GP Canadá: Tirar a barriga de misérias

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A CORRIDA: DEPOIS DO QUE VIMOS NO MÓNACO, HOJE TIVEMOS A MELHOR CORRIDA DE FÓRMULA 1 DA TEMPORADA

Todo o ano de 2023 foi frustrante para os fãs de Fórmula 1 que queriam ver competitividade na frente do pelotão, em vez de corridas em que já se sabia quem ia ganhar antes de a corrida começar. Este ano, a Fórmula 1 tem sido mais competitiva, mas ainda não tínhamos tido uma grande corrida (e o Mónaco foi totalmente o oposto disso). Hoje, no Canadá, apesar de ter vencido o homem que dominou praticamente todas as corridas dos últimos tempos, tivemos uma corrida que deu prazer de assistir.

Max Verstappen foi o vencedor de uma corrida que teve três carros na luta pela vitória, com o neerlandês a voltar a mostrar (tal como tinha feito em Imola) que, mesmo quando o carro não está perfeito, o piloto consegue fazer a diferença. O neerlandês saía atrás de George Russell e chegou a estar em terceiro, atrás de Russell e de Lando Norris, que parecia ter o melhor ritmo no início, mas Russell perdeu posição para Verstappen logo a seguir a ser ultrapassado por Norris. Nessa altura, parecia que o McLaren podia fugir, mas um safety car depois de um acidente de Logan Sargeant apanhou a McLaren desprevenida, com Norris a parar uma volta mais tarde e a perder posição em pista para Verstappen e Russell novamente, com essa ordem a manter-se até às paragens para pneus de piso seco (tinham começado com intermédios devido à chuva).

Nessa fase, Verstappen e Russell pararam ao mesmo tempo, com Norris a parar mais tarde, conseguindo quase sair na liderança da corrida, mas a dificuldade ao sair da box fez com que fosse ultrapassado por Verstappen. Mais tarde, voltou a perder para Russell, com dificuldade em colocar temperatura nos pneus, mas novo erro de Russell fez com que Norris voltasse a ser segundo. Um último safety car (após acidente de Carlos Sainz e Alex Albon) ainda ameaçou baralhar as coisas, com a Mercedes a parar na box para colocar pneus novos, mas só conseguiram ultrapassar Oscar Piastri e o top-3 foi composto por Verstappen, Norris e Russell.

Lewis Hamilton foi quarto, à frente de Piastri, com a Aston Martin a terminar com ambos os carros em sexto e sétimo (Fernando Alonso à frente de Lance Stroll), depois de uns últimos Grandes Prémios mais complicados. Daniel Ricciardo também teve um bom fim de semana, terminando no oitavo lugar, à frente dos dois Alpine, que conseguiram improváveis lugares nos pontos, com Pierre Gasly por diante de Esteban Ocon.

A Haas termina fora dos pontos, embora Kevin Magnussen tenha ameaçado uma enorme surpresa na primeira fase da corrida, com o dinamarquês e Nico Hulkenberg a ganharem várias posições pela escolha de pneus de chuva extrema, por comparação com os intermédios dos rivais. Magnussen chegou a estar no quarto lugar, mas a sua primeira paragem na box foi altamente lenta e acabaram ambos em 11.º e 12.º. Valtteri Bottas, Yuki Tsunoda (que fica a lamentar um erro que o impediu de pontuar) e Zhou Guanyu foram os outros pilotos que terminaram o Grande Prémio, com abandonos para os dois Ferrari, os dois Williams e Sergio Pérez, que teve mais um fim de semana desapontante.

PILOTO DO DIA

Max Verstappen – Já o disse algumas vezes e volto a dizê-lo: se houver competição na frente, não me importo que o vencedor seja o do costume. Ao contrário do ano passado, Verstappen tem tido corridas mais difíceis de controlar e não deixa de conseguir ganhar, merecendo hoje a distinção de piloto do dia.

DESILUSÃO DO DIA

Ferrari – Depois de um fim de semana de alegrias no Mónaco, não se esperava uma queda tão grande, mas foi exatamente isso que aconteceu à Ferrari no Canadá. Com uma dupla eliminação na Q2 na qualificação, nenhum dos carros teve grande ritmo de corrida (Leclerc teve ainda problemas de motor). Para piorar a situação, ambos abandonaram (Leclerc arriscou pneus de piso seco quando não devia, Sainz teve um acidente) e a equipa sai de Montreal com zero pontos.

Bernardo Figueiredo
Bernardo Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é licenciado em Comunicação Social (jornalismo) na Universidade Católica de Lisboa e está a terminar uma pós-graduação em Comunicação no Futebol Profissional, no Porto. Acompanha futebol atentamente desde 2010, Fórmula 1 desde 2018 e também gosta de seguir ténis de vez em quando. Pretende seguir jornalismo desportivo e considera o Bola na Rede um bom projeto para aliar a escrita ao acompanhamento dos desportos que mais gosta.

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