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Campeão europeu que se preze não treme em casa. Frente a um jovem e frágil Hockey Sarzana, o Sporting CP materializou o seu favoritismo teórico e marcou um encontro à portuguesa com o FC Porto na final de amanhã da Taça Continental de Hóquei em Patins.

Será a reedição da final da Liga Europeia da época transata e da final do torneio de pré-temporada Elite Cup (no somatório, o Sporting CP ganha 1-1 – venceu a final mais importante). Isso é amanhã, hoje o que se passou foi o seguinte.

Melhor início para o campeão europeu não podia haver: nos primeiros segundos de jogo, Pedro Gil, numa iniciativa individual que deixou de rastos a equipa italiana, colocou o Sporting CP em vantagem. Aos oito minutos foi a vez de João Souto desviar um remate de Matías Platero e aumentar a vantagem verde e branca. O domínio da partida manteve-se no lado português e, com naturalidade, o Sporting CP continuou a impor a sua superioridade, fruto de ser uma equipa mais madura, melhor apetrechada de individualidades e, coletivamente, bem mais dinâmica e prolífica.

A 13 minutos do intervalo, Ferran Font recuperou a bola junto à tabela, no meio rinque defensivo sportinguista, e fez questão de a levar até ao equador da metade do rinque emprestada ao Hockey Sarzana. Lá chegado, desferiu um remate indefensável, bem ao seu estilo, e colocou o resultado em 3-0. Resultado – e Sporting CP – confortável, mas justo, numa partida pautada pelo claro domínio português.

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A inexperiência da jovem equipa italiana ia fazendo-se notar. Faltavam ideias e capacidade para atacar, recorrendo os hoquistas transalpinos a remates inócuos e inofensivos meia distância, travados, quando seguiam na direção da baliza, por Girão, com demasiada facilidade. A três minutos e trinta segundos do fim, o Sarzana demonstrou de forma cabal ser uma equipa pouco “rodada”: deixou terminar o tempo de ataque (45 segundos) sem tentar sequer rematar à baliza, tendo a oportunidade de o fazer, ainda que fosse em desespero.

A menos de dois minutos do fim, oportunidade inusitada para os italianos. Raúl Marín viu o cartão azul e o Sarzana dispôs do consequente livre direto. No entanto, Ipiñazar não conseguiu superar Girão. O guarda-redes português levou a melhor… das duas vezes. O árbitro da partida mandou repetir após a primeira defesa do campeão mundial por Portugal, que voltou a superiorizar-se no frente-a-frente com o argentino do Hockey Sarzana.

O Sporting CP ficou, assim, em desvantagem numérica, mas conseguiu ser melhor do que o adversário e conquistou mesmo um livre direto. Francesco Rossi cometeu falta e foi admoestado com o cartão azul. Ferran Font assumiu a marcação do devido livre direto, mas não foi capaz de bater Corona, quando faltavam jogar-se quatro solitários segundos no primeiro tempo. Ao intervalo, 3-0 favorável à equipa da casa e bastante desanimador para o finalista vencido da Taça CERS.

Segunda parte como a primeira. Domínio do Sporting CP sob protesto abafado do Sarzana. Menos oportunidades nos primeiros cinco minutos, mas jogo perfeitamente controlado pelo campeão europeu. Aos sete minutos do segundo tempo, após o cartão azul visto por Davide Borsi, João Souto falhou o livre direto a que teve direito. No entanto, redimiu-se, fazendo o 4-0 pouco tempo depois, com o Sporting CP a beneficiar do power-play resultante do cartão de Borsi.

Do outro lado do rinque, Girão e Ipiñazar entretiveram-se a repetir as cenas que já haviam ensaiado na primeira parte. Chegado à décima falta, o Sporting CP dependia de Girão para evitar que a turma de Alessandro Bertolucci reduzisse a desvantagem que vigorava no marcador, visto que Ipiñazar usufruía do livre direto de “castigo” da dezena de faltas. E, mais uma vez, o guardião sportinguista foi superior ao hoquista de 21 anos, que, nesta fase de aprendizagem da carreira, leva uma boa lição para casa.

Fonte: Sporting CP

A dez minutos do final, momento agridoce para o Hockey Sarzana. Doce porque conquistou um livre direto, após falta e consequente cartão azul de Ferran Font, “agri-” porque Andrea Fantozzi, que sofreu a falta, viu o cartão vermelho por protestos. Na sequência, livre direto (de novo) desperdiçado por Ipiñazar – desta feita, o argentino não deu sequer trabalho a Girão, tendo perdido o norte na tentativa de fintar o guardião verde e branco.

Jogava-se, então, em quatro para quatro (três para três, no respeitante a jogadores de campo). De forma infantil, um dos hoquistas mais velhos da turma italiana cometeu falta para cartão azul, conseguindo a proeza de tornar ainda mais delicada uma situação que já o era há muito tempo. Além disso, tratava-se de Francesco Rossi, que já havia visto o cartão azul na partida. Na sequência, mais uma lição para Ipiñazar, lecionada por Raúl Marín. O espanhol bateu com sucesso e com facilidade o livre direto e o campeão europeu chegou à manita.

A quatro minutos do fim, o Sarzana alcançou a desagradável marca das dez faltas. No entanto, Marín não conseguiu repetir o feito de havia minutos e o Sporting não chegou aos 6-0… aí. Todavia, não tardou até que Toni Pérez obrigasse à utilização das duas mãos para assinalar o resultado. “Quem marca seis, marca sete”, deve ter pensado Gonzalo Romero, quando, já no último minuto, fechou o resultado em 7-0 para o Sporting CP.

 

CINCOS INICIAIS

Sporting CP: 61- Ângelo Girão (GR), 14- Alessandro Verona, 9- Pedro Gil, 17- Matías Platero, e 44- João Souto.

Hockey Sarzana: 10- Simone Corona (GR), 11- Davide Borsi, 57- Francesco Rossi, 78- Jeronimo García e 8- Francisco Ipiñazar. 

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