Tóquio 2020, Equestre #1: Foi sonhar até à última barreira

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Com a temperatura dentro e fora da pista bem elevada, o dia era de decisões e Luciana, uma sonhadora por natureza não queria deixar escapar uma oportunidade para surpreender, contudo a experiente cavaleira sabia que a concorrência seria mais que muita, sendo que só repetindo a extraordinária prestação da véspera o conjunto poderia candidatar-se em letras grandes a um metal! Tóquio

Ambos entravam para o dia D como o 15.º conjunto a tentar superar as  exigentes condições. A prova começava com o montado a demonstrar superior forma física: grande à vontade na transposição dos pórticos e grande compromisso, cenário este que Luciana ia incutindo em Vertigo, corrigindo e incentivando-o, por forma ao lusitano manter a exemplar prestação. Quanto tudo parecia encaminhar-se para um percurso sem faltas e no qual a possibilidade de penalizar por excesso de tempo nem sequer era questão relevante ficaria provado, infelizmente mais uma vez , que até ao final tudo pode acontecer.

À entrada da derradeira tripla de obstáculos e após transpor a barreira mais complexa deste conjunto final, surgiria mesmo um balde de água bem gelada, com o derrube e consequentes quatro pontos somados no derradeiro salto. Tal situação não apagou a brilhante atuação do conjunto luso, que com uns malditos quatro pontos e com o tempo de 84.69, melhorando em cerca de 50 segundos o registo da véspera, viram a sua viagem a Tóquio valer-lhes um meritório décimo posto que soube a fel, dadas as condições nas quais foi obtido e visto que por uma nesga não se juntaram aos restantes seis conjuntos no desempate que daria acesso às medalhas.

Aí chegados e com o “rei” Ben a tentar manter o trono, destacava-se a armada sueca que de entre os seis conjuntos colocava dois no momento de todas as decisões. Aí e apresentando todo o seu prestígio, conhecimento mútuo e toda a enorme experiência o ouro rumaria novamente até à Grã-Bretanha. Ben Mahir montando Explosion W, findaria o desempate em 37.85, somando deste modo o segundo ouro consecutivo a nível individual em certames do género, visto que em 2012, em casa, havia subido ao degrau mais alto do pódio, mas no evento por equipas.

Com a prata teria de se contentar o sueco Peder Fredricson comandando Hm All-in, que realizaram o derradeiro percurso efetuando a marca de 38.02. O bronze viajaria até aos Países Baixos com o responsável a ser o conjunto composto por Maikel Van Der Vleuten  e Beauville Z que terminaram a prova em 38.90, naquele que seria considerado pela crítica especializada um dos mais difíceis traçados  de sempre de desenho exigente, rigoroso e genial.

Quanto a Luciana, deixou a indicação que se nada de mal suceder até à próxima olimpíada pode, e com toda a propriedade, sonhar com um diploma olímpico ou algo mais!

A ação no centro hípico de Tóquio ficaria concluída com a prova por equipas em que nações como França, Grã-Bretanha, EUA ou Bélgica eram fortes candidatas aos postos medalháveis. Tóquio

De reforçar que a disputa via participarem três cavaleiros por nação, com estas a serem apuradas para a prova de acordo com a sua classificação no ranking da modalidade. Venceria quem no somatório de todos os percursos, um  feito por cada elemento do respetivo país, somasse menor número de penalizações.

Em mais um dia de calor intenso e em que as condições para se atingir a eternidade olímpica eram desafiadoras tanto pela temperatura e humidade elevadas, bem como pelo exigente traçado a ser percorrido,  faziam com que fosse necessário um dia perfeito para atingir a glória! Tóquio

Com dez formações à partida e numa competição em que se esperava que a emoção fosse  palavra de ordem, tal acabaria mesmo por se comprovar! O ouro, após três desempates numa das competições mais disputadas de sempre em certames desta projeção, acabaria por ser sueco, a prata ficaria em posse do trio belga, enquanto que no bronze terminou a equipa germânica. A grande desilusão seria mesmo a turma britânica que findaria a compita num “magro” sexto posto, numa das piores prestações dos últimos anos.

Deste modo chegaram ao final as provas hípicas na presente edição dos Jogos em Tóquio, num desporto belo que demonstra todas as capacidades animais bem como uma total e indispensável harmonia entre cavaleiro e respetivo montado.

Foto de Capa: Comité Olímpico de Portugal

Tóquio

Diogo Rodrigues
Diogo Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo é licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Lusófona do Porto. É desde cedo que descobre a sua vocação para opinar e relatar tudo o que se relaciona com o mundo do desporto. Foram muitas horas a ouvir as emissões desportivas na rádio e serões em família a comentar os últimos acontecimentos/eventos desportivos. Sonha poder um dia realizar comentário desportivo e ser uma lufada de ar fresco no jornalismo. Proatividade, curiosidade e espírito crítico são caraterísticas que o definem pessoal e profissionalmente.

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