadjar como o melhor rookie do ano. Com 22 pontos, é o 13.º classificado no Campeonato de Pilotos e só Antonelli é que está numa melhor posição, que beneficia de ter um carro mais competitivo.

Por último e não menos importante, Gabriel Bortoleto. O piloto brasileiro, tal como, Charles Leclerc, George Russell e Oscar Piastri foi campeão no seu ano de estreia e de forma consecutiva na Fórmula 3 e na Fórmula 2. Bortoleto venceu a Fórmula 2 no passado e entra na Fórmula 1 pelas portas da Sauber, futura Audi. A integração na categoria foi complicada, mas a partir do GP do Mónaco o brasileiro teve um percurso decente.

Nas primeiras sete corridas, o melhor que conseguiu foi um 14.º lugar no GP da China e nas restantes terminou sempre no fundo do pelotão. O Sauber não é o carro mais competitivo do grid, mas ultimamente tanto Bortoleto como Nico Hulkenberg conseguiram fazer alguns milagres. O piloto alemão conseguiu um pódio no GP da Grã-Bretanha, o primeiro na carreira, e Bortoleto nas últimas duas corridas pontou. Na Áustria, terminou pela primeira vez em lugares pontuáveis e na última corrida, na Hungria, fez o melhor resultado da temporada, ao terminar em sexto.

Atualmente, é 17.º no campeonato mundial, com 14 pontos. Os holofotes, raramente, focam-se em Bortoleto, mas o brasileiro tem feito um percurso notável na Fórmula 1 e acho que deveria ser reconhecido mais vezes. A última vez que tivemos um piloto brasileiro na Fórmula 1 foi Felipe Massa, em 2017, e oito anos depois, os fãs brasileiros têm finalmente um piloto por quem torcer.

Gonçalo Carneiro
Gonçalo Carneiro
Gonçalo é licenciado em Ciências da Comunicação e encontrou na escrita o refúgio perfeito para se manter ligado ao mundo do desporto. Acredita que o jornalismo desportivo é o seu rumo ao estrelato.

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