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Dez anos depois, Portugal está novamente na final de um Campeonato do Mundo de Futebol de Praia. Com a vitória por 4-2 frente à Rússia, a bicampeã mundial em título, a seleção nacional assegurou o apuramento para o jogo decisivo, onde procurará a conquista do primeiro título de campeão da sua história, enquanto competição sob a égide da FIFA. A equipa liderada por Mário Narciso entrava para esta meia final com uma ausência de vulto: Jordan Santos. Sem o experiente jogador português, o técnico optou por colocar Bruno Novo no seu lugar, mantendo o restante “5 titular”, com o guarda redes Elinton Andrade e os jogadores de campo Madjer, Torres e Belchior.

Frente a uma seleção com a qual tinha perdido há bem pouco na meia final dos Jogos Europeus, em Baku (derrota de Portugal frente à Rússia por 2-1), a seleção nacional entrou bem na partida, impondo um ritmo que lhe permitiu controlar os destinos da partida. A verdade é que o estilo cerebral em que o jogo se foi envolvendo acabou por ser do agrado de ambas as formações, que fazem do poderio coletivo a sua principal arma. Por isso, a toada geral do encontro foi a de grande equilíbrio, com ambas as equipas a respeitarem-se e não permitirem espaços que lhes poderiam ser fatais. Sendo assim, era expectável que as bolas paradas pudessem ter um papel absolutamente determinante no decorrer do marcador. De facto, foi assim que surgiu o primeiro golo da partida, apontado aos oito minutos pelo russo Makarov, na sequência de um livre direto cujo remate de pé direito só parou no fundo das redes do guarda redes Elinton Andrade.

Apesar do golo sofrido, a seleção portuguesa não se desorganizou e é caso para dizer que não poderia ter tido melhor reação. E isso porque, até ao final do primeiro período, Jordan Santos e Bê Martins – na sequência de um excelente pontapé de pé esquerdo e de um livre direto superiormente executado – deram uma preciosa vantagem de 2-1 a Portugal no final do primeiro período. A reação dos bicampeões do mundo não tardou e, logo no primeiro minuto do segundo tempo, um cabeceamento de Dimitri Shishin após um lançamento de linha lateral (a defesa portuguesa ficou toda a dormir) deu empate aos russos. O problema para a equipa de Likhachev veio logo após, pois, nos festejos, Shishin teve um gesto impróprio para as bancadas, o que levou o árbitro da partida a expulsar por vermelho direto o jogador russo. Este foi mesmo um dos principais momentos da partida: não tanto pelo aproveitamento de Portugal da inferioridade numérica russa – visto que a seleção não conseguiu marcar em vantagem numérica – mas mais pela falta a partir daquele momento de um dos jogadores mais importantes da seleção russa.

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Bê Martins foi a figura da vitória de Portugal
Fonte: Facebook Seleções Portugal

Até ao final do segundo período, aquilo que se viu foi um jogo verdadeiramente amarrado taticamente, onde apenas Makarov e Zé Maria estiveram perto de fazer o gosto ao pé. O terceiro e último tempo começou da mesma forma, com muito mais cabeça do que coração no areal da Praia da Baía, em Espinho. As equipas continuavam num verdadeiro “jogo de sombras” e, à medida que os minutos passavam, facilmente se chegava à conclusão de que apenas uma bola parada ou um lance de génio individual ou coletivo poderiam resolver a segunda meia final da competição. É caso para dizer que as previsões acabaram por acontecer pois, a dois minutos do final, Alan cavou uma falta a meio campo que deu o segundo amarelo e respetiva expulsão a Krash e permitiu a Bruno Novo fazer um excelente remate que só parou no fundo da baliza de Bukhlitsky. As 3 500 pessoas que encheram o Estádio da Praia da Baía explodiram novamente de alegria e só tiveram que esperar mais meio minuto para festejarem definitivamente o apuramento para a final do Campeonato do Mundo. Já bem perto do último minuto do jogo, após assistência com a mão de Elinton Andrade, Bê Martins (bisou no encontro) fez o 4-2 final com um remate colocadíssimo de pé esquerdo.

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Depois da derrota em 2005 frente à França nas grandes penalidades no Mundial disputado no Rio de Janeiro, a seleção portuguesa volta ao jogo decisivo do Campeonato do Mundo de Futebol de Praia. Pela primeira vez sobre a égide da FIFA, Madjer e companhia terão a oportunidade de fazer história. E nada melhor do que poderem encerrar esta campanha de ouro com uma vitória em casa, perante milhares de adeptos que têm sido a força desta equipa. Já só falta um degrau para atingir o tão ambicionado título mundial. É preciso acreditar que o sonho é possível!

