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GP de Espanha: duelo de titãs

Mariana Fernandes · 3 min

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Cabeçalho modalidadesUma batalha à antiga. Foi assim o GP da Catalunha, que consagrou Lewis Hamilton depois de uma luta intensa com Sebastian Vettel. A Fórmula 1 – a Mercedes e a Ferrari – voltou a mostrar que está viva e pronta para as curvas. Há muito tempo que não víamos uma corrida decidida, em alguns momentos, roda a roda.

Lewis Hamilton conquistou a pole-position e, logo aí, tivemos indícios de que esta seria uma etapa renhida. O inglês foi mais rápido do que Vettel mas com uma diferença de apenas alguns milésimos; Bottas colocou o outro Mercedes na terceira posição e Raikkonen fechou a segunda linha do grid.

Mas o arranque destruiu qualquer mínima vantagem que a Mercedes pudesse ter. Vettel investiu tudo nos primeiros metros e rapidamente se apoderou da liderança. Um bocadinho mais atrás, Raikkonen encostou Bottas aos limites da pista, eliminando todo o espaço que existia entre os dois. O Mercedes tocou no Ferrari e Raikkonen perdeu todo o controlo do monolugar. Danos colaterais? Verstappen estava a tentar fazer uma curva larga e chegar-se aos homens da frente quando o Ferrari descontrolado foi ter consigo. Verstappen e Raikkonen ficaram fora do GP, Bottas continuou (por tempo limitado, como vamos ver mais à frente).

Fonte: Mercedes-AMG Petronas Motorsport
Hamilton encurtou a distância para Vettel na classificação geral
Fonte: Mercedes-AMG Petronas Motorsport

Mas este GP de Espanha já era atípico desde o princípio. Desta vez, as indicações da Pirelli obrigavam à utilização dos compostos médios e macios, sendo que a diferença entre eles era de dois segundos. Os pneus médios não eram os mais indicados para este tipo de pista e as equipas teriam de saber usá-los durante o menor tempo possível.

Sete voltas depois do arranque, Vettel tinha mais de 2s de vantagem sobre Hamilton. A estratégia da Mercedes era fazer menos uma paragem do que a Ferrari e, quando Sebastian parou na volta 15, Lewis continuou em pista durante mais algum tempo.
Vettel regressou atrás dos Mercedes e deu espaço ao piloto inglês para, finalmente, mudar de pneus. E aqui, Valtteri Bottas foi importantíssimo. Teve um papel crucial na retenção do alemão, sendo absolutamente intransponível durante a paragem de Hamilton. Com uma bonita manobra, Vettel acabou por recuperar a liderança, mas havia um problema: Hamilton tinha pneus melhores, estava com um ímpeto incrível e tinha o caminho livre para ir atrás do Ferrari. E assim fez.

Hamilton aproveitou o safety-car, acionado para retirar o McLaren de Vandoorne de pista, para voltar a parar e trocar para macios. E, a partir daqui, dependia tudo da estratégia da Ferrari. Vettel ainda tinha de ir à box e, apesar dos mais de 20 segundos de vantagem, estava tudo por decidir.

E foi preciso chegarmos à volta 38 para vermos o momento mais emocionante do GP. Vettel vai ao pit-stop e, quando volta, depara-se com Hamilton a passar naquele preciso momento. Os carros ficam lado a lado, os pilotos defrontam-se directamente, as faces laterais dos monolugares tocam-se mas não há danos a apontar. O inglês sai pela escapatória, o alemão fica na frente. Eu disse: a competição roda a roda regressou à F1.

O piloto da Mercedes tinha os pneus apropriados, estava num ritmo incansável desde o princípio e não deixou a vitória escapar. Fez a volta mais rápida da corrida e ultrapassou Vettel na recta da meta, com uma manobra de alta qualidade.

E, a partir daqui, foi tudo dele. O desgaste dos pneus macios ainda assustou a Mercedes mas o inglês mostrou-se consistente e até aumentou a vantagem. Lewis Hamilton venceu na Catalunha e deixou Vettel insatisfeito com a estratégia da scuderia italiana. Ricciardo aproveitou os abandonos dos adversários directos e fechou o pódio.

Nota negativa para os abandonos de Verstappen, Raikkonen e Bottas. Os dois primeiros desistiram depois de um acidente, o último viu um problema no motor destruir-lhe a prova. Tinham sido somatórios interessantes a uma corrida que já foi quente. Nota agridoce para Fernando Alonso que, a correr em casa, conquistou uma aliciante sétima posição na grelha; ainda assim, não conseguiu transformar esta vantagem num lugar pontuável e terminou em 12.º. A McLaren continua a ser a única equipa que ainda não pontuou, enquanto que a Force India é a única cujos dois pilotos pontuaram em todos os GPs.

Hamilton venceu e encurtou para apenas seis pontos a distância para Vettel na classificação geral. A Ferrari falhou na gestão dos pneus e a Mercedes mostrou que se vai bater até ao fim pela conquista do Mundial. A Fórmula 1 volta no fim-de-semana de 25 a 28 de Maio, com a magia do GP do Mónaco.

Foto de capa: F1

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Mariana Fernandes

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