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Foi neste fim de semana, que a Taça do Mundo de saltos de esqui, viu serem cumpridas as etapas 21 e 22 da temporada vigente. O palco de toda a ação, foi a cidade alemã de Klingenthal, a cerca de centena e meia de quilómetros a norte da capital da Républica Checa, Praga.

Recorde-se que esta prova veio ocupar o lugar deixado em aberto no calendário pelo evento de Sapporo, no Japão, que todos os anos costuma receber no Okurayama, trampolim da cidade, a “Champions dos saltos de esqui”, mas que devido ao terrível vírus que teima em condicionar as nossas vidas, viu o certame ser cancelado. Como tal a Vogtland Arena, serviu de palco aos “homens pássaro”.

Refira-se que esta estrutura possui 140m, tendo um K-Point localizado nos 120m. Quanto ao record, esse estava fixado nos 146.5m e era pertença do germânico Michael Uhrmann, que havia voado tal distância, no dia 2 de fevereiro de 2011.

Quanto às condições atmosféricas, tivemos um gigantesco manto branco a cobrir as calhas do trampolim bávaro, com os termómetros a assinalarem temperaturas na ordem dos cinco graus negativos.

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A competição principiou na sexta feira, dia em que se realizou a qualificação/ prólogo, visto que estariam em competição 50 saltadores, para outras tantas vagas, o que equivale a dizer que todos estavam apurados para o evento do dia seguinte, portanto não foi mais do que uma ronda de treinos, mas oficial.

O líder e vencedor das duas pretéritas etapas, Halvor Egner Granerud, parecia não abrandar, embora em anos idos tivesse demonstrado não “atinar” particularmente com este trampolim, arrecadando a quantia de 3.000 euros, correspondente à vitória na qualificação. O leitor mais atento perguntará decerto, qual o motivo para ter referido o valor em euros? É simples! A Alemanha atribui, ao contrário da grande maioria dos países pelos quais a competição passa, o valor dos prémios na sua moeda, ao invés dos habituais francos suíços, visto que a Federação Internacional de Ski, (FIS), se localiza em terras helvéticas.

De destacar que Domen, o mais novo do clã Prevc, regressava, após recuperar de infeção por Covid19. Já os restantes membros da família Peter e Cene, continuavam o seu processo de restabelecimento.

Os saltadores do Cazaquistão, voltavam a estar entre a alta roda da competição.

Numa ronda inaugural, em que o vento embora estando forte, não ia afetando o normal decurso da prova (não obstante dar grandes penalizações), viu Granerud sair na frente, rubricando uma marca de 140.5m, na vice-liderança ia estando por estes momentos o saltador de 33 anos, natural de Zakopane, Kamil Stoch, com um registo inferior em dois metros ao do seu rival. Já na terceira posição estava o esloveno Anze Lanisek que lograra voar 138.5m. Ainda dentro dos cinco mais, realce para a quarta posição de David Kubacki, com 137.5m, seguido pelo seu compatriota, de 34 anos, de Wisla, Piotr Zyla, que fez um metro a menos do que o campeão do mundo, de K90, (trampolim normal). Ainda alvo de destaque, os 135m de Marcus Eisenbichler, que o deixavam no sétimo posto, um pouco mais afastado do pódio, tendo de rubricar um grande segundo salto, para conseguir terminar nas medalhas.

Simon Ammann da Suíça, pontuaria pela segunda prova consecutiva, um record na presente temporada e nos últimos anos. Mikhail Nazarov, a defender a seleção Russa (o melhor da nação na presente edição da Taça do Mundo), voltava pela terceira competição de forma ininterrupta a pontuar, tendo saltado 130m, na primeira ronda.

Karl Geiger, Marius Lindvik ou Daniel Huber, eram nomes grados da modalidade , que haviam tido saltos desapontantes. O germânico, campeão do mundo de voos de esqui, já durante esta temporada não conseguiu melhor do que a 32.ª marca, o  austríaco ficou seis postos atrás, enquanto o jovem nórdico rubricara apenas o 42.º registo.

Estava tudo em aberto, principalmente na luta pela prata e pelo bronze, pois Granerud parecia embalar para mais uma!

