GP do Canadá: As saudades que a Mercedes tinha de um passeio de domingo

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Cabeçalho modalidadesO Grande Prémio do Canadá é um excelente exemplo de speed over machine. Esforça os pneus, segue o esquema recta-curva-recta-curva e obriga a uma concentração total dos pilotos. A Mercedes levou a melhor.

Lewis Hamilton aproveitou a qualificação para fazer história e igualou o número de pole-positions de Ayton Senna: 65. Para além disso, fez o melhor tempo de sempre no circuito Gilles Villeneuve – 1m11.459s. Vettel puxou dos galões e também bateu o mesmo recorde, mas não conseguiu chegar ao tempo de Hamilton. Atrás dos dois grandes candidatos ao título, ficaram Bottas e Raikkonen, com os dois Red Bull logo a seguir.

A dúvida no arranque era apenas uma: se o melhor arranque ia pertencer a Hamilton ou a Vettel. A resposta foi, também, apenas uma: a Verstappen. O jovem piloto “tirou da manga” um autêntico arranque canhão e saltou de quinto para segundo, deixando Vettel, Bottas e Raikkonen para trás. Um momento emocionante logo no arranque do GP, proporcionado pela Red Bull e por Verstappen: o holandês pôs o pé no acelerador e ultrapassou três carros por fora, sabendo que a segunda curva era para a direita e ficaria por dentro. Uma jogada de mestre de Max Verstappen.

Mas a animação da primeira volta não ficou por aqui. Carlos Sainz foi tocado na traseira por Grosjean e perdeu o controlo do Toro Rosso, iniciando um conjunto de piões que só terminou quando abalroou o Williams de Massa. Foi o fim da corrida para os dois pilotos. Um balde de água fria para Felipe Massa, que tinha conseguido um sensacional oitavo lugar na grelha.

A manobra arriscada de Verstappen fez estragos e danificou a asa dianteira de Vettel, obrigando o alemão a ir à box. Resultado: último lugar e 28 segundos de distância para Lewis Hamilton. Quase ao mesmo tempo, Raikkonen comete um erro e vai contra o muro, deixando Sergio Perez tomar a sua posição. Um início terrível para a Ferrari, que tinha grandes ambições para uma corrida que costuma causar muitos problemas à Mercedes.

Max Verstappen viu todas as aspirações que tinha para este GP irem por água abaixo na volta 11, quando o Red Bull parou inesperadamente. Boas notícias para a Mercedes, que via Bottas apoderar-se do segundo lugar e dar um passo de gigante para a dobradinha.

Max Verstappen
O inesperado abandono de Max Verstappen alterou o rumo do Grande Prémio
Fonte: Facebook Oficial de Max Verstappen

A Pirelli tinha recomendado pneus macios, super macios e ultra macios. Contudo, todas as equipas optaram por super ou ultra macios para arrancar – a hipótese de algum construtor montar macios era remota. E foi por isso que a decisão da Red Bull, na volta 19, de colocar pneus macios no monolugar de Ricciardo foi surpreendente. Mas causou tendência: Bottas seguiu o exemplo pouco depois.

Quando Bottas regressa do pit-stop, que está em segundo é…Sebastian Ocon. O piloto da Force India ainda não tinha parado e aproveitou as paragens de Bottas e Ricciardo. Ao mesmo tempo, também o colega de equipa Sergio Perez seguia num óptimo quinto lugar.

A ordem do universo fez das suas e Valtteri Bottas recuperou rapidamente a vice-liderança, assim como Ricciardo voltou a ficar no último lugar do pódio. O piloto da Mercedes descolou e deixou o Red Bull à mercê dos dois Force India.

Vettel, depois de mais uma paragem, vinha entretido com a sua escalada pelo pelotão até chegar bem pertinho de Raikkonen, que acabou por ultrapassar.

Ficou atrás do trio que lutava incessantemente por um degrau no pódio. E ainda acreditava.

Mas não basta acreditar. O alemão ainda viu os dois Force India ficarem para trás mas não já não teve tempo para chegar a Ricciardo. O australiano ficou mesmo com a terceira posição.

Nota agridoce para Alonso; o espanhol tudo fez para pontuar mas, quando rodava em lugares pontuáveis, o motor Honda partiu. Novamente atraiçoado pela mecânica, Fernando Alonso saiu do circuito pela bancada, tirando fotos, distribuindo sorrisos e oferecendo as luvas. Um verdadeiro profissional. Nota positiva para a Mercedes: dobradinha e pole-position, vitória, melhor volta e liderança desde a partida para Lewis Hamilton. Foi um passeio para o inglês. Má prestação da Ferrari, que conseguiu minimizar os estragos e beneficiar da perseverança de Sebastian Vettel. Grande menção honrosa para os dois pilotos da Force India que fizeram, muito provavelmente, a sua corrida do ano.

Grande elogio a Lance Stroll – o piloto conseguiu pontuar pela primeira vez, em casa, na sua temporada de estreia.

Azar para Verstappen, sorte para Hamilton, desafio para Vettel. O GP do Canadá teve de tudo. Lewis Hamilton ganhou e reduziu para 12 pontos a distância em relação a Vettel na classificação geral. O Fórmula 1 regressa no fim de semana de 23 a 25 de Junho, com o Grande Prémio do Azerbaijão.

Foto de Capa:  Facebook Mercedes AMG Petronas

Mariana Fernandes
Mariana Fernandes
O Desporto é o eixo sobre o qual gira o mundo da Mariana. Seja sobre futebol ou desportos motorizados, não dispensa um bom debate. Aos pontapés na bola ou sobre rodas, está sempre em cima das últimas notícias.                                                                                                                                                 A Mariana não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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