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Uma Vasseur-ada na Ferrari | Fórmula 1

Carlos Eduardo Lopes · 3 min

Uma Vasseur-ada na Ferrari | Fórmula 1
Foto: Fórmula 1

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Finda a temporada de 2022, e com as preparações de 2023 já em andamento, a segunda “silly season” da Fórmula 1 teve início – desta vez, com os chefes de equipa sob o holofote mediático.

A segunda semana de Dezembro trouxe grandes alterações à composição técnica de várias equipas, mas a desencadear a “roda das cadeiras” esteve a demissão, duas semanas antes, de Mattia Binotto da chefia da Ferrari. Depois de 27 anos ligado à mítica marca italiana sua compatriota desempenhando múltiplas funções, Binotto e Ferrari puseram termo a uma relação que na última época acabou por ser particularmente frustrante. Com um carro altamente competitivo no início do ano, a Ferrari acabou por dar vários “tiros nos pés” em estratégias de corrida, custando a si própria inúmeros pontos na classificação, enquanto se via também ultrapassada pela Mercedes a nível de desenvolvimento do carro durante a temporada.

Com aquele que é talvez o lugar de chefe de corrida mais cobiçado da modalidade deixado vago, os candidatos rapidamente foram anunciados (incluindo uma alegada investida por Christian Horner, da Red Bull). Mas aquele que foi ganhando mais força, e que acabou por se consumar no dia 13 de Dezembro, foi mesmo o de Frédéric Vasseur. Homem-forte da Sauber, com ligações passadas a Charles Leclerc e um carácter intransigente, focado em resultados, que foi então visto como a solução para “pôr a casa em ordem” depois dos erros de 2022.

Apesar da boa dupla de pilotos e um carro que será à partida suficientemente competitivo, a tarefa de Vasseur não se avizinha fácil. Apresentamos os motivos:

Por um lado, a expectativa dos “tifosi” italianos é sempre de conquistar, no mínimo, o título de pilotos. A forma apresentada por Max Verstappen em 2021 e 2022 deixa muito pouca, se qualquer, margem para erro e coloca logo à partida um obstáculo que Vasseur, por si só, não conseguirá contornar. A arma de combate, aqui, pode passar pela definição desde muito cedo de um piloto “número 1”, à la Jean Todt/Ross Brawn com a dupla Michael Schumacher/Rubens Barrichello, deixando um dos pilotos acumular o máximo de pontos em detrimento do outro (como, de resto, faz a Red Bull). Se este cenário acontecer, o esperado é que Charles Leclerc tenha prioridade sobre Carlos Sainz.

Por outro lado, a pressão de apresentar um carro capaz de fazer frente à Red Bull desde cedo e que dê garantias de potencial – não só pela questão desportiva, mas também pela questão contratual dos dois pilotos. Leclerc, em particular, tem sido avançado como o possível sucessor de Lewis Hamilton caso o britânico e a Mercedes não renovem a ligação após 2023, dada a cotação do monegasco no mercado de pilotos e a margem de progressão que ainda tem comparativamente a outros pilotos da grelha.

Por fim, o planeamento a longo termo que tem sido o verdadeiro “calcanhar de Aquiles” da equipa italiana desde o último título conquistado em 2008. Sucessivas mudanças de chefia e de filosofia de construção aerodinâmica do carro, uma aparente desconexão entre departamentos e a já referida incapacidade em gerir não só as estratégias de corrida dos dois pilotos durante os Grandes Prémios, mas também a nível da gestão de calendário e recursos no que toca ao desenvolvimento do carro contemporâneo e do seguinte – tudo isto tem custado pontos, dinheiro e prestígio à marca italiana, que há uma década e meia não ergue um dos dois troféus mais cobiçados na Fórmula 1.

Pede-se, por isso, ao novo chefe de equipa uma verdadeira “vassourada” nas várias divisões da casa de Maranello. O futuro tem forçosamente de ser sustentável e, acima de tudo, competitivo – assim o pedem os fãs da equipa e as equipas rivais, actuais e as que aí vêm… Outra das mudanças de chefia acontece precisamente na Alfa Romeo/Sauber, que com a saída de Vasseur e o ingresso do extremamente cotado Andreas Seidl para CEO da equipa, já prepara o muito aguardado ingresso da Audi na modalidade em 2026…

Foto de Capa: Formula 1

Carlos Eduardo Lopes

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