Com a segunda ronda a trazer marcas ainda mais distantes, face à acalmia das condições de vento, mas em que a neve teimava em brindar-nos com a sua presença, foi Granerud, que a pedido do seu técnico, saltou dois portões abaixo dos demais (utilizando o nove, face aos rivais que saltaram do 11), viu o risco compensar dado ter garantido 141.5m. Desta forma o norueguês assegurou mesmo o triunfo número nove da temporada e da carreira. A prata viajou até às mãos de Kamil Stoch, que assinou o seu pódio 78 na Taça do Mundo, contrastando com o bronze de Bor Pavlovcic da Eslovénia, que deste modo adquiriu o primeiro metal de uma ainda curta experiência do atleta de 22 anos, batendo assim a quarta posição, o melhor até então conseguido pelo praticante.

Ainda dentro do “Top Cinco” ficaram respetivamente: em quarto Piotr Zyla e em quinto outro representante da nação eslovena, Anze Lanisek. Quanto a Eisenbichler, ficando apenas em nono viu a diferença dilatar-se face a Granerud.

Andrzej Stekala, continuou a senda negativa, quedando-se somente pela posição 21 da tabela classificativa. Simon Ammann, ficou em 20.º, mostrando que aos 39 anos, pode ainda voltar a contemplar os amantes da modalidade com saltos de enorme valia. Ainda merecedor de uma referência, a ascensão de Johann André Forfang que tendo assinado um registo na casa dos 138m, trepou doze postos, desde o 24.º até ao 12.º .

No dia seguinte, já sem vestígios de neve e com o vento a não ser uma dificuldade, mas com a aparição da indispensável chuva, era Marcus Eisenbichler quem estava na dianteira, finalizada a primeira metade da disputa. O bávaro ia anotando 138m, Granerud que assinara 136m, ia estando perto, no segundo lugar. O bronze estava na posse do surpreendente “samurai”,   Keiichi Sato, autor de 140m, mas efetuados de um “portão” maior. A fechar os cinco primeiros, destaque para: Kamil Stoch e Robert Johanson, respetivamente quarto e quinto  colocados, com o “Viking” a voar 141m, marca mais distante até então rubricada neste dia de prova. Contudo foi penalizado, devido a inferiores notas de estilo, pois não efetuou o movimento de genuflexão (telemark).

As fracas prestações de Zyla, Kubacki e Stekala iam fazendo recair toda a pressão de um bom resultado por parte da seleção da Polónia sobre as costas de Stoch.

Hayboeck, Forfang, Geiger e Lindvik, este último desqualificado, por conta de irregularidades no fato, eram as ausências mais notadas, para uns derradeiros 30 saltos que prometiam qualidade a rodos, visto que entre os dez primeiros, a diferença era apenas de 10.6 pontos.

Aí chegados foi e sem contestação Halvor Egner Granerud quem chegou à vitória dez no campeonato, ficando a escassos cinco triunfos de igualar um recorde pertencente a Peter Prevc, que em 2016 arrecadou 15 vitórias no circuito. Em segundo ficou Bor Pavlovcic que teve um fim de semana para recordar. Já no degrau mais baixo do pódio ficou Marcus Eisenbichler que não logrou segurar a liderança. Robert  Johansson e Yukiya Sato, terminaram, respetivamente em quarto e quinto colocados.

O segundo dia assistiu ainda a um sexto lugar de Kamil Stoch bem como a um registo de 146m, a meio metro da marca recorde alguma vez voada nesta estrutura, que foi da autoria de Dawid Kubacki, o que lhe permitiu ascender lugares de modo a se quedar pelo sétimo posto. Já em oitavo tendo acusado claramente a solenidade da ocasião, ficou Keiichi Sato. Jan Hoerl, fechou em 11.º, rubricando a melhor marca da temporada.

Se uns estiveram bem, outros nem por isso! Nesse departamento destacam-se os nomes de Piotr Zyla e Andrzej Stekala, ambos da equipa polaca, que em 17.º e 18.º respetivamente foram grandes deceções do último dia de prova, na Vogtland Arena.

Agora na geral da Taça do Mundo, Granerud, é cada vez mais primeiro contabilizando 1406 pontos, Eisenbichler soma 977 enquanto Stoch averba 845.

No próximo fim de semana, no qual terão lugar as etapas, 23 e 24, respetivamente no dia 13 e 14, o “circo” fará novamente escala em Zakopane. O BNR fará como sempre uma resenha ao que de mais significativo lá acontecer.

Foto de Capa: FIS Ski Jumping

Artigo redigido por Diogo Rodrigues

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