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Dragão voa até ao topo do Hóquei nacional | Hóquei em Patins 2021/2022

Tiago Alexandre · 4 min

Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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Terminou a edição de 2021/22 do Campeonato Nacional de Hóquei em Patins. A melhor Liga do mundo chegou ao fim na noite passada, culminando o FC Porto como novo campeão, depois de cinco fantásticas partidas diante do SL Benfica.

Depois de eliminarem, nas meias-finais, OC Barcelos e Sporting CP, Porto e Benfica, respetivamente, proporcionaram 13 dias de Hóquei em Patins, com cinco jogos disputados e 36 golos marcados. Ainda assim, o fator casa teve bastante influência e as equipas forasteiras não conseguiram vencer na casa do adversário.

Os dois primeiros jogos foram muito semelhantes. No primeiro, o Porto começou melhor na partida, colocou-se a vencer e no segundo confirmou a vitória (5-0). Na resposta, o Benfica repetiu a receita na Luz e venceu por 3-0. Mas foi no regresso ao Dragão que se registou o jogo com mais golos desta série: 15.

Numa espetacular partida de Hóquei, o Porto começou a ganhar – à semelhança de praticamente todos os jogos – e, quando o Benfica reduziu a vantagem, tratou de responder logo a seguir. Ao intervalo os dragões venciam por 3-2, mas um grande arranque de segunda parte das águias, com três golos em quatro minutos, virou o resultado para 4-5. O capitão Reinaldo García tratou rapidamente do empate e a partir daí… só deu azul e branco. 9-6 foi o resultado final e o Porto colocava-se a apenas uma vitória do título.

Na última partida da temporada no Pavilhão da Luz, o Porto até esteve a ganhar em duas ocasiões, mas o Benfica virou o resultado através das bolas paradas. Pablo Álvarez aumentou para 4-2, Xavi Barroso ainda assustou, mas Pol Manrubia – uma das grandes revelações deste play-off – fixou o 5-3 final. Depois do Jogo 4, assistiu-se ao que de pior aconteceu nesta Final. Nicolia foi expulso em cima do intervalo, alegadamente por palavras dirigidas aos árbitros. O Benfica contestou a decisão e Francisco J Marques, responsável pela comunicação do Porto, tratou de responder ao rival. A guerra das palavras não ficou por aqui, mas o título viria mesmo a ser decidido dentro do ringue, no Dragão.

Jogo 5, Dragão Arena completamente repleto de portistas e Luis Sénica a assistir na tribuna, causando nova polémica antes da partida. Na bancada estavam também Nicolia e Ordoñez, duas das principais referências das águias que não podiam jogar. Gonçalo Alves abriu o marcador logo nos primeiros minutos e, à passagem do minuto cinco, o menino Manrubia empatou. Antes do intervalo, Carlo Di Benedetto voltou a colocar os dragões na frente.

A partida entrou numa toada morna, com o equilíbrio a prevalecer e os índices físicos a pesarem na equipa do Benfica, que colocou na ficha de jogo três jogadores com idades de Juniores. A nove minutos do fim, décima falta do Porto e oportunidade desperdiçada para empatar. No entanto, Álvarez redimiu-se do erro e empatou a partida a duas bolas, com seis minutos por jogar. No minuto seguinte, Edu Lamas cometeu a décima falta, num lance pouco perigoso. Na cobrança, Gonçalo Alves assumiu o papel de herói – como só ele sabe fazer! – e bateu Pedro Henriques, levando o Dragão Arena à loucura.

Se Edu Lamas já tinha comprometido a sua equipa anteriormente, não há muito mais que se possa acrescentar. A menos de três minutos do fim viu o cartão azul e deixou a sua equipa em inferioridade numérica até aos últimos 53 segundos. Com o cinco para quatro lançado, o Benfica não conseguiu ultrapassar a muralha azul e branca e acabou por perder por 3-2. Assim, o Porto consagrou-se como o novo Campeão Nacional.

Olhando à história, este troféu ditou o desempate de títulos entre dragões e águias e colocou os primeiros na frente, com 24 campeonatos, depois de três anos sem levantar o troféu. Em finais do Campeonato entre os dois maiores clubes da modalidade, continua tudo igual: Porto totalmente vitorioso (3 em 3).

Analisando globalmente a final, é inevitável não falarmos das ausências de Nicolia e Ordoñez. Este foi, claramente, o fator negativo dos cincos jogos e que, indiretamente, prejudicou o Benfica. Falamos, provavelmente, dos seus dois melhores jogadores. De referir que em nenhum dos jogos Nuno Resende pôde contar com todos os seus jogadores disponíveis, ao contrário de Ricardo Ares. No entanto e apesar dos play-offs de grande nível dos encarnados, as águias têm que “acordar” mais cedo para a temporada e serem mais consistentes na Fase Regular. Foi precisamente aí – com o fator casa – que se decidiu o título.

Quanto ao Porto, que mudou de treinador nesta temporada, a resposta foi dada: três troféus conquistados. O espanhol Ricardo Ares é, sem dúvida, a principal figura deste Campeonato. Ex-selecionador espanhol e, até ao início desta época, desconhecido para muitos adeptos portistas. Perdeu Cocco e Poka no início da época e recrutou Telmo Pinto ao Sporting, colmatando a vaga deixada pelo agora jogador do Benfica. As restantes “aberturas” ficaram (e bem) para jovens da formação. O FC Porto é a melhor equipa a praticar Hóquei em Portugal e provou-o nos últimos dias. Falamos de uma equipa muito bem trabalhada, muito forte no ataque e igualmente eficaz na defesa. As opções no plantel são muitas e qualquer jogador tem a capacidade de ser decisivo. Parabéns ao treinador basco.

E é desta forma que se encerra mais uma temporada das modalidades de Pavilhão em Portugal. Em breve, o espetáculo voltará às quadras e aos ringues portugueses.

Foto de Capa: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Tiago Alexandre

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