Afinal, Hamilton tinha ou não tinha razão? | Fórmula 1

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Afinal Hamilton, artigo da bola na rede sobre o piloto

Afinal Hamilton

Afinal Hamilton tinha ou não tinha razão? | Fórmula 1

Concluído o Grande Prémio da Turquia de Fórmula 1, surgiram naturalmente vários pontos de discussão, mas houve um em particular que centrou maior atenção. Lewis Hamilton e a Mercedes viram-se envolvidos num dilema relacionado com a paragem nas boxes. Hamilton não queria parar, a Mercedes chamou-o à box e o campeão mundial terminou a corrida no quinto lugar. E num Grande Prémio em que a estratégia e as paragens para trocar de pneus provocaram tantas dores de cabeça a toda a gente, qual seria, afinal, a melhor estratégia?

A corrida em Istambul teve a particularidade de começar com pista húmida e de nunca ter secado o suficiente para arriscar pneus de pista seca (que o diga Sebastian Vettel, que arriscou durante muito pouco tempo, até perceber que não resultava). A maior parte dos pilotos parou pela volta 36 (Lando Norris, o primeiro a parar do top-10, parou na volta 34). Não era obrigatório parar porque, em condições de pista molhada, os pilotos não são obrigados a usar dois compostos diferentes de pneus. Esteban Ocon fez toda a corrida com os mesmos pneus. E depois houve os casos de Charles Leclerc e Lewis Hamilton.

O piloto da Ferrari parou na volta 47, numa altura em que se percebeu que os pneus já não davam mais. O monegasco tinha sido ultrapassado por Bottas e ia ser engolido por mais gente se não parasse. Mas Leclerc não está a lutar pelo Mundial e não tinha assim tanto a perder. A decisão da Mercedes para Hamilton, sendo justo com eles, era mais difícil. Mas vamos por partes.  Afinal Hamilton

Caso Hamilton levasse a sua ideia para a frente e não parasse, o que aconteceria? Dependeria sempre da forma como o britânico lidasse com a degradação dos pneus. Se conseguisse gerir a situação relativamente bem, seria taco a taco com Sergio Pérez, que estava com os pneus em bom estado e seria informado pela Red Bull que teria de aumentar o ritmo e ultrapassar Hamilton em pista. Portanto, Hamilton acabaria em terceiro ou quarto, dependendo do resultado dessa luta. Afinal Hamilton

Mas este é um cenário provavelmente otimista, tendo em conta o tempo que Ocon (o único piloto que não parou) estava a perder no fim da corrida.

Outro cenário seria se os pneus de Hamilton caíssem bem mais, como caíram os de Leclerc e os de Ocon (o francês perdeu cinco segundos para Antonio Giovinazzi na última volta). Nesse caso, Pérez deveria ficar com o terceiro lugar e a luta do piloto da Mercedes seria pelo quarto lugar com Charles Leclerc, sendo ainda mais difícil defender a posição devido ao estado dos pneus.

Por isso, tendo em conta a degradação que se verificava em vários carros, o cenário mais provável era Hamilton terminar em quinto na mesma se fizesse as 58 voltas sem ir à box. Ou o pior cenário possível, que era o rebentamento do pneu e aí verificava-se um abandono ou um resultado fora do top-10.

Coloquemos agora o cenário em que Hamilton parava da primeira vez que a equipa o instruiu a fazê-lo, mais ou menos na mesma altura em que pararam Pérez, Verstappen e Bottas. Seria sempre difícil, até porque Pérez estava à frente e era difícil para Hamilton ultrapassá-lo. Afinal Hamilto 

A Turquia também teve outro fator: normalmente, quando se pára para trocar de pneus, o carro responde de imediato e a velocidade é bastante superior. Nesta corrida, não foi assim. No caso de Hamilton, fez uma volta rápida, sobreaqueceu os pneus e só nas últimas voltas é que aumentou o ritmo, quando já era ameaçado por Gasly e Norris atrás.

Portanto, a conclusão a que eu chego é que aqueles que pararam mais cedo foram aqueles que mais beneficiaram com isso. Havia cerca de três/quatro voltas em que o graining dos pneus impedia o carro de andar rápido, mas, uma vez ultrapassada essa fase, era possível recuperar a corrida. Viu-se isso na ultrapassagem de Bottas a um Leclerc que ainda estava na fase em que não conseguia andar rápido, e mesmo na própria altura em que o monegasco foi ultrapassado por Sergio Pérez.

Ao parar apenas na volta 50, Hamilton deu apenas oito voltas aos seus pneus para recuperarem de modo a que ele tentasse um resultado melhor, o que era manifestamente insuficiente.

Se Hamilton parasse na altura em que a Mercedes disse para ele o fazer, deveria estar a lutar com (pelo menos) Pérez (não se sabendo se a Ferrari ia reagir à paragem do britânico ou não). Teria a tal fase do graining nos pneus, mas teria mais tempo para que os mesmos chegassem ao seu ponto ótimo, podendo aproximar-se do Red Bull (e eventualmente do Ferrari) em pista e lutar pelo terceiro lugar.

Concluindo, nada disto é fácil de decidir por parte das equipas e é bastante mais fácil concluir o que era melhor depois do evento ter acontecido. Mas, tendo em conta o número de voltas que os pneus demoravam a chegar ao seu melhor rendimento, quem parou mais tarde saiu claramente a perder. Hamilton perdeu a liderança do campeonato, e, sendo verdade que seis pontos são perfeitamente recuperáveis, acertar a estratégia torna-se cada vez mais decisivo.

Foto de Capa: Mercedes AMG-F1

Afinal Hamilton

Bernardo Figueiredo
Bernardo Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é licenciado em Comunicação Social (jornalismo) na Universidade Católica de Lisboa e está a terminar uma pós-graduação em Comunicação no Futebol Profissional, no Porto. Acompanha futebol atentamente desde 2010, Fórmula 1 desde 2018 e também gosta de seguir ténis de vez em quando. Pretende seguir jornalismo desportivo e considera o Bola na Rede um bom projeto para aliar a escrita ao acompanhamento dos desportos que mais gosta.

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