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Luís Sénica: Os desafios do primeiro mandato à frente do hóquei português

Pedro Filipe · 4 min

Luís Sénica: Os desafios do primeiro mandato à frente do hóquei português
Foto: Federação Portuguesa de Patinagem

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Luís Sénica iniciou o segundo mandato na presidência da Federação Portuguesa de Patinagem (FPP). Como candidato único, o antigo selecionador nacional vai ter mais tempo para concretizar as suas ideias, depois de ter entrado a meio do mandato anterior em 2018 pela demissão de Fernando Claro. Estes quatro anos revelam-se ainda mais desafiantes do que os anteriores dois.

Primeiro, pela situação de pandemia que impediu a conclusão das competições na época 2019/20 e que também não permite a presença de público nos pavilhões. A transmissão online das partidas no site da FPP é arma principal para manter os seguidores do hóquei atentos. No entanto, alguns apoiantes da modalidade mais velhos não têm um acesso facilitado à internet e mesmo com a transmissão de alguns jogos no canal A Bola TV, não garante que uma franja importante veja os duelos do campeonato.

A criação de um canal da federação, proposto por Luís Sénica, também não parece ser o que vai resolver para aproximar o público da modalidade, mas qualquer iniciativa pode ser uma pequena ajuda. Contudo, a solução ideal seria a transmissão, em sinal aberto, como já aconteceu, há vários anos, na RTP2. O interesse pela modalidade pode, assim, ficar diminuído.

A profissionalização da arbitragem no Hóquei em Patins também é um dos assuntos discutidos pelos agentes da modalidade. Luís Sénica admitiu, em entrevista ao site Zerozero, que «o grau de profissionalismo que nós queremos e apontamos como caminho», mas as condições financeiras constituem apenas uma parte das dificuldades. Para uma modalidade em que uma parte significativa, mesmo na primeira divisão, é amadora ou semi-profissional, parece-me quase impossível concretizar a profissionalização.

Os árbitros portugueses, com exceções claro, são dos melhores a nível mundial e não creio que árbitros profissionais tragam menos contestação no mundo do hóquei. O problema vem da cultura desportiva em Portugal e que abrange as diversas modalidades desportivas, por vezes até despoletado pelos próprios dirigentes dos clubes.

A formação dos atletas é uma bandeiras do presidente da FPP. No entanto, ainda não há ideias concretas divulgadas sobre tal. O que é possível concluir, é que a pandemia está a prejudicar seriamente os jovens praticantes, com a suspensão da época anterior e limitações na realização desta. No limite, pode levar a uma diminuição do interesse dos jovens na modalidade e até ao fim de várias equipas da formação, até pelas dificuldades económicas dos clubes e, assim, no limite, com o fim de competições.

A alteração do modelo do campeonato com os regressos do playoff de apuramento de campeão nacional é uma das novidades este ano. Este formato reciclado pode ser importante para introduzir emoção e mais clássicos e derbys que vendem a modalidade. No entanto, este modelo traz algum grau de injustiça ao campeão, visto que o melhor na fase regular pode não vencer o playoff, o que pode levar à pressão de alguns clubes para voltar a mudar. Uma coisa é certa: o campeonato necessita de estabilidade e, por isso, este formato deve ficar por alguns anos.

UMA HISTÓRIA LIGADA AO HÓQUEI

O atual líder da instituição já tem muitos anos de ligação ao Hóquei em Patins, desde treinador, a selecionador nacional até à presidência.

Um percurso começado nos anos 70 no Grupo Desportivo de Sesimbra, de onde é natural, Luis Sénica conseguiu dinamizar o clube atraindo até internacionais, a um clube dos escalões inferiores.

O percurso nas seleções iniciou-se em 2004 nos sub-17 e mais tarde como selecionador jovem sub-20 e sub-23. Luís Sénica acabaria por chegar selecionador nacional em 2009, mas o percurso iria durar pouco para vir para o mundo dos clubes.

Em 2009/2010 abandona as seleções para assumir o cargo de treinador do Benfica. Ao final do terceiro ano, conseguiu quebrar um ciclo hegemónico de dez títulos nacionais do Futebol Clube do Porto. O clube já não ganhava a competição há 14 anos, com o Sport Lisboa e Benfica a voltar a ultrapassar o ponto em termos de campeonatos, ao festejar o 21.º. Ainda mais simbólico, foi a primeira Liga Europeia, que o clube encarnado conquistou na sua história, em 2012/13, na última época de Luís Sénica.

De regresso à seleção principal, em 2013, Luís Sénica conseguiu marcar a passagem de cinco anos com três títulos. Duas Taças Latinas, seguidas em 2014 e 2016, competição disputada por sub-23, e o principal, o Campeonato Europeu, em 2016, 18 anos depois do último conquistado. No entanto, a maior falha do selecionador foi não ter conquistado o Mundial de Hóquei em Patins, uma competição que fugia desde 2003, em Oliveira de Azeméis.

O título haveria de chegar, em 2019, em Barcelona, já com Luís Sénica, como presidente da Federação Portuguesa de Patinagem, com o selecionador escolhido pelo próprio, Renato Garrido.

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Patinagem

Pedro Filipe

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