

Historicamente, os Jogos Olímpicos de Inverno não são uma competição na qual Portugal esteja habituada a resultados de destaque. Por isso, as expectativas para Milano-Cortina não eram elevadas. E, a realidade assim o confirmou. Com três atletas presentes, as cores nacionais foram representadas de forma honrada, mas sem desempenhos que deixem marcas duradouras na nossa memória.
José Cabeça (ski cross-country) participou pela segunda vez em Olimpíadas. Depois de um 88.º nos 15 Km de partida intervalada em 2022, agora participou em duas provas. Nos 10 Km terminou em 99.º entre 113 participantes e no Sprint finalizou como 91.º dos 94 competidores. O que se esperava foi o que se obteve: meramente marcar presença, numa modalidade em que Portugal tem conseguido alguma presença, sempre com resultados semelhantes.
Vanina Guerrillot (ski alpino) também já está habituada a estes palcos e a sua consistência valeu-lhe algumas melhorias face a Pequim 2022. No Slalom, que há quatro anos não tinha terminado, obteve um 45.º posto, enquanto no Slalom Gigante melhorou do 43.º para o 41.º. Não desiludiu e voltou a garantir um impacto positivo da presença nacional.
Já Emeric Guerrillot (ski alpino) foi o único estreante lusitano nesta edição. Com apenas 18 anos, o irmão mais novo de Vanina deu muito boa conta de si e deixou-nos com alguma expectativa de resultados de nota no futuro. Participando em três vertentes, não terminou no Slalom, mas compensou com um 38.º no Slalom Gigante e um 32.º em Super G.
Seguramente que todos desejaríamos mais, que todos gostaríamos de ver a bandeira nacional erguida num dos podiums destes Jogos. Contudo, a realidade sempre impera. Sem infraestrutura ou investimento sustentado nos desportos de neve, a receita para enfrentar as Olímpiadas invernais: encontrar uns valentes que honrem o nosso país com a sua presença e sonhar com as medalhas num futuro longínquo.

