O conflito de gerações na Fórmula 1

- Advertisement -

Já existiam corridas de carros antes de 1950, mas foi apenas nesse ano que se criou a chamada Fórmula 1. Em 2020, a Fórmula 1 faz 70 anos, e, no decorrer desses 70 anos, já vimos campeões e felicidade, recordes feitos e quebrados, mortes e infortúnios.

Como o título bem indica, falar-se-á de algo que se poderia chamar de «conflito de gerações», ou de uma mudança de paradigma desta. E porquê?

Porque 2020 é também o ano em que se faz novamente História na modalidade. Lewis Hamilton acaba de se tornar no piloto com mais vitórias na História destes 70 anos, a ultrapassar a marca que não se pensaria que alguém o iria fazer, a marca de Michael Schumacher.

OS RECORDES SÃO PARA SE BATER

No GP de Eifel, Lewis Hamilton fez o trabalho de igualar este recorde de maior número de vitórias, conseguindo as 91 feitas por Michael Schumacher. Já no GP de Portugal, o piloto britânico acaba com o sofrimento e põe-se na linha da frente, aclamando, assim, as 92 vitórias (que, certamente, serão mais).

Como dito anteriormente, este é um passo muito grande para a marca mundial da modalidade. Não são todos os anos que se batem recordes, e, por isso, é crucial pensarmos nisso quando acontece.

Para que conste, este poderá não ser o único recorde que Lewis Hamilton poderá bater. O piloto britânico tem, neste momento, seis campeonatos do mundo. Se ganhar o próximo (o atual) irá, novamente, igualar Michael Schumacher, com os sete campeonatos.

Nesta perspetiva, é a partir daqui que começamos a rebobinar e, inevitavelmente deparamo-nos a fazer comparações às gerações anteriores que, por sinal, acabam por não se justificar.

GERAÇÕES NÃO PODEM SER COMPARADAS

Quando começamos então a pensar nestes recordes, as comparações acabam por chegar. Citações como «Penso que o Hamilton tem a vida mais facilitada do que os outros pilotos tinham há 30 anos» é um dos exemplos dessas comparações.

Gerações não podem, nem devem ser comparadas. A verdade é que, em 70 anos, a Fórmula 1 e o desporto motorizado em geral cresceram imenso. Não só em termos de competição, pilotos, equipas, regras, mas muito do que obrigou a Fórmula 1 a crescer foi a segurança.

Tornar o nosso desporto favorito num desporto mais seguro foi um dos leques mais importantes dos últimos anos. E, para isso, a tecnologia que foi desenvolvida nos carros e nas pistas foi importantíssimo para que se reduzisse o número de calamidades que foram existindo durante toda a sua existência.

E, assim sendo, como uma espécie de consequência, a tecnologia ajudou também a que os carros fossem melhores a nível de performance nas corridas. Mas isso, nem é preciso lembrar, pois, quando vemos um recorde de pista a ser quebrado, conseguimos notoriamente perceber esse tipo de melhoria.

Por estes argumentos e por outros que, novamente repito, as gerações não podem ser comparadas. Sem falar no facto de que, há 30/40 anos, por exemplo, não havia a oportunidade nem as condições necessárias à realização de tantas corridas por temporada.

Já a altura em que Michael Schumacher corria era fantástica. No início dos anos 90, com a morte de Ayrton Senna, muitas mudanças se fizeram para que tal fatalidade não voltasse a acontecer. E por muitos anos, não voltou. E o piloto alemão conseguiu quebrar um recorde de 51 vitórias de Alain Prost, para 91 vitórias. Note-se, uma diferença tremenda de 40 vitórias a mais.

Vivemos na era da tecnologia, que está a ser assolada pela hegemonia da Mercedes, mas não é apenas isso. É também saber valorizar o trabalho de um piloto, pois estes, por muito que a segurança tenha melhorado imenso nos últimos tempos, eles arriscam a vida no que fazem, e, sem dúvida, Lewis Hamilton tem mérito próprio nestes recordes que quebra e que irá quebrar.

Por fim, acabo com o que Michael Schumacher disse quando conquistou os seus recordes «não pensei em estatísticas quando corria. São apenas uma boa consequência daquilo que faço, e sentia-me um pouco culpado quando os quebrava [recordes], mas para mim não era quebrar. Era deixar a minha própria marca».

Foto de Capa: Mercedes AMG-F1

Angelina Barreiro
Angelina Barreirohttp://www.bolanarede.pt
Natural de Monção, a Angelina é Licenciada em Relações Internacionais e, Mestre em Economia Social pela Universidade do Minho. Vê o desporto como um dos bons lados da vida, que forma uma boa parceria com a escrita e o jornalismo. O seu interesse pelo desporto surgiu cedo, tendo como principal área de interesse o Futebol, o Ténis e a Fórmula 1.

Subscreve!

Artigos Populares

Pedro Neto avalia exigência no Chelsea e aponta a mais troféus: «É uma boa pressão»

Pedro Neto concedeu uma entrevista aos meios oficiais do Chelsea, onde abordou o seu atual momento de forma. O internacional português destacou a boa pressão de atuar pelos londrinos e assumiu o objetivo claro de conquistar a Taça de Inglaterra e a Liga dos Campeões.

Tondela vai pedir reunião de emergência ao Conselho de Arbitragem da FPF

O Tondela vai solicitar uma reunião de emergência ao Conselho de Arbitragem da FPF. Solicitações depois do empate contra o Santa Clara.

Braga perde central para o jogo contra o Sporting e baixa vai prolongar-se até 2 meses

Adrian Barisic está lesionado. Central e reforço de inverno do Braga a contas com uma lesão num adutor é baixa confirmada para o Sporting.

Bolas paradas decidem o Dérbi de Londres: Arsenal bate o Chelsea e reforça liderança da Premier League

Na 28.ª jornada da Premier League, o Arsenal venceu o Chelsea por 2-1 num jogo com três golos marcados na sequência de bolas paradas.

PUB

Mais Artigos Populares

Chelsea avança com 70 milhões de euros por jogador em baixo de forma no Real Madrid

O Chelsea está de olho no mercado e está atento à situação de Rodrygo. Blues preparam proposta para contratar extremo do Real Madrid.

Tondela e Santa Clara empatam e luta pela manutenção na Primeira Liga continua embrulhada

O Tondela continua a recuperação e venceu o Santa Clara num jogo entre equipas à procura de pontos. Vitória muda contas da descida de divisão.

Lorenzo Lucca foi alvo do Benfica, acabou no Nottingham Forest e equipa de Vítor Pereira já tem ideia quanto ao futuro do avançado

O Nottingham Forest não está satisfeito com o rendimento de Lorenzo Lucca. Neste momento, ingleses não planeiam acionar opção de compra.