Um dos rostos do crescimento da formação do futsal português – Entrevista a José Luís Mendes

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José Luís Mendes, natural da Covilhã, foi o treinador responsável por colocar o Fundão no mapa do principal escalão do Futsal português e junta, atualmente, o cargo de treinador adjunto das Seleções Nacionais A masculina e feminina com o de responsável técnico pelas Seleções Nacionais de sub-21 e sub-18 masculinas. O Bola na Rede conversou com o técnico sobre a sua carreira, o Fundão, a formação do Futsal em Portugal e do Futsal feminino.

 

Bola na Rede: Começando pela sua carreira, e sabemos que é formado em Educação Física, de onde surge a paixão pelo Futsal?     

José Luís Mendes: O meu primeiro contacto com o Futsal surge pela Associação Académica da Universidade da Beira Interior (AAUBI), no ano de 1993, ano em que fiz parte da equipa técnica liderada pelo João Paulo Matos, um amigo de longa data. Dois anos depois, assumo o comando técnico da AAUBI e, nesse mesmo ano, em 1995, sou convidado para integrar a equipa técnica da Seleção Nacional Universitária, comandada, então, pelo Orlando Duarte, treinador que dispensa apresentações. Esse convite foi formulado pelo Paulo Meireles e Pedro Dias (atual diretor da Federação Portuguesa de Futebol), dirigentes da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU). A paixão pelo jogo deve-se essencialmente aos ensinamentos transmitidos pelo Orlando e às experiências que comecei a vivenciar nos mundiais Universitários.

BnR: O seu percurso como treinador é amplamente reconhecido pelo que fez na AD Fundão, mas o que fez anteriormente como treinador?

JLM: Em termos federados comecei, após ter terminado o curso, por treinar futebol na Associação Desportiva da Estação (ADE), onde estive durante cinco anos. Depois, já com o “bichinho” do Futsal, treinei a equipa de Futsal feminino do Unidos do Tortosendo; na altura estive lá duas épocas e, passados esses dois anos, fui para a Boidobra, também no Futsal feminino, onde estive quatro anos, sendo que no último ano recebi o convite da AD Fundão e comecei a treinar simultaneamente a AD Fundão Seniores Masculino, que estava na altura na terceira divisão. Treinava à quarta e à sexta na Boidobra e à segunda, terça e quinta treinava no Fundão; depois, no sábado, tinha jogo pelo Fundão e domingo tinha jogo pela Boidobra. Continuei ligado ao desporto universitário, onde treinava as equipas masculina e feminina da AAUBI. No ano seguinte, deixei a Boidobra para me dedicar inteiramente ao Fundão, onde estive durante oito épocas, duas na terceira divisão, duas na segunda divisão e quatro na primeira divisão. Paralelamente, acabei por deixar também as equipas universitárias.

BnR: Falando então agora do Fundão: teve uma grande ascensão no Futsal, no dia em que lhe foi feito o convite para treinador principal, havia já esse objetivo de chegar à primeira divisão ?

JLM: A ideia era tentar chegar o mais longe possível com claras possibilidades de alcançar a primeira divisão. Em termos desportivos, senti que era uma excelente oportunidade. Foi feita essa aposta, nomeadamente no segundo ano na segunda divisão, em que nós tivemos a possibilidade de trazer um jogador brasileiro emprestado pelo Benfica e conseguimos reunir, a nível regional, na minha opinião, os melhores jogadores, que nos pudessem ajudar na subida e foi isso que aconteceu, acabámos por fazer um excelente campeonato e conseguimos a subida à primeira divisão. Claro que isto sempre com o objetivo de conseguirmos a estabilidade e de sermos uma equipa de referência na primeira divisão. Os primeiros dois anos foram muito complicados, conseguimos a manutenção nos play-out com bastantes dificuldades. Nos dois anos subsequentes atingimos o play-off e penso que, a partir daí, o Fundão conseguiu estabilizar e acabou por tornar-se na equipa de referência na nossa zona e a nível Nacional.

José Luís Mendes continua muito a par do futsal fundanense  Fonte: José Luís Mendes
José Luís Mendes continua muito a par do Futsal fundanense
Fonte: José Luís Mendes

BnR: Pegando na primeira época do Fundão na primeira divisão, acabou por conseguir a manutenção, ficando em segundo lugar no play-out, o último lugar de manutenção…

 JLM: Sim, no primeiro ano fizemos um excelente jogo com o Modicus em casa e garantimos a manutenção a faltar uma jornada para o fim. No segundo ano, foi muito mais difícil, acabámos por disputar o lugar de permanência com o Boavista, o Sassoeiros já tinha garantido a manutenção, na última jornada, vencemos o último jogo frente à UTAD fora e essa vitória deu-nos a manutenção.

BnR: Na época seguinte, o Fundão acaba por conseguir chegar aos play-offs e, na sua última época, a equipa chega novamente aos play-offs, perdendo frente ao SL Benfica. Como é que olha para esta mudança do play-out para os play-offs? Considera que houve um maior investimento?

JLM: Quando subimos à primeira divisão, houve uma necessidade de fazer uma reestruturação no plantel e tivemos que recorrer ao mercado brasileiro, porque na altura era mais fácil e menos dispendioso trazer jogador brasileiros do que ir buscar jogadores portugueses com qualidade, que preferiam estar nos grandes centros. Então, nós apostámos nos jogadores brasileiros que nos trouxeram qualidade, estabilidade e, por consequência, melhores resultados. Conseguimos ir aos play-offs na minha terceira e quarta época de primeira divisão, mas tivemos sempre ali até ao fim na luta entre os lugares de acesso aos play-offs e os lugares para os play-outs. Na terceira, contra a Fundação Jorge Antunes e na quarta, contra o Benfica, obrigando sempre os nossos adversários ao terceiro e derradeiro jogo. Com a Fundação ganhámos em casa o primeiro jogo, perdemos fora, no prolongamento, o segundo e, depois, perdemos novamente o terceiro. Contra o Benfica, perdemos o primeiro jogo em casa nos penaltis e depois ganhámos o segundo jogo na Luz e perdemos novamente no terceiro jogo na Luz.

Rui Pedro Cipriano
Rui Pedro Ciprianohttp://www.bolanarede.pt
Nascido e criado no interior, na Covilhã, é estudante de Ciências da Comunicação, na Universidade da Beira Interior. É apaixonado pelo futebol, principalmente pelas ligas mais desconhecidas, onde ainda perdura a sua essência e paixão.                                                                                                                                                 O Rui escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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