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A ANTEVISÃO: “YAMAHAGATE”

Depois de ter feito a pole position no Grande Prémio da Estíria, Pol Espargaró volta a colocar a KTM RC16 no frente do pelotão do MotoGP. Desta feita no Grande Prémio da Europa, no circuito Ricardo Tormo em Valência, Espanha.


Antes de olharmos para a ação em pista, vamos ao escândalo do ano. 2020 é um ano atípico em todos os aspetos e no MotoGP isso não é diferente. No início do ano, no Grande Prémio de Espanha, no circuito de Jerez de la Frontera, Marc Márquez caiu e ficou de fora do campeonato, ao agravar a lesão dessa queda ao tentar regressar para o Grande Prémio de Andaluzia.

O segundo golpe deste ano vem a duas rondas do final. A Yamaha no início do ano encontrou problemas com as válvulas dos motores da M1. Com isto, existiu uma redução de motores por temporada, para cinco. O construtor japonês, a começar a temporada com dois motores por piloto, foi logo obrigado a “dar” mais um a Maverick Vinales, depois do espanhol rebentar o seu no TL3.

Utilizando válvulas de um fabricante diferente, que apesar de terem o mesmo tamanho, design, peso e tratamento final, parece que a percentagem de titânio usada na construção é diferente daquele que foi mostrado à Dorna no início do ano, como referência de controlo.

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Mas, ao que parece, foi esta diferença que fez com que Vinales e Valentino Rossi perdessem mais um motor, com a Yamaha a voltar para o fabricante original. Até aqui nada de mais, com a Yamaha a seguir os procedimentos, com a consultada do diretor técnico do MotoGP. A questão começa agora.

Um motor no MotoGP percorre cerca de 1000km. Com os primeiros motores da Yamaha a durarem uns míseros 250km, como é que os substitutos duraram quase dez vezes mais? Foi aqui que a FIM questionou a Yamaha e pediu que as válvulas fossem analisadas por uma terceira parte, o laboratório de metalurgia da Universidade de Padova, e aqui foi descoberta a diferença acima referida.

É difícil argumentar que a Yamaha não estava ciente de que poderia haver uma diferença, dado que a equipa a certa altura solicitou à Associação de Fabricantes de Desportos Motorizados (MSMA) autorização para substituir as válvulas, algo que teria sido concedido, apesar de oposição de algumas equipas, mas a equipa acabou por retirar esse pedido.

Por fim, o precedente desta situação não é o melhor. A Yamaha e as equipas foram penalizadas, mas os seus pilotos (Vinales, Fabio Quartararo lutam pelo campeonato) não. Não receberam penalização por terem vencido a corrida com peças no motor ilegais. Apenas receberam uma punição por não seguirem o protocolo e informarem os outros fabricantes sobre a troca. Sabendo que as regras do MotoGP por vezes são antiquadas, a Yamaha também escapou à violação dos regulamentos, ao utilizar um motor não-homologado.

Com o “YamahaGate” apresentado, vamos às contas em Valência até agora. Com uma pista a secar, Pol Esparagaró conquistou a sua segunda pole position da carreira no MotoGP, num circuito, onde em 2018, em condições adversas (nomeadamente chuva) o piloto espanhol conseguiu o primeiro pódio da KTM no MotoGP. Sem pressão, Espargaró explicou que entramos «sem nada a perder, pois não estamos a lutar por nada. É uma pena, mas é a realidade. Hoje foi difícil e as condições eram propícias a quedas».
Sem possibilidade de prever o tempo para amanhã, a chuva certamente pode ajudar Pol a conquistar a sua primeira vitória, depois de três pódios em 2020.


Na segunda posição temos Alex Rins, na Suzuki, algo que já esperava há mais tempo. A moto japonesa é umas das mais “redondas”, não tendo um forte assim tão especifico, mas sendo muito boa em quase tudo. Em 2020, só faltava mesmo aos pilotos melhorarem na qualificação e Alex Rins mostrou que o final da temporada trouxe isso. Tendo estado no pódio das duas últimas corridas, Alex Rins igualou a sua melhor qualificação, conquistada em 2018 também em Valência 2018, numa corrida que o viu terminar em segundo lugar.

A fechar a primeira linha da grelha de partida ficou Takaaki Nakagami. É a segunda vez que o piloto japonês parte da frente. Na semana passada caiu a liderar. Esperamos que tenha aprendido com o erro e que esteja “mais solto”. Pelo menos não está preocupado com a meteorologia e apesar de ninguém ter experimentado rodar no seco, Nakagami afirma que «estamos na direção correta, tanto no molhado, como no intermédio ou no seco. Estamos bem e estou muito contente com isso».

Miguel Oliveira e Brad Binder juntam-se a Pol nos dez primeiros, algo que acontece pela primeira vez numa qualificação do MotoGP para a KTM. O português vai sair da terceira linha da grelha, na oitava posição.


Nesta antevisão já falamos do que aconteceu à Yamaha fora de pista. Dentro dela, as coisas não melhoraram nem um pouco. Desde o Grande Prémio de França que já nos apercebemos que a M1 não se dá muito bem na chuva. Neste fim de semana, com as penalizações (excedeu a alocação de motores da temporada, colocando o sexto), Vinales sai do pitlane.

O espanhol já nem acredita na luta pelo campeonato, afirmando que «ontem estávamos a discutir se nos arriscaríamos a ir com o quinto motor, fazendo apenas algumas voltas nos treinos livres. Mas para mim é muito arriscado. Se fosses o primeiro, com 20 pontos, podias fazê-lo. A questão é que não temos a afinação ideal, a moto não está a funcionar e depois temos de enfrentar a corrida com um motor velho. É verdade que tenho de começar da boxe, mas não posso fazer nada. O título ficou muito mais difícil, mas tudo pode acontecer».

Já Fabio Quartararo ficou pela primeira vez fora dos dez primeiros, ficou-se pelo 11º lugar e reiterou no final do dia que «estamos perdidos no molhado. Tentámos entender o porquê de sermos tão lentos. As nossas primeiras três voltas são boas, mas depois os outros pilotos conseguem dar o salto até ao fim, e nós não conseguimos mais. Vimos isso na qualificação. Fiz a minha melhor volta na terceira tentativa, enquanto todos conseguiram melhorar depois. Não percebo, mas amanhã espero que haja bom tempo, para lutarmos pelo que queremos».

Foto De Capa: KTM Factory Racing

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