Cabeçalho modalidadesBoston, 20 de Janeiro. UFC 220 é sem dúvida alguma o primeiro grande evento de 2018. Em jogo estarão mais do que dois títulos, arrisco-me a dizer que estará também em jogo o futuro das divisões Heavyweight e Light Heavyweight, ainda que por razões diferentes.

Vejamos:

Daniel Cormier (DC): Sim, aquele que Jon Jones tem o dom de fazer chorar – está com 38 anos de idade. O campeão em título da divisão de Light Heavyweight já deixou em aberto a possibilidade de se retirar este ano, podendo Volkan ser o seu último adversário da carreira. Volkan Oezdemir, tem sangue novo e deverá abraçar a nobre e inprovável missão de agitar as águas nesta divisão. O suíço tem apenas três combates na UFC, estando o seu currículo marcado por uma vitória sobre Ovince St. Preux.

Com a suspensão de Jones, a lesão de Gustafsson e com um Antony Johnson longe de cativar (Cormier derrotou-o por duas vezes), Cormier não vê muita concorrência nos seus últimos momentos enquanto atleta profissional de MMA. O wrestler trintão de São José tem a sua carreira pós UFC já bem delineada. Além de ser comentador da empresa promotora de combates, DC está também envolvido num podcast Talk & Talker e tem também investimentos na área da restauração. É o próprio Cormier quem reconhece que estes projetos acabam por lhe retirar algum tempo e foco para o trabalho árduo no octógono. Oezdemir deverá querer fechar o capítulo DC com uma vitória, abalando a divisão e abrindo caminho ao surgimento de novas figuras. O favoritismo está todo do lado de Cormier, e ambos deverão sabê-lo.

Ngannou, superpoder, super-confiante

Fonte: UFC.com
Fonte: UFC.com

Apesar da notoriedade de DC, as atenções estarão sobretudo depositadas no combate entre Stipe Miocic e Francis Ngannou. Apesar de ser o campeão em título, Miocic parte como underdog. Este cenário é consequência das vitórias contundentes de Ngannou, particularmente a vitória sobre Overeem. Há quem não tenha dúvidas de que Stipe não terá forma de contrariar o tremendo poder do camaronês. Em termos estratégicos, Miocic deverá socorrer-se do seu sólido percurso enquanto wrestler para trazer o combate para o chão. Os combates de Ngannou não permitiram aferir as suas competências neste capítulo, pelo que o atual campeão da divisão de Heavyweight deverá querer explorar as eventuais falhas do candidato ao título, evitando assim uma troca de golpes que se antevê pouco promissora para Stipe, em virtude da enorme potência de golpes do camaronês (basta recordar o que aconteceu a Alistar Overeem)

Boston, 20 de Janeiro poderá marcar um ponto de viragem nas divisões de maior peso (literalmente) da UFC. Ngannou será mesmo aquela força da natureza indomável? E Cormier só vacila perante Jones?

Cá estarei para analisar estes dois combates, bem como as possíveis consequências dos seus desfechos.

 

Foto de Capa: Monster Energy

 

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