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Tóquio 2020, Canoagem #1: O “tempero” que faltava ao nosso medalheiro

Diogo Rodrigues · 4 min

Foto: Comité Olímpico Portugal

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Era tempo da Canoagem de velocidade fazer a sua aparição na presente olimpíada com os primeiros dias a contarem com três atletas lusos à partida: Fernando Pimenta, Teresa Portela e Joana Vasconcelos.

Pimenta, legítimo candidato às medalhas, atuaria na vertente de K1 1000, entrando em água logo na primeira eliminatória, da qual os melhores tempos se apurariam diretamente para as meias-finais, não tendo de disputar a regata relativa aos quartos.

O canoísta limiano, já medalhado em conjunto com Emanuel Silva em Londres 2012, não revelou dificuldades no controlo, bem como na gestão de uma prova na qual a intensidade do vento, que soprava de frente, era uma dificuldade adicional, fazendo com que o ritmo da regata não fosse tão “vivo”. Aí veio ao de cima toda a experiência do lusitano que, liderando do início ao fim da competição, ainda teve tempo para abrandar ligeiramente na reta final.

Seria, portanto, e sem dificuldades, registada uma marca de 3.40.123, que venceria com uma diferença superior a um segundo face ao seu mais direto oponente, o eslovaco Peter Gelle. Deste modo, e sem necessitar de voltar a despender energias, Pimenta seguiu rumo à fase seguinte.

Teresa Portela, em K1 200, tentava repetir o feito conseguido pelo limiano. Mostrando-se em forma para lutar por uma presença na regata de atribuição das medalhas da referida categoria, a desportista natural de Esposende, classificando-se no segundo posto da sua eliminatória, anotou o tempo de 42,050, apenas atrás da atleta da China, Mengdie Yin. Assim, Teresa também assegurava passaporte direto para as meias-finais sem necessitar de horas extra!

Sorte distinta teria a sua compatriota Joana Vasconcelos, que na mesma categoria, e após a quinta posição assinalada na eliminatória, viu-se relegada para a regata alusiva aos quartos de final, onde, ao ficar no quarto posto, se despediu desta especialidade, registando o tempo de 43.1.379, a mais de um segundo da canadiana Andreanne Langlois, vencedora da regata. Agora, Joana direciona atenções para o K1 500, que marcará a sua despedida  deste certame olímpico.

PRIMEIRO CHEGOU A DESILUSÃO E DEPOIS VEIO A CONSAGRAÇÃO

Era dia de todas as decisões, quer para Pimenta, quer para Portela, com a final a ser objetivo para ambos.

Quanto a Portela, tudo se complicava após a mesma saber que competiria na meia-final mais forte, na qual se encontravam as maiores candidatas aos metais.

Mesmo assim, a nortenha não esmoreceu e deu luta até ao fim, mas terminaria no sexto posto, quando apenas os quatro melhores tempos seguiriam para a finalíssima!

A nacional seria relegada para a Final B, anotando um registo de 39.301. Já na Final B, a atleta lusitana acabaria por ser a vencedora da regata, completando-a em 39.562, finalizando a sua prestação no décimo lugar, não batendo assim o seu resultado de Londres 2012, em que concluiu a referida especialidade na oitava posição.

O MOMENTO SUPREMO DO DIA

Chegava então a hora F, ou seja, a hora de Fernando Pimenta abordar a pista olímpica!

Com as medalhas em mira, a excelente forma patenteada pelo natural de Ponte de Lima parecia confirmar-se quando vencera a segunda meia-final numa prova bem gerida. Acelerando na fase final, logrou bater o recorde olímpico na distância de K1 1000, cumprindo-a em 3.22.942.

Chegado à grande final, Pimenta sabia que, caso conquistasse “um metal”, entraria para a galeria de notáveis do desporto Português, já composta por: Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro, os únicos atletas a conquistarem mais de uma medalha em certames olímpicos.

Com a madrugada a avançar em Portugal, os patrícios dariam por bem empregue as horas de sono perdidas, visto terem sido presenteados com a terceira medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio, após o bronze de Jorge Fonseca, no Judo, e da prata de Patrícia Mamona, no Triplo Salto. O bronze chegaria com Pimenta a registar um tempo de 3.22.478.

Assim, e após a medalha de prata em Londres 2012, Pimenta arrecadou mais um resultado de excelência. Tendo já admitido que não se satisfez com o degrau mais baixo do pódio, o atleta referiu que está aí para as curvas, bem como que pretende competir até às olimpíadas de Brisbane, em 2032.

Agora, é tempo de felicitar Pimenta por mais um êxito conseguido e aguardar que nos continue a oferecer mais desse “tempero”!

Foto de capa: Comité Olímpico Portugal

Artigo revisto por Joana Mendes

Diogo Rodrigues

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