Cabeçalho modalidadesNas Olímpiadas de Turim 2006, o jovem Ahn Yun-soo assumiu-se como um dos grandes nomes da patinagem de velocidade e deu três medalhas de ouro à Coreia do Sul. Doze anos depois, o russo Victor An pretende acabar uma carreira recheada de sucessos com uma medalha olímpica em PyeongChang. Acontece que Ahn Yun-soo e Victor An são a mesma pessoa.

Muito precoce, Ahn Yun-soo esteve presente nas Olímpiadas de Salt Lake ainda em idade de júnior e apurou-se mesmo para a final dos 1000 metros, mas ficou fora das medalhas quando provocou uma queda na última curva que permitiu a Steve Bradbury obter uma surpreendente vitória e retirou o ouro a Apolo Ohno, patinador americano que se começava a afirmar.

Entretanto, assumiu-se definitivamente no mundo da patinagem de velocidade de pista curta e conquistou Campeonatos do Mundo e Taças do Mundo no caminho para Turim 2006. Foi aí, o pico da rivalidade com Apolo Ohno, que o sul-coreano levaria a melhor saindo de Itália com o ouro nos 1000m, 1500m e 5000m estafetas, perdendo apenas nos 500m.

Só que a carreira do Ahn deu uma volta completa nos Mundiais desse mesmo ano em que, mesmo vencendo o título geral, teve um desentendimento com a Federação coreana que teria conspirado para que fosse o seu compatriota Lee Ho-Suk, segundo classificado, a ter ganho a prova. A partir daí, Ahn voltaria a ganhar o Mundial em 2007, estabelecendo um record de cinco vitórias consecutivas, mas uma lesão afastá-lo-ia de forma prolongada da competição e a relação com a Federação teria um romper definitivo quando este foi deixado de fora da seleção para as Olímpiadas de 2010 em Vancouver.

Ahn com as suas novas cores nacionais Fonte: International Skating Union
Ahn com as suas novas cores nacionais
Fonte: International Skating Union

Enquanto Apolo Ohno se tornava o primeiro patinador de velocidade em Pista Curta a atingir as oito medalhas em Jogos Olímpicos, Ahn via-se forçado a arranjar uma solução para os seus problemas com a Federação do seu país e a maneira de o fazer foi através da naturalização, tornando-se um cidadão russo e passando a competir por este país.

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Apesar de um menor sucesso nos quatro anos subsequentes, Anh chegou a Sochi 2014 com vontade de provar a sua qualidade e não fez por menos, obtendo três medalhas de ouro e uma de bronze e igualando Ohno em número de medalhas conquistadas, mas com mais ouros. Fecharia ainda época com chave de ouro ao regressar às vitórias na Geral do Campeonato do Mundo.

A partir daí, tem tido prestações mais discretas, mas vai as próximos Jogos com vontade de impressionar. Para já, os resultados das suas participações em Taças do Mundo esta época não deixam antever que possa estar na luta pelas medalhas, mas sabemos que muitas vezes os grandes campeões se superam nestas ocasiões e Ahn já demonstrou que é capaz de o fazer.

Ainda assim, o maior ponto de interesse na participação de Ahn é que este se vai poder despedir das grandes competições em ‘casa’, já que as Olimpíadas se disputam em PeyongChang, na Coreia do Sul. Apesar da mudança de nacionalidade, Ahn continua muito ligado à Coreia, onde é uma personalidade muito acarinhada e até participou recentemente num reality show no seu país natal. Além do mais, os resultados desastrosos da Coreia em Sochi ajudaram a que a opinião pública ficasse ao lado de Ahn e se voltasse contra a Federação e a forma como esta gerida e o atleta tem sido bem recebido quando compete na Coreia. Para Ahn esta pode ser a despedida quase perfeita, só manchada por não a fazer pelas cores do seu país, porque os bastidores tiveram prioridade sobre a sua qualidade como atleta. E, ainda que Victor Anh já tenha dito que percebe se for assobiado, o público deverá mesmo ajudar a tornar o momento especial, seja qual for o resultado no gelo.

Foto de Capa: Comité Olímpico Internacional