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GP de Singapura: Pausa na hegemonia dos Mercedes – Vettel ainda existe

Mariana Fernandes · 3 min

GP de Singapura: Pausa na hegemonia dos Mercedes – Vettel ainda existe

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O Grande Prémio de Singapura traz consigo uma enorme legião de fãs; o facto de acontecer durante a noite provoca um boost na curiosidade dos aficionados da F1. E, sem surpresas, a prova asiática voltou a ser palco das qualificações e classificações mais atípicas do Mundial.

A Fórmula 1 é muitas vezes acusada de previsibilidade: determinada equipa ganha sempre, tal piloto é campeão logo no primeiro GP, falta competitividade e concorrência. Combato estas opiniões com diversas evidências do contrário, mas é sempre difícil convencer os críticos. Este fim-de-semana, em Singapura, serve de exemplo para todas essas mentes iluminadas que acreditam no aborrecimento deste desporto.

A maré alta da Mercedes não durou para sempre. Na qualificação, Hamilton conseguiu apenas o quinto posto, e o colega de equipa Rosberg não alcançou mais do que a sexta posição. Ambos os pilotos se queixaram de problemas no monoveículo, especialmente nos pneus: depois da polémica em Monza, que causou uma suspensão da classificação final até decisão do comité, a equipa das “flechas de prata” voltou a ter dificuldades em imprimir os seus objectivos nos Pirelli. Lewis Hamilton disse que “os pneus simplesmente não funcionaram. Escorregavam em todo o lado. Nunca tínhamos visto algo como isto”. Já Rosberg queixava-se da falta de aderência e sentia-se desapontado, seguindo a linha de Toto Wolff e Niki Lauda: os três diziam que a prova seria complicada e que um terceiro lugar era praticamente um milagre.

Por seu lado, Sebastian Vettel conseguiu a sua primeira pole na Ferrari, Ricciardo saiu em segundo, e Raikkonen e Kvyat completavam a segunda linha.

Quanto ao arranque, pouco a dizer. Os Mercedes conseguiram um início competitivo, Vettel segurou a liderança e Max Verstappen ficou parado no grid; o jovem holandês teve de sair do pit-lane com voltas de atraso. Os três da frente fugiram – Kvyat, Hamilton e Rosberg não conseguiam aproximar-se.

Mais uma vez, o safety-car voltou a ser decisivo. As duas entradas da velocidade controlada criaram as oportunidades para as duas paragens estratégicas, causando a constância visível na frente da classificação. A primeira foi devido a um acidente entre Massa e Hulkenberg: o toque foi inteiramente por culpa do alemão da Force India, que acabou por abandonar – perderá três posições na grelha do próximo Grande Prémio. O segundo carro entrou devido a um acontecimento absolutamente insólito; um espectador passeava, calmamente, na berma da pista. Estranho, inédito, surpreendente, mas, acima de tudo, muito perigoso.

E se a qualificação já havia sido problemática para a Mercedes, o GP revelou-se, também, muito difícil. Depois de ultrapassar Kvyat, Lewis Hamilton encontrava-se já na quarta posição, pronto para atacar o pódio. Eis se não quando o motor do Mercedes ficou sem potência e o piloto inglês perdeu diversas posições, chegando à 16.º. Depois de a equipa dizer que não encontrava nenhum problema eléctrico com o veículo, Hamilton abandonou; o campeão do mundo em título desistiu pela primeira vez na temporada, no dia em que poderia ter igualado o número de vitórias de Ayrton Senna.

Os três primeiros controlaram a corrida de início ao fim, Nico Rosberg seguiu-os de longe. Max Verstappen leva a nota mais positiva do GP: o prodígio da Toro Rosso subiu de último a oitavo em 47 voltas. Muito graças aos safety-cars, é verdade, mas o jovem piloto conseguiu as ultrapassagens mais arriscadas e espectaculares da noite. Enfrentará problemas “diplomáticos”, depois de ignorar a ordem da equipa para deixar o colega Carlos Sainz passar à frente. Rebelde. Temos piloto para os próximos anos.

Sebastian Vettel feliz com a vitória Fonte: Facebook Scuderia Ferrari
Sebastian Vettel feliz com a vitória
Fonte: Facebook Scuderia Ferrari

A grande nota negativa é, mais uma vez, da McLaren. Problemas mecânicos levaram ao quarto abandono duplo da época, quando ambos os pilotos estavam a rodar nos pontos. Também Felipe Massa foi o protagonista de um abandono inglório, depois de lutar contra problemas no motor do seu Williams.

Sebastian Vettel alcançou a sua quarta vitória em Singapura e tornou-se o terceiro piloto com mais vitórias na história da F1, atrás apenas de Michael Schumacher e Alain Prost. A Ferrari voltou aos pódios, a dobrar, e Ricciardo conquistou um valioso segundo lugar para a Red Bull. Segue-se o Grande Prémio de Suzuka, no Japão, no fim-de-semana de 25 a 27 de Setembro. Adivinho um regresso às vitórias da Mercedes mas, a partir de agora, com uma perseguição mais cerrada da Ferrari e da Red Bull.

Foto de capa: Facebook Scuderia Ferrari

Mariana Fernandes

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