Valência E-Prix 1: Era só um bocadinho mais de bateria…

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A CORRIDA: JÁ OUVIRAM FALAR DE “ANSIEDADE DE AUTONOMIA”?

Nyck de Vries (Mercedes) é o vencedor de um dos E-Prix mais controversos que há memória. O piloto holandês foi seguido no pódio por Nico Muller (Dragon Penske) e Stoffel Vandoorne (Mercedes), que começaram a corrida em 22º e 24º respetivamente.

A polémica vem em particular do facto que estes homens foram quase os únicos a ter bateria suficiente para terminar a corrida no Circuito Ricardo Tormo em Valência, Espanha. Ainda estão para ser apuradas as causas que levaram a este final de corrida, no entanto, as primeiras análises indicam que se deve à quantidade de energia retirada após períodos de Safety Car.

Na Fórmula E, após um período de Safety Car, é retirada uma percentagem de energia aos carros, visto que estes consumiram menos durante as voltas mais lentas. Esse valor é calculado em relação ao número de voltas que se fez nessas condições, de modo a que mesmo poupando muita energia atrás do Safety Car, os pilotos tenham de manter uma gestão da mesma na fase final da equipa.

O problema que aparentemente assolou quase todas as equipas em Valência, excepto a Mercedes, foi que o nível de energia retirado após os cinco períodos atrás do Safety Car, foi em demasia, o que fez com que nas últimas duas voltas, a maioria da grelha se visse obrigada a abrandar ou deixar o carro ficar sem bateria (o que resulta em desqualificação).

O que deu origem a uma lenta procissão de carros com valores de energia já muito baixos, a ser ultrapassados facilmente pelos poucos que ainda tinham bateria. Nyck de Vries conseguiu ultrapassar facilmente António Félix da Costa para a vitória, e Muller e Vandoorne foram de fora dos pontos para o pódio, tudo na última volta.

Até este controverso final, tivemos a causa do mesmo, os cinco períodos de Safety Car causados por carros presos na gravilha, após perdas de controlo ou choques debaixo da chuva que caía no circuito. António Félix da Costa herdou a pole position de Vandoorne (que foi atirado para 24.º) e controlou facilmente a corrida sempre que pôde, apenas ameaçado pelo rápido De Vries durante os recomeços.

Na fase inicial a principal luta era pelo segundo lugar, guardado por Max Gunther (BMW), com Alex Lynn (Mahindra) e De Vries ao ataque. No entanto, o carro azul e branco da BMW não parecia capaz de conter o ritmo do holandês da Mercedes, que rápido se passou a preocupar com António Félix da Costa, e perdeu também para os Mahindra de Lynn e Alexander Sims, que se apresentavam muito rápidos e com pelo menos um lugar do pódio praticamente reservado, até ao final que se viu.

Uma das figuras negativas da prova (que só perde para a Desilusão do Dia), foi André Lotterer (Porsche). Considerado um dos favoritos a um possível campeonato, sendo agora líder de uma das mais lendárias equipas de desporto motorizado do mundo, o piloto alemão voltou a ter um choque completamente desnecessário na primeira volta de corrida, e outro mais no final, que lhe valeram uma penalização e a desistência respetivamente.

Após as duas últimas voltas, ficou difícil de compreender em que posição ficou cada um dos pilotos, com alguns dos que seguiam no top 10 a ficar pelo caminho, e os que passaram a bandeira axadrezada já sem bateria a ser desqualificados. No entanto, a quarta posição ficou para Nick Cassidy (Virgin), um dos poucos que tinha bateria suficiente no final e ainda pareceu que chegaria ao pódio, em quinto lugar vemos René Rast (Audi), seguido de Robin Frinjs (Virgin) em sexto e com a volta mais rápida.

António Félix da Costa, que liderou quase toda a corrida em sétimo lugar, após uma volta final a passo de caracol para poupar o máximo de energia possível. O top 10 é fechado pelo Mahindra de Lynn em oitavo, que merecia muito mais após a boa corrida da equipa indiana, Sam Bird (Jaguar) não teve uma das suas tradicionais remontadas, e termina em nono lugar, ficando Lucas di Grassi a fechar os pontos pela Audi.

No campeonato, os homens da Mercedes lideram ambos campeonatos, com Nyck de Vries na frente do campeonato de pilotos com 57 pontos, e Vandoorne em segundo com 48, para Sam Bird fechar o pódio. Nos construtores, a Mercedes lidera a Jaguar em segundo e a Virgin em terceiro.

Foto de Capa: Fórmula E

Luís Manuel Barros
Luís Manuel Barros
O Luís tem 21 anos e é de Marco de Canavezes, tem em si uma paixão por automobilismo desde muito novo quando via o Schumacher num carro vermelho a dominar todas as pistas por esse mundo fora. Esse amor pelas 4 rodas é partilhado com o gosto por Wrestling que voltou a acompanhar religiosamente desde 2016.                                                                                                                                                 O Luís escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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