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GP do Brasil: loading champion, 99% complete

Mariana Fernandes · 4 min

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Cabeçalho modalidadesChuva no Brasil, vitória de um inglês, um alemão perto da glória e um holandês a brilhar. A internacionalização tomou conta do Circuito de Interlagos neste fim-de-semana.

Rosberg ganhava e era campeão. Hamilton estava concentrado em evitar a festa antecipada. O piloto inglês pôs as suas ambições em prática ao conquistar a pole-position, a 60.ª da carreira. Rosberg seguiu o colega de equipa de perto e garantiu mais uma dobradinha para a Mercedes. Desta vez, Raikkonen foi melhor do que os Red Bull e fechou os três primeiros do grid. Verstappen foi mais rápido do que Vettel e Ricciardo acabou por não conseguir acompanhar o colega de equipa, posicionando-se atrás do Ferrari.

A surpresa da qualificação foi Romain Grosjean, que alcançou uma Q3 de altíssimo nível. O francês da Haas iria sair da sétima posição da grelha, mas um despiste na volta de instalação impediu-o de sequer começar a corrida.

E o que aconteceu a Grosjean antes da bandeira de xadrez, foi acontecendo ao longo do atribulado GP. Choveu intensamente durante todo o fim-de-semana em São Paulo, e as condições atmosféricas que se faziam sentir à hora de início da prova não eram as melhores.

A chuva complicou muito a prova no Brasil Fonte: Red Bull
A chuva complicou muito a prova no Brasil
Fonte: Red Bull

A Direcção de Corrida decidiu que o GP iria começar atrás do safety-car; aquilo que, à partida, parecia ser uma má notícia para Lewis Hamilton, acabou por se provar o controlo que o inglês precisava para conseguir a vitória. Todos os pilotos arrancaram então com pneus full-wet – os rasgos destes pneus retiram 105 litros de água a cada 100 metros.

À oitava volta, o Grande Prémio começou a sério e Hamilton soube segurar a competição. Verstappen foi rápido o suficiente para ultrapassar Raikkonen e infiltrar-se nos três primeiros. Os pilotos começaram a ganhar confiança, numa pista que continuava inundada. Multiplicaram-se as idas às boxes para trocar para intermédios; os três da frente, ainda assim, jogaram pelo seguro.

Mas na vigésima volta, bandeira vermelha. Kimi Raikkonen despista-se na recta da meta e a corrida é interrompida. Nesta altura, a visibilidade é reduzida e o perigo é constante. Prova disso são as imagens do acidente de Raikkonen: o finlandês perdeu o controlo do carro, que atravessou a pista de uma ponta à outra, a fazer piões. Verstappen evitou, por pouco, aquele que seria um acidente terrível.

A corrida acabou por ser reatada, sob a condição de todos os pilotos mudarem para pneus de chuva. Mas o safety-car não saiu e a bandeira vermelha voltou a aparecer. As opiniões dos pilotos dividiam-se: uns achavam que era precaução a mais, outros defendiam que a pista estava completamente intratável.

O GP foi retomado pela terceira vez e, finalmente, pela última vez. Verstappen aproveitou novamente e subiu a segundo, deixando Rosberg numa posição mais desconfortável para Abu Dhabi. Mas foi sol de pouca dura: entre safety-cars e uma ida às boxes, o jovem holandês caiu para o décimo segundo lugar.

A partir daqui, foi a prova daquilo que já sabemos: Max Verstappen é um prodígio, é um talento em bruto. Algo que há muito tempo já não víamos na F1. Verstappen está a dar nas vistas na Red Bull, não precisou de subir à Mercedes ou à Ferrari para ser o melhor piloto, o mais técnico, o mais cerebral. A escalada que fez hoje, a maratona que o levou ao pódio, foi um dos momentos mais brilhantes que vimos esta temporada. Max é o futuro; não é Senna, não é Prost, não é Schumacher. É Verstappen.

Lewis Hamilton conservou o primeiro lugar e acabou por confessar que foi fácil manter o controlo da prova. Rosberg conquistou a segunda posição e vai confortável para Abu Dhabi. Verstappen fechou o pódio e garantiu mais um pódio para a Red Bull. A Ferrari volta a ver os três primeiros das boxes – Vettel foi quase medíocre e Raikkonen abandonou.

Nota positiva para Max Verstappen, por motivos que já enunciei. Desdobro-me em elogios para com o holandês. Max foi o piloto do dia mas, para mim, é o piloto do ano.

Nota negativa para a organização do GP e para a própria Fórmula 1. A etapa decorreu, durante muito tempo, sob condições extremas e de grande perigo. Ficam na memória os arrepiantes acidentes de Kimi Raikkonen e Marcus Ericsson. Nestas alturas, é necessário ter pulso firme e saber quando parar.

Verstappen mostrou que é bem mais do que uma promessa Fonte: Max Verstappen
Verstappen mostrou que é bem mais do que uma promessa
Fonte: Max Verstappen

De realçar, também, o facto de este ter sido o último GP do Brasil para Felipe Massa. O piloto da Williams já anunciou que vai terminar a carreira no final deste Mundial e despediu-se hoje do circuito a que chama casa. Não conseguiu fazê-lo da melhor maneira, ainda assim: Massa desistiu depois de se despistar. Mas foi compensado com a ovação que os milhares de pessoas no Autódromo José Carlos Pace lhe deram. As lágrimas foram a única reacção que o brasileiro conseguiu ter.

Hamilton concretizou um sonho e venceu pela primeira vez em São Paulo. Rosberg só precisa de um lugar no pódio em Abu Dhabi para ser campeão, mas a luta pelo título vai mesmo até ao fim. A F1 está de volta; pelo menos, é o que parece. O último Grande Prémio da temporada acontece no fim-de-semana de 25 a 27 de Novembro, em Abu Dhabi.

Foto de capa: Mercedes

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Mariana Fernandes

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