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O Mundial de Motociclismo terminou, ontem, em Valência. Depois da atribulada corrida em Sepang, este era um fim-de-semana que prometia ser quente e polémico… Guerras à parte, vamos focar-nos no que se passou na pista, porque contra factos não há argumentos.

Jorge Lorenzo e Valentino Rossi chegaram a Valência com sete pontos de diferença, e qualquer um podia ser campeão do mundo. Bom, talvez não estivessem em pé de igualdade porque o italiano já tinha posição de saída na grelha de partida. E tudo se deveu ao famoso “Chega para lá” a Marquez, no Circuito Malaio. Do outro lado, Lorenzo fez o que lhe competia e arrancou a pole position com o melhor record do circuito de Valência.

A corrida prometia ser dura… E os olhos estavam postos, não no duelo Rossi x Lorenzo, mas sim no que iria fazer Marc Marquez já que este tinha sido acusado por Valentino Rossi de, nas últimas corridas, estar a ajudar o seu compatriota. Uma guerra que em nada beneficia o motociclismo e que continuou mesmo depois de terminada a época.

A partir do último lugar da grelha, Valentino Rossi remontou com ultrapassagens que provocavam uma onda de emoção nas bancadas do circuito Ricardo Tormo, ainda que algumas tenham sido consentidas por parte de outros pilotos, numa clara tentativa de ajudar Il Doctore, que terminou a corrida no quarto lugar. Uma classificação insuficiente para o italiano se sagrar campeão pela décima vez.

Na frente, Jorge Lorenzo liderou durante toda a corrida, seguido de Mar Marquez e Dani Pedrosa, que se assumiram – ainda que sem admitir – como batedores na retaguarda do actual campeão do Mundo.

O campeão que rezou durante toda a corrida Fonte: Facebook Oficial de Jorge Lorenzo
O campeão que rezou durante toda a corrida
Fonte: Facebook Oficial de Jorge Lorenzo

Em Valência, o espanhol não acusou pressão e conseguiu levar a melhor, ao somar o quinto título no Mundial de Motociclismo, e o terceiro na categoria rainha, mostrando a consistência que teve ao longo da temporada, e os números não mentem: sete vitórias, e liderou 80% das voltas esta época. Já Valentino Rossi preferiu voltar ao ataque, criticar Marc Marquez e a sua suposta estratégia de ajudar Lorenzo, e, pela primeira vez, o italiano não compareceu na gala de entrega dos prémios FIM.

A guerra do asfalto passou para as bancadas e o que se ouviu durante a cerimónia do pódio não foi, de todo, bonito. As palmas foram trocadas pelos assobios, e até Lorenzo se recusou a abrir o champanhe. Algo que não representa em nada aquilo que deve ser o espectáculo das duas rodas. E não me interpretem mal… Não estou do lado de nenhum dos pilotos. Só não quero ver o Mundial transformado num autêntico lavar de roupa suja.

O aspirante a dentista e que se tornou vice-campeão do mundo de Moto3 Fonte: Facebook Oficial de Miguel Oliveira
O aspirante a dentista que se tornou vice-campeão do mundo de Moto3
Fonte: Facebook Oficial de Miguel Oliveira

Para além de se ter disputado o título da classe rainha, também em Moto3 ainda não havia campeão à chegada ao circuito Ricardo Tormo. O português Miguel Oliveira lutava com o inglês Danny Kent e precisava de que este terminasse a corrida em 15º para que pudesse sagrar-se campeão. Oliveira cumpriu e ganhou, mas foi insuficiente para o título mundial. Ainda assim merece todos os elogios, já que em Agosto tinha 110 pontos e acabou a corrida de Valência com uma diferença de seis pontos. A carreira do português continua na próxima época na categoria de Moto2, e com muitos sonhos para cumprir.

Foto de Capa: MotoGP

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