Ser açoriano ainda é um problema para os continentais

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cab desportos motorizados

Quem leu o meu artigo de antevisão pode comprovar que disse que José Pedro Fontes era o principal candidato à vitória, mas existem coisas que não mudam e Ricardo Moura ser o piloto mais rápido e consistente do Nacional de Ralis é uma delas. Como diria Mourinho, em condições normais Ricardo Moura é campeão, em condições anormais Moura é um dos candidatos.

O ano passado foi um destes anos anormais, e as várias desistências, com especial destaque para a do Vinho Madeira – devido a ter levado ao fim prematuro da temporada a nível nacional -, fizeram de 2014 uma temporada muito difícil para o açoriano no campeonato nacional, já que no regional açoriano as dificuldades não apareceram.

No passado fim de semana, o açoriano foi o vencedor do Serras de Fafe estando sempre na liderança da prova e controlando-a como queria. Miguel Campos e João Barros tiveram, igualmente, um ritmo muito forte, mas não suficiente para bater Ricardo Moura.

Como todos os interessados já estão fartos de ouvir do Serras de Fafe, vou agora falar do tema do título deste artigo. Depois da vitória, as redes sociais e os comentários nos sites da especialidade voltaram a encher-se de ataques a Moura, por mil e um motivos, de quem – na sua maioria – não consegue ver um açoriano ser melhor que os continentais; isto vê-se nas mais variadas coisas. Vir das ilhas ainda significa ser inferior para muitos dos continentais.

Ricardo Moura Fonte: Facebook de Ricardo Moura
Ricardo Moura
Fonte: Facebook de Ricardo Moura

A crítica mais usada é a de que o açoriano apenas ganha porque tem apoios públicos do Governos dos Açores; apoio este, dado ao campeão açoriano, no valor de 64 mil euros e em troca de patrocínio no carro da marca Açores. Não deixam de ser curiosas estas críticas todas dos continentais pelo dinheiro público ser gasto desta forma, quando em 2010 todos atacavam o Governo central por não dar 2 milhões de euros à Virgin para que Álvaro Parente fosse piloto de testes desta equipa inglesa. Mas não foi só para este piloto que muitos portugueses “choraram” por não haver apoios públicos, quer nos desportos motorizados, quer noutras modalidades. Talvez para estes ser do continente já seja merecedor de apoios públicos.

Outra das coisas mais apontadas a Ricardo Moura é a de ele ser profissional de ralis, o que não é verdade. Isto, contudo, já entra na vida privada do piloto, pelo que não vou aprofundar o assunto, dizendo apenas que o atleta está ligado à construção civil. Apesar disto, Moura é talvez o mais profissional a preparar tudo aquilo de que precisa para uma prova, o que faz muita diferença na estrada, como se pode ver.

Para finalizar, quero apenas relembrar mais uma das muitas “postas de pescada que atiram”. Segundo muitos, o açoriano só ganha porque não tem adversários à altura e porque o seu carro é de topo – pelos vistos, mais seis R5 e três S2000 não foram suficientes para o derrotar. Já para não falar de que, em 2013, Bernardo Sousa – para mim, o mais rápido piloto português, e curiosamente também de uma ilha (Madeira) – também perdeu o campeonato para o Moura. Com certeza que nesse ano o madeirense perdeu todo o seu valor, recuperando-o em 2014.

Foto de capa: Facebook de Ricardo Moura

Rodrigo Fernandes
Rodrigo Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
O Rodrigo adora desporto desde que se lembra de ser gente. Do Futebol às modalidades ditas amadoras são poucos os desportos de que não gosta. Ele escreve principalmente sobre modalidades, por considerar que merecem ter mais voz. Os Jogos Olímpicos, por ele, eram todos os anos.                                                                                                                                                 O Rodrigo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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