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O Mundial de Motociclismo deslocou-se até à Comunidade Valenciana para o último grande prémio da temporada, onde a festa estava já garantida. Foram 197.000 adeptos das duas rodas a marcarem presença, no total dos três dias de prova. Um número exorbitante para os portugueses, mas que em Espanha é mais do que habitual. E num fim-de-semana em que a chuva poderia ser uma presença constante. Imaginem se o sol tivesse aparecido.

Das três classes existentes na competição- moto3, moto2 e MotoGP- só a classe mais baixa ainda não tinha campeão do Mundo. Algo que teria, obrigatoriamente, de mudar. E mudou. Tanto Jack Miller como Alex Marquez tinham a festa preparada. Mas foi o espanhol que levou a melhor.

Num ano em que o campeonato esteve ao rubro em todas as classes, eram muitos os assuntos que se poderiam abordar nesta retrospectiva do mundial. Mas a festa das duas rodas terminou com a festa dos dois irmãos que conquistaram os títulos das respectivas categorias: Marc Marquez em MotoGP, Alex Marquez em Moto3.

Falar do apelido «Marquez» é falar de campeões. Contam já com cinco títulos e o ano de 2014 foi de ouro para os dois irmãos que têm uma paixão comum: as duas rodas.

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Os dois irmãos têm uma paixão comum: as duas rodas
Fonte: instagram.com

Na classe rainha, o miúdo que corre como se de um veterano se tratasse (ainda que os mais críticos do piloto espanhol possam alegar falta de responsabilidade na sua pilotagem agressiva) sagrou-se campeão no grande prémio do Japão.

Em Moto3, Alex Marquez foi a aposta da Honda e da KTM para atacar o Mundial. Jack Miller foi o seu adversário mais directo ao longo dos meses e quase iniciou uma campanha «Anti irmãos Marquez». O australiano chegou a criticar o estilo agressivo de pilotagem de Alex, que tal como o irmão Marc não tem medo de arriscar e leva cada corrida até ao limite.

No final, na última corrida, Miller subiu ao mais alto do pódio mas o segundo lugar levou Alex Marquez a conquistar o Mundial de Moto3. O golpe final estava dado e foi visível o sentimento de frustração na cara de Miller.

Mas sejamos sinceros nesta análise… Para ser campeão do Mundo em qualquer categoria do Mundial é preciso algo mais do que talento, coisa que aos irmãos Marquez não falta. É preciso uma estrutura sólida, uma capacidade fora do normal para lidar com a pressão de cada grande prémio, e uma moto que esteja desenvolvida o suficiente para se destacar da concorrência. E todos estes pré-requisitos estão no seio da família Marquez.

É normal que os irmãos sejam acusados de demasiada agressividade, mas são ambos jovens e não querem saber dos limites. E isso é visível nos títulos conquistados este ano.

Marc «arrumou» com a concorrência na primeira metade do campeonato e soube gerir de forma inteligente – ainda que tenha cometido alguns erros que lhe custaram a vitória – a vantagem que tinha. Não satisfeito com o alcançado, foi quebrando recordes atrás de recordes. Parecia que não havia impossíveis para o espanhol.

Já o seu irmão Alex, a competir na classe mais baixa do Mundial onde a exigência é igualmente elevada, só conseguiu alcançar o título na última corrida. Um autêntico teste à capacidade de concentração do espanhol que não vacilou e venceu.

Encontrados os campeões, é tempo de pensar já na próxima temporada que conta com o regresso da Suzuki e da Aprilia à grelha de partida da classe rainha. Os primeiros testes da pré-temporada de 2015 já começaram; contudo, é demasiado cedo para fazer previsões. Só os testes de Inverno nos darão dados que permitem fazer alguma futurologia sobre como será a temporada de 2015.

As duas rodas vão para a garagem, mas prometem voltar. E nós também!

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