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GP Espanha: Jackpot para Max Verstappen

Bernardo Figueiredo · 5 min

GP Espanha: Jackpot para Max Verstappen
Foto: Red Bull Racing

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A CORRIDA: NEERLANDÊS SUPEROU PROBLEMAS COM DRS, BENEFICIOU DO ABANDONO DE LECLERC E JÁ LIDERA O CAMPEONATO

E ao sexto Grande Prémio, Max Verstappen já lidera o campeonato do mundo de Fórmula 1. O piloto da Red Bull venceu o Grande Prémio de Espanha, liderando uma dobradinha da Red Bull, com Sergio Pérez a terminar no segundo lugar. George Russell, da Mercedes, consegue mais um pódio, terminando em terceiro, mas o caminho para lá chegarmos não foi, de todo, simples.

Começando pelo arranque, Charles Leclerc arrancava da pole position, com Verstappen logo atrás e Carlos Sainz na terceira posição. E se o monegasco da Ferrari conseguiu aguentar a liderança, Sainz teve um mau arranque, perdendo posições para Russell, que passou para terceiro, e Pérez, quarto. Destaque também para uma colisão entre Lewis Hamilton e Kevin Magnussen, que levou o dinamarquês à gravilha e o britânico a sofrer um furo, com ambos a caírem para as últimas posições. Hamilton até chegou a considerar abandonar, mas acabou por não o fazer.

Depois do mau arranque, Sainz ainda fez um pião, fazendo-o cair do quinto para o 11.º lugar. Poucas voltas depois, um raro erro solitário de Max Verstappen, na mesma curva (curva 4), que o fez ir à gravilha e cair do segundo para o quarto lugar, atrás de Russell e Pérez (vento terá tido influência no erro, de acordo com o engenheiro do piloto). Pérez ainda permitiu a passagem do seu colega de equipa, mas Verstappen voltou a ter problemas com o DRS (à semelhança da qualificação) quando tentava ultrapassar Russsell (o próprio britânico estava com problemas de sobreaquecimento no seu Mercedes).

Russell e Verstappen pararam na mesma volta, com o britânico a sair à frente e o neerlandês frustrado porque o seu DRS só funcionava ocasionalmente, dificultando-lhe a luta pelo segundo lugar, quanto mais pela vitória. Com Verstappen e Russell em luta, Pérez estava atrás e pediu à equipa para que Max o deixasse passar, porque o mexicano estava com pneus mais frescos e podia depois atacar Russell. A Red Bull negou-lhe essa hipótese. Até que o líder da corrida, imperturbável até aí, teve problemas. Uma perda de potência, sem que nada o fizesse prever (e quando a sua vantagem na frente era grande) levou ao abandono da corrida.

Pouco depois, Verstappen parava para trocar de pneus e Sergio Pérez ultrapassava George Russell para passar a liderar o Grande Prémio. Verstappen também rapidamente despachou o terceiro colocado Valtteri Bottas com uma grande ultrapassagem na curva 12 para recuperar o terceiro posto. O neerlandês passou para a liderança beneficiando das paragens de Russell e Pérez, mas sentia-se que Max teria de parar outra vez. Quando o fez, saiu à frente de Rusell e só tinha Pérez pela frente. E aí, foram as ordens da Red Bull a fazer a diferença em benefício do campeão do mundo. Pérez deixou o colega passar (dizendo, resignado, que era “injusto”) e Verstappen conseguiu, a partir daí, completar as voltas que precisava para ganhar a corrida e passar para a liderança do Mundial.

Pérez e Russell ainda pararam mais uma vez, mas completaram os restantes lugares de pódio, embora a Mercedes ainda tenha tido problemas em ambos os seus carros nas últimas voltas. Antes disso, Valtteri Bottas foi ultrapassado em pouco tempo por dois pilotos diferentes (Carlos Sainz e Lewis Hamilton), com o piloto da Alfa Romeo a perder o quarto lugar e a ficar frustrado com a estratégia de apenas duas paragens. Depois, foi Hamilton a ultrapassar o espanhol da Ferrari, mostrando grande ritmo depois do incidente no início do Magnussen. Até que os problemas da Mercedes surgiram.

Hamilton e Russell foram ambos avisados que havia um “risco de DNF” se não conseguissem arrefecer suficientemente os carros. Se para Russell isso não foi problema (a margem para os pilotos que vinham atrás era suficientemente grande para manter o terceiro lugar), Hamilton teve mesmo de sacrificar o quarto lugar, perdendo-o para Carlos Sainz. Bottas foi sexto, à frente de Esteban Ocon (boa corrida da Alpine, que ainda viu Fernando Alonso, que arrancou do último lugar, com um novo motor, a terminar em nono). Lando Norris, a sofrer com uma rinite aguda, foi oitavo, com Yuki Tsunoda a terminar no último lugar pontuável.

O campeonato do mundo de Fórmula 1 terá nova ronda já na próxima semana, no Mónaco, casa de Charles Leclerc (mas uma casa bastante assombrada para o monegasco, diga-se). Nesta altura, o ímpeto do campeonato virou-se a favor de Verstappen e da Red Bull, mas a Ferrari vai querer dar resposta na próxima semana. E não esquecer a Mercedes, que voltou a conseguir um pódio e parece estar a aproximar-se da performance das melhores equipas.

Foto de Capa: Red Bull Racing

PILOTO DO DIA

Lewis Hamilton (Mercedes) – O britânico teve um início de corrida desastroso, sendo vítima do que parece ter sido um erro de cálculo de Kevin Magnussen (embora a direção de corrida tenha considerado um incidente de primeira volta). Mas Hamilton, depois disso, mostrou grande ritmo, ultrapassando inclusivamente um Ferrari, até que mais problemas (desta vez, mecânicos) o levaram a perder para Sainz no final.

DESILUSÃO DO DIA

Carlos Sainz (Ferrari) – É verdade que Sainz foi o único piloto da Ferrari a pontuar no seu Grande Prémio caseiro, mas a performance do espanhol continua a deixar a desejar. Sainz perdeu lugares no arranque, fez depois um pião que o fez cair mais alguns lugares (que recuperou), mas ficaria atrás de ambos os Mercedes se Hamilton não tivesse um problema no final. Leclerc abandonou por um problema de fiabilidade, mas justifica cada vez mais o estatuto de primeiro piloto da Ferrari.

Bernardo Figueiredo

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