

Num jogo que pouco tinha para decidir, o FC Porto fez o que se pedia: cumpriu, venceu os espanhóis do Igualada e fechou uma fase de grupos quase perfeita.
Num encontro de ritmo baixo, quase de pré-época, os dragões voltaram a mostrar a diferença que existe quando é preciso transformar pouco em suficiente.
O jogo começou com um susto da equipa catalã. Matías Pascual acertou no poste nos primeiros segundos, mas rapidamente se percebeu o tom da partida.
Pouca intensidade, alguma permissividade defensiva e um ritmo controlado, muito por culpa da intranscendência do encontro. Os portistas já tinham a liderança assegurada, o Igualada pouco mais tinha a fazer do que cumprir calendário.
Ainda assim, foram os espanhóis a marcar primeiro, por Àlex Cardil, aos quatro minutos de jogo. A resposta portista foi imediata, com Gonçalo Alves a empatar logo a seguir, num lance de pura qualidade individual.
E bastou isso para o Porto assumir o controlo emocional do jogo. Ezequiel Mena fez o 2-1, na recarga a um remate de Gonçalo Alves, e pouco depois Carlo di Benedetto aumentou a vantagem com uma finalização de classe. Pelo meio, Xavi Malián ia garantindo que o Igualada não voltava a entrar no jogo, com várias intervenções decisivas.
O Igualada ainda reduziu por Marc González, mas no último segundo da primeira parte Telmo Pinto voltou a esticar o marcador (4-2) , com um remate potente que fechou o parcial.
A segunda parte seguiu o mesmo guião. Mais aproximações do que verdadeiras oportunidades claras, mais ritmo controlado do que intensidade competitiva.
O Igualada teve momentos, e até podia ter reduzido, mas encontrou sempre Malián pelo caminho. Seguro, concentrado e sempre presente quando foi chamado.
Do outro lado, o Porto ia gerindo. E quando acelerava, criava perigo. Rafa assinou o melhor momento da segunda parte, com um grande golo após jogada individual, num lance que destoou pela positiva do resto do encontro.
Ezequiel Mena ainda tentou um golo de antologia, com um remate por trás da baliza, mas o jogo nunca voltou a ganhar verdadeiro ritmo competitivo.
O resultado final pouco importa. Uma fase de grupos que afirmou ambição portista em ser novamente campeão europeu. O contexto diz tudo.
O FC Porto fecha esta fase com 9 vitórias em 10 jogos, confirmando não só a superioridade no grupo, mas também a ambição clara de chegar longe na Final 8.
Foi um jogo sem grande história. Mas uma fase de grupos quase irrepreensível. Os dragões cumpriram sem forçar e fecha a fase de grupos em modo campeão.
O Bola Rede esteve presente no Dragão Arena e teve a oportunidade de colocar uma questão a ambos treinadores (a equipa portista foi comandada pelo técnico-adjunto Pedro Lopes, uma vez que Paulo Freitas cumpriu um jogo de suspensão).
Bola na Rede: Difícil de motivar os seus jogadores num jogo que era apenas para cumprir calendário. Apesar disso, o que destaca da sua equipa hoje?
Marc Muntané: A nossa equipa é muito jovem, e é importante que os nossos jogadores possam jogar num pavilhão desta dimensão, contra uma das melhores equipas da Europa. Não gostei particularmente da nossa primeira parte, fiquei mais satisfeito com o ritmo que empregamos na segunda parte. Estamos surpresos por estarmos em 3º lugar na liga, e agora vamo-nos focar em manter esse lugar e acabar bem esta temporada. Esta equipa tem muito para progredir e muita qualidade, mas hoje o jogo não convidava a um ritmo superior ao que vimos.
Bola na Rede: Um jogo sem muita tensão competitiva e sem um ritmo muito alto, uma vez que ambas equipas não competiam por nenhum objetivo específico. Foi muito difícil motivar os seus jogadores hoje?
Pedro Lopes: Não nego que é difícil motivar os jogadores quando não há praticamente nada em jogo. Mas jogamos com dignidade, e respeitamos a massa associativa que se deslocou à Dragão Arena a esta hora. Tínhamos de ser competitivos, embora não tenhamos colocado muita intensidade no nosso jogo. O nosso foco já está na Final 8, esperando com tranquilidade e com imensa ambição o adversário que nos calhar em sorte nessa fase da competição.