O outro finalista do Campeonato do Mundo é o surpreendente Taiti, que venceu a Itália por 3-1 nas grandes penalidades, após o 6-6 no tempo regulamentar e prolongamento. Depois do quarto lugar alcançado no último mundial, realizado em 2013 no seu país, a seleção asiática continua a surpreender na Praia da Baía. Impulsionada pelas referências Jo, Taiarui, Labaste, Fung Kuee e Benett, a seleção de Tahina Rota surpreendeu hoje a equipa italiana depois de uma exibição onde o seu estilo irreverente voltou a ter frutos.

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O Taiti vai à procura de um inédito título mundial
Fonte: Facebook Beach Soccer Fan Page

A equipa do Taiti, tal como já havia acontecido nos outros seus jogos, entrou muito forte no encontro e adiantou-se no marcador logo no primeiro minuto, através de um golo de Taiarui. Apesar de ter estado sempre na frente do marcador, a verdade é que a seleção asiática encontrou uma equipa italiana que deu uma forte réplica e que procurava dar continuidade às boas exibições produzidas durante a competição. O empate da equipa de Esposito aconteceu mesmo aos quatro minutos, quando o inevitável Palmacci restabeleceu a igualdade. Nesse mesmo minuto, Labaste – uma das principais figuras da equipa do Taiti – fez o 2-1 após um forte remate que permitiu à sua seleção ir para o final do primeiro período em vantagem. Tal como no primeiro tempo, os asiáticos – empurrados por uma fantástica falange de apoio – voltaram a entrar melhor no segundo período, e Bennett, aos 14 minutos, fez o 3-1 para a sua seleção.  O jogo ia correndo de forma intensa e equilibrada, com a Itália a não conseguir parar o ímpeto de uma seleção que joga constantemente sob um ritmo frenético. Também por isso os italianos passaram a jogar mais no erro do adversário, sobretudo na procura de bolas paradas que lhes permitissem reentrar na decisão da partida. E assim aconteceu, com Gori, na sequência de um livre, a reduzir a desvantagem dos italianos aos 22 minutos. Para os transalpinos, a desvantagem mínima durou pouco pois, na sequência de uma jogada estudante num pontapé de canto, Tavanae recolocou o Taiti a vencer por dois golos, tendo sido com o marcador em 2-4 que a primeira meia final da competição se encaminhou até ao término do segundo tempo.

O terceiro e último período trouxe uma seleção italiana com mais projeção para o ataque. A desvantagem era preocupante e, com apenas doze minutos para jogar, os italianos sabiam que tinham de arriscar tudo na procura por outro resultado. Aos 26 minutos, em mais uma bola parada, Dario Ramacciotti reduziu para a Itália, mas, tal como tinha ocorrido no segundo tempo, o Taiti voltou a repor a vantagem de dois golos nesse mesmo minuto, após um golo de Bennett, que bisava assim na partida. Di Palma e Tepa, aos 28 e aos 33, na sequência de dois livres diretos, fizeram mais um golo para cada uma das equipas, o que fazia prever que, a tão pouco tempo do final do jogo, nada pudesse retirar o Taiti da grande final do Campeonato do Mundo de Futebol de Praia.

A questão é que, nos instantes finais do terceiro período, os jogadores italianos conseguiram encontrar forças para recuperarem de um 4-6 para um 6-6. Com os golos aos 35 minutos de Carosiniti e Gori (este de grande penalidade), a equipa transalpina levou o jogo para um prolongamento de três minutos que acabou por não ter qualquer golo. A decisão da meia final teve mesmo que ir para a marca das grandes penalidades, onde Palmacci permitiu a defesa a Jo. No último e decisivo remate, Fung Kuee não desperdiçou a oportunidade de colocar o Taiti pela primeira vez na história na final de um Campeonato do Mundo. Para a seleção asiática, só falta bater a seleção anfitriã no jogo decisivo para fazer história no futebol de praia. Quanto à Itália, e apesar da boa campanha, mais uma vez fica à porta da grande decisão e vai ter que se contentar com o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares, frente à ainda bicampeã mundial Rússia.

 

Figuras do Dia: Portugal e Taiti – É inevitável  destacar as duas formações que conseguiram um histórico apuramento para a final do Campeonato do Mundo. Apesar de terem tido percursos diferentes na competição, facilmente se chega à conclusão de que a final deste domingo será disputada pelas duas melhores equipas ao longo do Mundial. Com estilos de jogo diferentes, o jogo decisivo será certamente empolgante e com um resultado imprevisível.

Fora de Jogo: Shishin – Numa seleção que ainda é bicampeã mundial, não podem existir comportamentos como o de Shishin esta tarde. O gesto obsceno com que brindou o público após o seu golo foi o ato mais lamentável ocorrido durante este mundial. Foi expulso e acabou por prejudicar a sua seleção. Coincidência ou não, a verdade é que, depois de ter sido retirado de jogo, a Rússia nunca mais se encontrou no jogo desta meia final, frente a Portugal.