2020 está a ser um ano atípico e, vários meses depois, as duas rodas voltaram ao asfalto para uma nova época que será, sem sombra de dúvidas, diferente de todas as outras. Pela diminuição do número de provas, pela exigência ou pela força mental, que pode ser determinante na luta pelo título.

Jerez de la Frontera, Espanha, acolheu o primeiro grande prémio da temporada, que acabou por ser ele também atípico. Imaginam não ver Marc Márquez no pódio? Pois bem. Aconteceu hoje, em Jerez e a sua temporada pode estar em risco. A forma física também será decisiva na luta pelo título e uma lesão logo no início desta curta temporada não nos traz boas memórias nem presságios. O espanhol será operado esta terça-feira e vai faltar o próximo grande prémio já na próxima semana.

“Que te recuperes pronto, campeón.”

É certo que a queda de Márquez marcou este domingo, mas não pode ofuscar a exibição de Fabio Quartararo, que esteve imperial. O espanhol da Honda voltou a brilhar com uma “save” bem ao seu estilo na curva 4, mas acabou na gravilha acabando por perder várias posições e relegado para 16º lugar que rapidamente recuperou e acabámos a ver Márquez em terceiro lugar ao fim de poucas voltas… Até voltar à gravilha, mas desta feita a voar, depois de ter perdido novamente a tração da sua Honda.

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Devo dizer que a falta de tração foi um dos maiores problemas deste grande prémio, e poderá ser nos próximos, já que as provas estão a ser disputadas em pleno verão e o composto dos pneus ter mudado para esta temporada.

Depois de travar uma intensa luta com Bagnaia e Morbidelli, o francês puxou dos galões e, quando demos por isso, já levava mais de quatro segundos de avanço sobre o segundo classificado, Maverick Viñales que nas primeiras voltas até parecia ter uma palavra a dizer na luta pela vitória. Também é certo que se o Marc Márquez não tivesse perdido a traseira da sua moto, poderíamos estar a falar de um desfecho algo diferente no que à vitória diz respeito.

Mas a verdade é que esta esta primeira vitória de Quartararo na classe rainha chega com um ano de atraso, e devemos ficar de olho no francês.

Não foi, de todo, a prova mais emocionante. Foi das mais aborrecidas, salvo alguns momentos de magia de Márquez, Dovizioso ou Morbidelli.

Miguel Oliveira chega a 2020 com a moral em alta depois de ter sido apresentado como reforço e substituito de Pol Espargaró na KTM Oficial. E hoje, já nos mostrou um bocadinho daquilo que pode e será esta temporada: sempre ali no top 10. O falcão de Almada alcançou hoje a oitava posição, tendo partido da 15ª posição na grelha de partida e de ter andado ali às ultrapassagens com Valentino Rossi – já falaremos do italiano uns parágrafos mais à frente.

Foto de Capa: MotoGP