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GP Itália: Como se de uma vitória da Ferrari se tratasse

Duarte Machado · 4 min

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Cabeçalho modalidadesApós a fatídica qualificação, numa autêntica serenata à chuva e com vários períodos de tempo em que a dúvida se mantinha, em que Hamilton alcançou a Pole e tornou-se no piloto com mais Poles de sempre na história da Fórmula 1 com 69, os homens da casa não foram além do quinto e sexto posto, com Raikkonen à frente do alemão, e depois dos homens da Red Bull serem penalizados. Com Stroll, da Williams, a partir da primeira linha, este tornou-se no mais jovem piloto de sempre a partir da primeira linha, e Ocon, da Force India, a alcançar a terceira posição e a escrever história na sua equipa.

Se em Monza, no sábado, o dia e o circuito mais pareciam uma piscina, no domingo, o cenário mudou por completo. Rapidamente se confirmou que a corrida se iria realizar com tempo e piso seco. Um sábado atribulado com muitas surpresas prometia um domingo igualmente animado, mas as previsões erraram por completo. Uma corrida sem história, com poucos pontos de interesse, em que Hamilton partiu na frente e na frente chegou, os Ferrari rapidamente chegaram às terceira e quarta posições; os Red Bull, que partiam do fim da grelha, adoptando uma estratégia mais agressiva também, não tiveram grande dificuldade em chegar aos lugares da frente.

É verdade que Hamilton não se teve que preocupar com nada, partiu à frente e na frente chegou, e todos os outros pilotos atrás dele tiveram trabalho para realizar. Raikkonen, nos instantes iniciais, ainda ultrapassou Bottas e, quando se pensava que o ‘Ice Man’ ia travar para que Vettel conseguisse ultrapassar o Mercedes do finlandês, eis que Bottas ultrapassa no final da primeira volta Raikkonen, ficando à vista a olho nu que a Mercedes tem um maior andamento em recta, ainda que o desempenho puro não seja totalmente justificável. O trabalho de Bottas era chegar à segunda posição e foi feito rapidamente e de forma eficaz e natural. Vettel, quando se coloca na terceira posição, já se encontrava a quase 15s de Bottas e a 20s de Hamilton, ao fim de 17 voltas… Raikkonen teve maior dificuldade para ultrapassar o Force India de Ocon, ainda assim, e ao fim de uma série de voltas, conseguiu ultrapassar. Destaque ainda para Verstappen, que teve logo no início um furo e teve de recorrer à box, estragando mais uma corrida e Grande Prémio em branco.

Hamilton é líder do campeonato pela primeira vez este ano Fonte: F1
Hamilton é líder do campeonato pela primeira vez este ano
Fonte: F1

No espaço de uma semana entre o Gp da Bélgica e o Gp de Itália, em Monza, a FIA decidiu mudar as regras referentes à quantidade de óleo usado no combustível. Se anteriormente os monolugares só podiam usar até 1,2L por cada 100km, após este Grande Prémio, os motores só podem debitar 0,9L de óleo por cada 100km.

A FIA decidiu aprovar os motores Mercedes que foram desenvolvidos com 1,2L de óleo para as provas restantes da temporada, não havendo igualdade de circunstâncias e a luta pelo título pode muito bem ser influenciada por factores externos aos que interessam. Se a Ferrari tem conseguido gerir com Vettel a liderar o campeonato e a ser mais regular, mesmo não tendo o melhor monolugar do plantel, Hamilton e a Mercedes bem que podem agradecer à FIA esta preciosa ajuda que lhes pode valer o título mundial. Uma alteração das regras a meio do campeonato que em nada veio ajudar o belo espectáculo a que temos assistido este ano de 2017, com dois excelentes pilotos e campeões do mundo.

Ficando apenas a sete Grandes Prémios do final do campeonato do mundo, a Fórmula 1 despediu-se hoje em Monza da Europa, pois a caravana segue para o continente americano e asiático. Despediu-se em grande, os ‘Tifosi’ compareceram em massa (como sempre), neste que é o GP da Ferrari na sua catedral, e festejaram o pódio de Vettel como se de uma vitória se tratasse, demonstrando como é possível amar a scuderia mais antiga da modalidade, que é vista como uma das marcas mais famosas do mundo mesmo sem ganhar. Disto, não há igual nem parecido.

Com a vitória calma de Hamilton, o inglês é o novo líder do campeonato, pela primeira vez este ano, com apenas mais três pontos que Vettel. A luta está para durar até ao último GP, ainda que o benefício da FIA à Mercedes já tenha surtido efeito, espera-se que o equilíbrio entre Ferrari e Mercedes seja saudável e sem factores externos, pois trata-se de uma luta lendária entre dois grandes senhores.

O destaque positivo vai para Ricciardo que, ao partir do 16º lugar, realizando uma partida de trás para a frente, terminou na quarta posição, à frente de Raikkonen. O destaque negativo vai (novamente) para a McLaren, que acabou por ver os seus dois pilotos abandonarem a prova por problemas no motor.

A FIA mudou as regras do jogo, Hamilton é o novo líder e, em Monza, viveu-se um ambiente verdadeiramente de festa, como se de uma vitória da Ferrari se tratasse. Para bem desta grande luta pelo título a que temos assistido, é bom que factores ocultos ou externos sejam postos de parte, e que a luta seja pura até à última curva de Abu Dhabi.

O próximo Grande Prémio realiza-se de 15 a 17 de Setembro, em Singapura.

Foto de Capa: F1

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Duarte Machado

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