O drama dos limites de pista no Qatar | Fórmula 1

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Se tivéssemos de resumir o Grande Prémio (GP) do Qatar, poderíamos dizer que se tratou do jogo de dança das cadeiras misturado a um combate de boxe, onde os limites de pista venceram, claramente, a batalha. 

Avisos foram surgindo inúmeras vezes nos ecrãs de que tempos tinham sido removidos e penalizações tinham sido atribuídas. É indiscutível, os limites de pistas foram, mais uma vez, os grandes protagonistas de um GP de Fórmula 1, acabando por afetar os pilotos e causar alguma frustração nas equipas e nos fãs. E por muito que a Federação Internacional do Automobilismo (FIA) tentasse melhorar as condições na pista, parece que só fez pior.

O pesadelo começou logo na sexta-feira durante as qualificações. 

Ambos os pilotos da Mclaren pareciam imparáveis e do alto dos seus pneus macios Lando Norris conseguiu qualificar-se em segundo lugar. O seu companheiro de equipa teve um pouco menos de sorte, mas ainda assim saiu-se bem e conseguiu arrecadar uma bela quarta posição, ou isso achavam eles. 

A FIA veio rapidamente interromper a alegria dos pilotos da McLaren que acabaram por perder as suas posições para Russel e Hamilton.

Após a Q3 terminada e já no “parc fermé”, Norris e Piastri são ambos informados que os seus tempos de qualificação tinham sido removidos o que os colocava décimo e sexto, respectivamente,  na grelha de partida da corrida de domingo. 

O problema não foi só o facto desta decisão ter surgido minutos depois da qualificação, mas sim o momento e mesmo a forma como os pilotos foram informados. A FIA demorou mais de cinco minutos a determinar se ambos os pilotos excederam ou não os limites de pista, Piastri nem fazia ideia que estava a ser investigado e no caso de Norris, não se justifica a demora já que a excedência dos limites de pista foi até percebida pelos telespectadores. 

Mas o que não estava bem ficou ainda pior e se Lando Norris foi avisado a tempo para não fazer a entrevista, Piastri não teve essa sorte. O australiano foi colocado numa situação constrangedora da qual fez prova de profissionalismo e lhe permitiu receber elogios rasgados nas redes sociais. Sim, porque não há de ser nada fácil estar a ser entrevistado por Naomi Shiff, com câmeras e micro apontados e receber a notícia de que afinal domingo iria largar de sexta posição e não de terceira. 

O fim de semana continuou atribulado, e a FIA também esteve debaixo dos holofotes, tendo sido posta à prova por estes limites de pista. 

Sábado de manhã, todos acordaram com a notícia de que os limites de pista das curvas 12 e 13 tinham sido aumentados para 80 cm, após a Pirelli ter detetado um problema de segurança com os pneus por causa das zebras “pyramid” de 50 cm que delimitavam a pista. 

Isto obrigou, aliás, os pilotos a fazer obrigatoriamente três paragens durante a corrida de domingo, já que os jogos de pneus só poderiam ser usados durante 18 voltas. Mais uma decisão que veio incomodar equipas e pilotos e que, em toda a honestidade, só veio tornar esta corrida estrategicamente aborrecida. 

E apesar de existir uma motivação notória por parte das organizações de querer melhorar estas adversidades, a verdade é que as penalizações continuaram a cair, por causa dos limites de pista. 

No final da corrida de sprint foi a vez de Charles Leclerc e Lance Stroll receberem penalizações de cinco segundos por excederem os limites. Durante a corrida de Domingo penalizações atrás de penalizações foram atribuídas afetando sobretudo quatro pilotos, Stroll, mais uma vez, Alex Albon, Pierre Gasly e Sérgio Pérez. 

Mas afinal, o que causa realmente descontentamento? Os pilotos que ora estão em segundo como tão depressa estão em último? O momento e a forma como os pilotos são notificados? Ou será o tempo que a FIA demora para determinar este tipo de decisões? 

É de destacar que a FIA não tem meios humanos ou técnicos para vigiar os limites da pista o que faz com que demorem algum tempo a investigar e chegar a uma conclusão. Quando o fazem, na maioria das vezes, as penalizações chegam depois das provas e os pilotos já não podem remediar a situação; o que provoca descontentamento, frustração e demonstra, de uma certa forma, falta de espírito desportivo. 

É, neste momento, fundamental que a FIA trabalhe para agilizar o processo que determina se os pilotos estão ou não a exceder os limites de pista. Isto porque, é cada vez mais necessário tornar as coisas mais justas e igualitárias, dando a oportunidade aos pilotos para emendarem o erro, mas também de modo a tornar as coisas mais interessantes de um ponto de vista dos telespectadores. 

A FIA pode tornar as coisas ainda mais desafiantes para as equipas e muito mais emocionantes para os fãs já que avisos atempados levam a mudanças de estratégias, adoção de atitudes diferentes motivadas pela vontade de remediar o erro.

Cindy Tomé
Cindy Tomé
Nasceu em França, onde viveu grande parte da sua vida. Mas as suas raízes levaram-na a regressar a Portugal aos 18 anos. Formou-se no Porto, onde prosseguiu estudos em jornalismo. Eterna fascinada com a "caixa mágica", cresceu a querer ser apresentadora. Foi justamente esse amor pela televisão que a levou a prosseguir os estudos e, atualmente, é mestre em TV e Entretenimento. O pai foi quem lhe passou a paixão pelo Futebol e sendo também ele e a sua melhor amiga os grandes culpados por se interessar pela F1. Atualmente, caminha para se tornar repórter de TV nestes dois mundos desportivos.

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