Um dos rostos do crescimento da formação do futsal português – Entrevista a José Luís Mendes

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BnR: Como surge então a saída do Fundão? Era algo que já estava delineado ou foi por causa do convite da Federação?

JLM: Claro que foi essencialmente por causa do convite da Federação, foi uma porta que se abriu e me levou a tomar essa decisão. Na altura o selecionador nacional, Orlando Duarte, saiu da seleção nacional para ir treinar o Sporting e o seu adjunto na seleção Nacional, o Jorge Braz, assumiu o cargo de Selecionador Nacional e convidou-me para fazer parte da equipa técnica para adjunto. Convite esse que eu aceitei e onde permaneço até aos dias de hoje.

BnR: Olhando para aquele que foi o sucesso do seu sucessor no Fundão, Joel Rocha, sentiu que deixou uma equipa com um projecto em crescendo?

JLM: Eu saio do Fundão numa altura muito crítica do clube. O Fundão estava a viver momentos muito difíceis fora do âmbito desportivo e isso acabou também por ter influência na minha decisão de sair. Quando o Joel entra, numa fase inicial essas dificuldades mantiveram-se até que surge uma comissão administrativa para gerir apenas a equipa sénior de futsal e foi a partir de aí que o Fundão começa a ganhar a estabilidade necessária para que pudesse vir a ser desenvolvido um trabalho extremamente positivo do ponto de vista desportivo.  Agora é um clube estável e extremamente apetecível, é um clube de referência a nível nacional.

BnR: Falando em referência nacional, o Fundão situa-se numa região onde não há qualquer clube, em qualquer modalidade, que esteja no topo nacional dessa mesma modalidade para além do Fundão no futsal. Considera por isso que para além de uma referencia nacional a nível de futsal o Fundão é também uma referencia regional para os outros desportos?

JLM: Nas modalidades coletivas, a nível nacional não existem muitas equipas a disputarem as competições principais no interior no país, penso eu que se excetua o Elétrico de Ponte de Sôr no Basquetebol e o Fundão no Futsal. O Fundão é, sem dúvida, uma referência e um exemplo a seguir. Está visto que é preciso haver um grande empenho por parte das pessoas, e o Fundão, com a ajuda e dedicação de muita gente conseguiu, com muito sacrifício e com muito trabalho chegar a esse patamar, e o mais importante é que se tem conseguido manter-se ao mais alto nível. O Fundão, como eu costumo dizer, em jeito de brincadeira, é conhecido pela cereja e pelo futsal.

BnR: Em Castelo Branco neste momento temos 3 equipas na segunda divisão nacional, Retaxo, Cariense e Boa Esperança, há em algum delas possibilidade de alcançarem similar patamar ao do Fundão?

JLM: Essa é das tais perguntas que têm que ser feita aos dirigentes dos próprios clubes. Em termos de estrutura parece-me que qualquer deles não tem problemas com espaço físico, para treinar e para jogar. Em termos geográficos, pelo seu historial, parece-me que a Boa Esperança será talvez o clube com mais possibilidades, já esteve, aliás, perto de o conseguir há duas épocas atrás, agora é preciso saber se esse é um objetivo do clube e também da cidade.

BnR: Entrando no campo da formação e pegando no exemplo do Boa Esperança, a base do Boa Esperança é de jogadores formados no Fundão, o Fundão disputa o campeonato nacional de sub-20 , acha que há falta de aposta na formação no caso do Fundão e neste caso estão-se a desperdiçar bons talentos que estão a ser aproveitados em outras equipas da região?

JLM: Isso é um ponto muito sensível, podíamos estar aqui muito tempo a falar dessa situação. Eu acho que em termos de formação nós temos que a olhar de várias perspetivas. Eu acho que o Fundão tem feito um trabalho meritório nas camadas jovens, que culminou com a subida ao campeonato nacional sub-20, é óbvio que para se subir a esse patamar os jogadores já têm que ter uma qualidade razoável, e a prova disso é que o Fundão caiu na série sul tendo competido com as equipas de Lisboa que são equipas fortíssimas e apesar disso na época passada conseguiu manter-se o que prova que o trabalho está a ser bem feito.

A formação tem sido uma constante no trabalho de José Luís na FPF Fonte: José Luís Mendes
A formação tem sido uma constante no trabalho de José Luís na FPF
Fonte: José Luís Mendes

BnR: Sim, mas no caso do Fundão muitos jogadores saíram…

JLM: É normal isso acontecer, faz parte da evolução dos próprios jogadores, sobem ao escalão de seniores. A grande maioria deles não consegue jogar na equipa principal visto que é uma diferença abismal do campeonato nacional de Sub-20 para a Primeira Liga… e é natural que para continuarem o seu percurso e crescimento por razões óbvias, optem por ir jogar para as outras equipas que jogam na 2.ª divisão nacional, acho que isso é o percurso natural, porque nem todos eles têm capacidade para jogar na primeira divisão para já, o salto é muito grande. Mas esta é uma situação perfeitamente normal que se passa não só aqui, mas também a nível Nacional.

BnR: Mas não acha que a Federação também tem feito esforços no sentido de as equipas da Primeira Divisão reforçarem a sua aposta na formação com medidas como a de estenderem o número de suplentes com dois jovens sub-20?

JLM: Sim, essa, entre muitas outras. Onde existe a maior taxa de abandono no desporto federado é na transição de juniores para seniores. Um dos motivos tem a ver com aquilo que vocês são, estudantes do ensino superior, os jovens acabam por sair dos locais de residência e ir para outras cidades acabando por abandonar a prática desportiva federada. O outro dos motivos prende-se com aquilo que já falei anteriormente: a diferença entre um campeonato júnior e uma competição sénior. Quanto maior for essa décalage, maiores dificuldades existem. Outra das medidas, que considero extremamente positiva foi a possibilidade de as equipas juniores poderem utilizar três atletas sub -20, ou seja seniores de 1º ano.

BnR: Como considera que a formação está a ser trabalhada em Portugal? Está muito melhor por comparação com anos transatos?

JLM: Eu sou da opinião que há sempre coisas a melhorar, sempre, sempre… Mas deu-se um salto muito grande e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) teve um papel extremamente importante no desenvolvimento do Futsal. Melhorou-se a qualidade competitiva com a criação dos campeonatos nacionais e ao criar competições de maior exigência potenciam-se mais as qualidades dos nossos jovens. Aliado a isso os programas de desenvolvimento e de deteção de talentos que a Federação tem implementado, como são os casos dos torneios interassociações e a criação das seleções jovens. O grande objetivo das seleções jovens é ajudar a potenciar as capacidades dos nossos jovens para que mais tarde possam integrar a Seleção A. É óbvio que outro dos aspetos prende-se com a formação dos treinadores, temos melhores treinadores, treinadores mais dotados e habilitados e obviamente que isso só vai ter repercussões no desenvolvimento das capacidades dos nossos jovens.

Rui Pedro Cipriano
Rui Pedro Ciprianohttp://www.bolanarede.pt
Nascido e criado no interior, na Covilhã, é estudante de Ciências da Comunicação, na Universidade da Beira Interior. É apaixonado pelo futebol, principalmente pelas ligas mais desconhecidas, onde ainda perdura a sua essência e paixão.                                                                                                                                                 O Rui escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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