Há umas semanas, falei-vos aqui do abandono de Jorge Lorenzo e de como a motivação, ou a falta dela, pode destruir a carreira de um piloto. Isso claro, aliado a uma mota que não corresponde às metas traçadas.

Hoje, falo-vos de Casey Stoner: a lenda da Ducati que decidiu parar de competir aos 26 anos quando tinha um futuro tão promissor aos comandos da Ducati. Aliás, desde a sua retirada, mais nenhum piloto conseguiu alcançar um título mundial com a marca italiana. Arrisco-me a dizer que só Casey Stoner tinha mãos para conduzir a Ducati.

O piloto australiano confessou, recentemente, numa entrevista ao podcast “Rusty’s Garage”, que sofre de síndrome de fatiga crónica – uma doença que o impede de praticar qualquer atividade física, quer seja o motociclismo ou tiro ao arco. “Não ando de kart há mais de um ano. Já não tenho energia para o fazer. Não tenho energia para pilotar, e se quiser fazê-lo, depois tenho de passar uma semana inteira no sofá”.

Casey Stoner anunciou a sua retirada no final da temporada de 2012 e, na altura, indicou motivos semelhantes aos de Jorge Lorenzo: as corridas já não eram tão desafiantes, já não sentia alegria ao pilotar a Ducati ou outra moto qualquer, bem como o cansaço com as políticas do mundial de motociclismo. E diga-se: Stoner não era o mais amado dos adeptos das duas rodas, tal como Lorenzo.

A última vez que Stoner pilotou foi em janeiro de 2018 nos testes da Ducati, em Sepang
Fonte: MotoGP
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Com as mais recentes declarações do piloto australiano percebemos que os motivos da sua retirada poderão não ter sido aqueles que anunciou ao mundo em 2012. Stoner, um campeão do mundo, foi derrotado pela sua saúde. E percebeu isso antes das quedas começarem a ser mais do que as vitórias, o que levou à decisão algo surpreendente para quem tinha uma postura tão arrogante e tão fria.

O piloto australiano chegou à categoria rainha em 2006 pelas mãos da Honda, depois de ter sido campeão na antiga categoria de 250cc. Um ano depois, em 2007, trocou a marca japonesa pela Ducati e sagrou-se campeão do mundo com mais de 100 pontos de avanço para Dani Pedrosa.

Nos três anos seguintes, perdeu os títulos mundiais para Jorge Lorenzo e Valentino Rossi, mas um ano antes de anunciar a sua retirada, Casey Stoner subiu ao lugar mais alto do mundial de motociclismo e voltou a sagrar-se campeão do mundo.

Casey Stoner correu ao lado de Dani Pedrosa – que também já abandonou o mundial de motociclismo
Fonte: MotoGP

Apesar da carreira curta na categoria rainha do mundial de motociclismo, Casey Stoner deixou um legado que mais nenhum piloto conseguiu quebrar até agora: o de ser campeão do mundo aos comandos da Ducati.

E isso torna-o num dos melhores pilotos de sempre e merece também ser considerado uma lenda.

Foto de Capa: MotoGP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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