Tour de Ski: O regresso de Cologna e o bi de Weng

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Cabeçalho modalidadesO Tour de ski é uma prova de cross-country por etapas criado em 2006 e inspirado no Tour de France. A edição desta época contava com três etapas na Suíça, duas na Alemanha e duas em Itália. À partida, o russo Sergey Ustiugov era o grande favorito no lado masculino, depois de vencer de forma autoritária em 2017, liderando desde o primeiro dia e vencendo cinco das sete etapas disputadas. Já do lado feminino, também a vencedora do ano anterior, Heidi Weng, era a maior candidata. Com a jovem Stina Nilsson, terceira em 2017 e dominadora das primeiras provas da Taça do Mundo de cross country desta época, a não participar por estar focada apenas na preparação para as Olímpiadas, cabia a Parmakoski, Ostberg e Diggins dar luta a Weng.

A primeira etapa consistiu de um sprint de 1,5 Km e viu Laurien van der Graaff vencer nas senhoras, com a Diggins a ser quinta e ganhar alguns segundos às adversárias. Já nos homens, Ustiugov parecia lançado para mais uma prova dominadora e voltou a vencer logo no primeiro dia como havia feito no ano transato e com esquiadores com possibilidades de estar na luta pela Geral como Cologna, Sundby e Magnificat a perder já por volta de um minuto.

A segunda tirada trazia o primeiro grande teste com uma prova individual em estilo clássico de 15 e 10 Km, respetivamente, para homens e mulheres. Foi a vez do veterano suíço Dario Cologna, triplo vencedor da prova em 2009, 2011 e 2012, marcar uma posição e aproveitar o dia menos bom de Ustiugov, que não foi atém de décimo na etapa, para se colocar a apenas 1,6 segundos da liderança. No sexo oposto, as norueguesas Ostberg e Weng fizeram primeira e segunda e tomaram de assalto os mesmos lugares da geral, deixando Diggins como terceira.

A última jornada na Suíça reservava uma prova de perseguição em estilo livre com as mesmas distâncias do dia anterior. Partindo praticamente ao mesmo tempo, Ustiugov e Cologna ainda esquiaram algum tempo em conjunto, mas o suíço desferiu o seu ataque na segunda das quatro voltas ao circuito e chegou à liderança, com o russo a minimizar perdas e a ficar a 22 segundos na Classificação Geral, com quase todos os restantes perseguidores já na casa do minuto de distância, salvo Bolshunov a 55 segundos. Por outro lado, Weng recuperou na neve alguns segundos para Ostberg, mas perdeu-os nas bonificações. Se entre as três primeiras não houve grandes alterações, Parmakoski foi a maior beneficiada do dia, saltando de oitava para quarta.

De seguida, os esquiadores viajaram para a Alemanha, preparados para dois dias de competição em Oberstdorf, mas tiveram direito a apenas um, já que a quarta etapa, de sprint, foi cancelada devido às condições climatéricas extremas. No dia seguinte, um evento de partida em massa, também de 15 e 10 Km, acabou ao sprint e com quedas. Ustiugov caiu três vezes durante a etapa, a última delas na reta da meta e não só perdeu bastante tempo com se lesionou. A vitória do dia foi para Iversen, com Cologna a aumentar a sua liderança ao ser quarto e com Sundby e Harvey a ultrapassarem Bolshunov na luta pelo podium. Quem também foi ao chão foi Heidi Weng, a poucos metros do fim quando disputava taco a taco a etapa com Ostberg. Assim, a líder acabou por ficar ainda mais líder, mas Weng rapidamente se recompôs e minimizou as perdas.

Heidi Weng poupou-se para fazer a diferença nos últimos dos dias Fonte: FIS
Heidi Weng poupou-se para fazer a diferença nos últimos dos dias
Fonte: FIS

A decisão dos vencedores ficava então para Itália, em Val di Fiemme com uma etapa de partida em massa e a tradicional escalada ao Monte Cermis em perseguição, com o primeiro a chegar ao topo a levar de vencido o Tour de Ski. No lado masculino, a etapa seis viu um grupo de quatro disputar a vitória na etapa que sorriu ao cazaque Poltoranin. Bologna foi quarto e defendeu-se, partindo para o último dia com uma confortável vantagem, especialmente porque Ustiugov acusou as lesões, perdeu bastante tempo e já nem partiria para a última etapa. Como previsto, Dario Cologna confirmou o seu regresso aos grandes triunfos. Sunday seria o mais rápido do dia para finalizar em segundo da Geral, relegando Harvey para terceiro. Confirmando a decepção dos russos, Bolshunov ainda cairia para sexto.

Já no lado feminino, a penúltima etapa podia ser decisiva e assim foi. Com Weng de longe a mais forte a subir do pelotão, Ostberg precisava de ganhar tempo ou, pelo menos, manter a vantagem para equilibrar a balança para o último dia. No entanto, foi Weng quem se lançou ao ataque para vencer a etapa e recuperar quase toda a desvantagem para Ostberg. Na subida final, partindo apenas 2 segundos depois, Weng rapidamente alcançou e ultrapassou a compatriota e, tal como na edição anterior, lançou-se para uma vitória larga na etapa e na Geral. Ostberg teve de se contentar com o segundo lugar, enquanto Diggins foi terceira e tornou-se na primeira atleta dos EUA a subir terminar o Tour de Ski no podium.

Chegou assim ao fim mais uma edição desta prova diferente do habitual no cross-country, com o renascimento de Dario Cologna, que volta a ganhar a prova vários anos depois e torna o primeiro esquiador a vencer a prova por quatro vezes, como nota principal. Para o próximo ano, com Ustiugov de novo na melhor forma, já se perspetiva uma intensa batalha. Também impressionante foi a gestão de Heidi Weng de dia para dia, sabendo aproveitar os seus pontos fortes para marcar a diferença.

Foto de Capa: FIS

José Baptista
José Baptista
O José tem um amor eclético pelo desporto, em que o Ciclismo e o Futebol Americano são os amores maiores. É licenciado em Direito (U. Minho) e em Psicologia (U. Porto).

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