Fórmula E: Criação e adaptação para um automobilismo sustentável

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FÓRMULA E E FÓRMULA 1: PODERÃO COEXISTIR?

As diferentes modalidades do automobilismo caminham no sentido de alcançarem, ou pelo menos, de se aproximarem do “net zero”. O caso em que este contexto pode vir a colidir com a Fórmula E é mesmo o da Fórmula 1. Aquele que é provavelmente o campeonato-rei do automobilismo, vai ter de tomar uma decisão até 2035, de acordo com o Diretor Desportivo da Envision Racing, Sylvain Filippi (https://biz.crast.net/formula-1-could-be-all-electric-by-2035-says-fomula-e-boss/) . A decisão passa por escolher avançar para um modelo com carros 100% elétricos, apelativa a um público mais geral, ou adotar um estilo mais híbrido, apelativo a um segmento mais específico do mercado.

“A Fórmula 1 terá muitas opções para o seu futuro. Poderá tornar-se 80% elétrica e 20% híbrida. Ou pode rumar a uma direção completamente diferente, retirando o melhor que o V12 consegue ser. E continuaria a proporcionar uma excelente competição e entretenimento”

Filippi frisou ainda que os carros da Fórmula E são mesmo capazes de vir a bater os carros de Fórmula 1, no que à velocidade de ponta diz respeito, daqui a 10 ou 15 anos, quando o “Gen 4” e o “Gen 5” tiverem sido desenvolvidos. Nota ainda que o carro de corrida elétrico tem evoluído significativamente desde a criação do campeonato do Mundo em 2014, com destaque para o fim da troca de carro a meio das provas, uma vez que as baterias passaram a aguentar esforços de 45 minutos com uma bateria de 52 KW.

Numa entrevista ao “The Race”, o Diretor Executivo da Stellantis (principal produtora mundial de carros), o português, Carlos Tavares, também abordou a coexistência entre F1 e Fórmula E. Ao contrário de Filippi, Tavares acredita que no futuro, as duas modalidades não serão capazes de coexistir devido à pressão elevada para que se abandone os motores de combustão interna em prol da tecnologia elétrica.

“A pressão da sociedade vai ser tão alta que a Fórmula 1 vai ter de abandonar a tecnologia de combustão interna, o que significa que, nesse momento, a Fórmula 1 e a Fórmula E vão ter de discutir com a FIA qual o rumo a seguir” disse Tavares ao The Race.

A Fórmula E tem uma licença de exclusividade da FIA para carros de monolugar elétricos, o que de acordo com o próprio Alejandro Agag, obriga a Fórmula 1 a pedir autorização ao campeonato de veículos elétricos, se quiser completar uma transição para esta tecnologia. A licença tem uma validade de 25 anos, o que garante a liderança da Fórmula E no que aos carros de corrida elétricos diz respeito, até 2039.

Assim, o campeonato do Mundo de Fórmula E tem efetivamente um futuro assegurado e tem tudo para coexistir a médio prazo com a Fórmula 1. A solução mais lucrativa parece efetivamente ser um modelo da índole do mencionado por Filippi: 80% elétrico e 20% híbrido. Este modelo manteria uma distinção entre os dois campeonatos, garantindo uma solução mais lucrativa, uma vez que as duas marcas carregam bastante importância. Se algum dia, tivessem de se fundir, não existem dúvidas que o modelo de carro elétrico prevaleceria, mas com a marca da Fórmula 1, uma vez que carrega uma importância histórica e mediática muito maior.

Filipe Pereira
Filipe Pereira
Licenciado em Ciências da Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o Filipe é apaixonado por política e desporto. Completamente cativado por ciclismo e wrestling, não perde a hipótese de acompanhar outras modalidades e de conhecer as histórias menos convencionais. Escreve com acordo ortográfico.

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