Há vida para além de Lisboa

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O Futsal português passa neste momento por uma das melhores fases da sua história. O Sporting Clube de Portugal sagrou-se campeão europeu, a seleção nacional conquistou, em 2018, também ela o título europeu e, no último ano, tivemos aquela que muitos consideram a melhor final de play-off de sempre.

No entanto, será que o campeonato português está no caminho certo? Quais as medidas que devem ser tomadas de forma a equilibrar uma balança altamente favorável a Sporting CP e SL Benfica?

Numa primeira análise, e olhando apenas para as fases finais dos últimos anos, podemos constatar que as equipas pequenas têm de certa forma conseguido incomodar os rivais de Lisboa.

Em 2018/2019, por exemplo, o AD Fundão e o Modicus-Sandim obrigaram a que se realizasse um terceiro jogo. Por sua vez, e num resultado ainda mais improvável, na época de 2016/2017, o SC Braga/AAUM surpreendeu ao eliminar o SL Benfica nas meias-finais do play-off. Já na temporada anterior, os bracarenses tinham conseguido bater a equipa do Sporting.

O Modicus-Sandim obrigou o Sporting a disputar a negra nas meias-finais da edição passada do campeonato português. O Fundão conseguiu fazer o mesmo frente ao Benfica
Fonte: Sporting CP

Em sentido contrário, nas épocas de 2017-2018 e 2014-2015, Sporting e Benfica chegaram à final da fase a eliminar sem qualquer derrota. Em suma, se olharmos para estes dados, podemos concluir que existe alguma competitividade no campeonato português. No entanto, e exceção feita à época em que o SC Braga/AAUM disputou a final, a regra acaba por ser que Sporting e Benfica discutam o título nacional.

Sporting e Benfica têm dominado o panorama do futsal nacional nos últimos anos
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

DIFICULTAR A VIDA AOS GRANDES DE LISBOA

A verdade é que acaba por ser relativamente normal que os dois clubes de Lisboa se superiorizem aos restantes. A sua massa adepta e o seu poderio financeiro assim o obrigam. Convém também dizer que estamos a falar de equipas que são não apenas uma referência em Portugal, mas também no mundo.

Perante este cenário, o que pode a Federação Portuguesa de Futebol fazer para, dentro do possível, ajudar as equipas mais pequenas? A solução tem passado maioritariamente por obrigar a que todos os clubes tenham jogadores formados por Portugal nas suas fichas de jogo. A ideia é que Sporting e Benfica não consigam colocar todos os estrangeiros a atuar simultaneamente. O clube de Alvalade é regularmente obrigado a deixar alguns dos seus melhores intervenientes de fora.

Contudo, e apesar de perceber a intenção desta regra, penso que podem existir outras soluções para que o campeonato se torne um pouco mais competitivo. No caso dos play-off, sou da opinião que Sporting e Benfica percam a vantagem de jogar em casa no caso de se ter de realizar um terceiro jogo. Bem sei que essa vantagem foi adquirida na fase regular e que, caso esta medida avançasse, a mesma perderia ainda mais relevância. Todavia, penso que seria a principal forma de equilibrar as forças e tornar ainda mais possível que outros clubes cheguem à final de um play-off.

Outras medidas passariam por uma redistribuição das receitas televisivas ou ainda pela atribuição de ajudas financeiras aos clubes que apostassem mais no jogador português ou que conseguissem ter um maior sucesso desportivo.

O SUCESSO LÁ FORA COMEÇA A SER CONSTRUÍDO CÁ DENTRO

O campeonato português tem ainda um longo caminho pela frente. É normal que Sporting e Benfica dominem a Liga Portuguesa, mas a FPF pode (e deve) fazer mais para que a missão dos clubes de Lisboa seja cada vez mais difícil. O campeonato espanhol pode dar-nos algumas lições sobre como o fazer.

Em jeito de síntese, queria dizer que esta não é uma missão nada fácil e que dificilmente se inverterá a curto prazo. Contudo, quanto maior for a imprevisibilidade no que ao vencedor diz respeito, mais público teremos nas bancadas e melhor estarão preparadas as nossas equipas para competir internacionalmente.

Foto de Capa: SL Benfica

Duarte Pereira da Silva
Duarte Pereira da Silva
Do ciclismo ao futebol, passando pelo futsal ou o andebol, quase todos os desportos apaixonam o Duarte. Mas a sua especialidade é o ténis, modalidade que praticou durante 9 anos.                                                                                                                                                 O Duarte escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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