Mesmo depois de alguns constrangimentos provocados por um tufão que assolou a cidade de Tóquio, foi, por fim, e com um dia de atraso, que se iniciaram as provas de Remo na presente edição das Olimpíadas de 2020. Portugal fez-se representar na modalidade pelos remadores Afonso Costa e Pedro Fraga, com o segundo a ser um repetente neste certame.

Os mesmos competiriam na classe Double Scull peso ligeiro (LM2x), entrando em água logo na primeira eliminatória, que qualificaria diretamente os primeiros dois de cada uma das séries qualificativas.

Numa regata dominada pelos barcos germânico e italiano, a dupla lusitana obteve a 3.ª posição, terminando com o tempo de 6.44.09, atrás dos transalpinos que registaram 6.24.25 e dos alemães que averbaram um tempo de 6.21.71. Assim sendo, os lusos seguiam para uma repescagem a ter lugar na madrugada seguinte (horas portuguesas).

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UM APURAMENTO FALHADO POR PEQUENAS “MARGENS”

Relegados, pois, para a repescagem, a dupla portuense sabia que, para seguir rumo às meias-finais, necessitava de ficar entre os três melhores da sua série. Com o equilíbrio entre as embarcações participantes a ser nota predominante, ao longo da primeira metade do percurso na pista olímpica a dupla lusitana, formada por Fraga, 38 anos, e Costa, de 25 anos, ia estando no controlo da regata, mantendo-se sempre em lugares de passagem.

No entanto, o último pedaço de compita seria crucial, e um súbito aumentar de intensidade de “pagaiada” por parte da tripulação nativa do Uruguai colocaria o exército luso fora das posições qualificativas para a fase seguinte.

Esta eliminação tornou-se ainda mais complicada de aceitar e de “digerir”, uma vez que a diferença entre a equipa vencedora, a ucraniana, e a nacional, que fechou no quarto posto, foi de escassas décimas de segundo, com os remadores naturais da cidade Invicta a ficarem a cerca de oito décimas do apuramento.

Isto originava uma “queda” de Pedro e Afonso para a Final C, que definiria as classificações entre o 13.º e o 18.º posto da classificação geral.

APESAR DO DESAIRE, HOUVE FORÇAS PARA “RESGATAR” A MELHOR PRESTAÇÃO POSSÍVEL

Seria dois dias depois, na quinta-feira, que, integrados na Final C dos Jogos Olímpicos e após a enorme desilusão sofrida pelos remadores, que a veterania de Pedro e a juventude de Afonso uniram novamente esforços e, mesmo frustrados, voltaram a remar na direção do melhor resultado para a nossa bandeira.

Como que refletindo a injustiça verificada anteriormente e sabendo transformá-la em algo positivo, os atletas “esmagaram” literalmente os demais contendores. A dupla arrecadou o triunfo nesta derradeira regata, adquirindo uma vantagem final de mais de sete segundos face ao barco chileno e de doze perante a embarcação venezuelana.

Foi com uma 13.ª posição e com uma vitória moralizante, de certo modo compensatória, que se concluiu a participação portuguesa na modalidade de Remo em Tóquio, na presente edição dos Jogos.

Ainda nesta categoria, o duo irlandês fez história, tornando-se no primeiro ouro para esta nação no que ao Remo diz respeito, modalidade na qual apenas contavam com um bronze, conseguido em tempos bem distantes.

Com a prata ficaram os dinamarqueses, uma das nações mais bem sucedidas de sempre nesta variante, conjuntamente com a Grã-Bretanha. Esta, fruto de um engano seguindo por uma rota mais longa, acabou fora do pódio, com a medalha de bronze a sorrir aos germânicos. Esta foi a única ocasião em que, nesta categoria, os britânicos falharam o pódio desde que o remo passou a integrar o programa olímpico.

Espera-se que em, Paris 2024, consigamos colocar o remo nacional num patamar de excelência!

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

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