NFL e o (seu) problema racial

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Ao longo da história do Futebol Americano, a NFL tem enfrentado vários escândalos raciais envolvendo presidentes, equipas, treinadores, dirigentes e jogadores. Na última década não existe tema mais polémico do que o caso Kaepernick.

Colin Kaepernick era o quarterback afro-americano – ponto importante para a forma como a sua história se desenvolveu – dos San Francisco 49ers. Em 2016, começou a ajoelhar-se durante o hino americano antes de cada jogo como protesto contra a desigualdade e brutalidade racial.

Esta sua decisão não só acabou por impactar a sua carreira, que praticamente terminou no final dessa época, mas também sua vida pessoal. Desde então muito se fala da relutância que os donos das organizações têm mostrado em contratá-lo, dada a atenção que traria, sendo vários os analistas que afirmam que a única razão para Kaepernick não estar na liga é o facto de ser afro-americano e ter tomado uma posição.

O caso de Colin Kaepernick teve proporções inimagináveis e tem inspirado a vários outros movimentos

Nas últimas semanas, emergiu uma proposta por parte da NFL que também tem dado muito que falar, mas também por maus motivos. Foi anunciada uma proposta que iria oferecer incentivos, incluindo melhores escolhas no Draft, a equipas que escolhessem treinadores ou General Managers – os comuns diretores desportivos – pertencentes a minorias.

Este plano vem na sequência de uma regra implementada em 2003, denominada “Rooney’s Rule”, que obriga as equipas a entrevistarem pelo menos um candidato pertencente a uma minoria para cada vaga que procurem preencher.

Todas estas tentativas por parte da liga têm sido tentativas de tornar o campeonato o mais justo, oferecendo oportunidades iguais a todos os profissionais. Contudo, estas propostas têm tido o efeito contrário e até piorado a situação.

São vários os jogadores e dirigentes que têm vindo a público mostrar-se contra esta decisão – que ainda não foi aprovada nem se espera que seja. Muitos afirmam que tal proposta iria colocar em causa as capacidades dos treinadores e general managers, uma vez que não seriam contratados com base no seu trabalho, mas sim graças aos benefícios que trariam às suas equipas.

Até que seja tomada uma decisão, dificilmente este assunto se resolverá, e mesmo depois serão vários os comentários e protestos a favor e contra o resultado. A verdade é que, ano após ano, a NFL lida com casos e problemas raciais, e este é mais um capítulo numa história que não parece estar perto de terminar.

Foto de Capa: San Francisco 49ers

Artigo revisto por Joana Mendes

Leonardo Costa Bordonhos
Leonardo Costa Bordonhoshttp://www.bolanarede.pt
É jornalista desportivo e o andebol e o futebol foram o seu primeiro amor. Com o passar do tempo apaixonou-se também pelo basquetebol e futebol americano, e neste momento já não consegue escolher apenas um                                                                                                                                                 O Leonardo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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