Super Bowl XLIX – O Regresso do Rei

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Depois de no ano passado Seattle ter atropelado os Denver de Peyton Manning com um humilhante 43-8, esta época foi a vez de Tom Brady ter a sua oportunidade de enfrentar a Legion of Boom.

Para os Patriots foi o regresso a Arizona, o local onde perderam o Super Bowl XLII contra os Giants, e a terceira tentativa (possivelmente a última) da dupla Brady-Belichick de conquistar o quarto anel. Para Seattle, os campeões em título, era a oportunidade de repetir a fantástica conquista do ano passado com possivelmente uma das melhores defesas da História da liga.

O jogo começou lento, com ambas as equipas a exibirem desconfiança e cuidado perante a outra, tentando evitar erros a qualquer custo. O ataque de Seattle demorava a arrancar e foram os Patriots a primeira equipa a percorrer o campo e chegar à redzone da equipa adversária. Mas, de repente, Brady sentiu a pressão da defesa e acabou por ter o seu lançamento interceptado por Jeremy Lane (que acabou por partir o pulso na jogada), custando à sua equipa pelo menos três pontos num momento muito pouco característico de um dos melhores jogadores que a liga já viu. Assim se passou o primeiro quarto: sem pontos e, tirando a intercepção de Brady, sem jogadas dignas de registo.

Mas mais uma vez o ataque de Seattle não conseguia ganhar jardas, sendo obrigado a fazer punts no final de cada posse.. Na oportunidade seguinte que teve, Brady não falhou, conectando com Brandon LaFell para o primeiro touchdown do jogo e redimindo-se do erro idiota na jogada anterior.

brady e sherman
Brady e Sherman
Fonte: sports.yahoo.com

O primeiro touchdown abriu a partida e Seattle passou a arriscar mais, conseguindo empatar o jogo quase de seguida, apoiando-se no running back Marshawn Lynch, que correu para a endzone e atropelando tudo e todos no seu caminho – ou não fosse ele chamado Beast Mode.

Nos dois minutos finais do segundo quarto cada uma das equipas marcou: os Patriots através de um lançamento perfeito de Brady para Gronk, reconhecendo que o tight end estava a ser marcado por um linebacker, um matchup que os Patriots agradecem e exploram sempre que possível; com apenas trinta segundos para o final da primeira parte, os Seahawks foram subindo no terreno e acabaram por empatar o jogo através de uma série de jogadas do seu rookie wide receiver Chris Matthews, que até hoje nunca tinha apanhado uma bola na NFL mas que acabou por marcar o touchdown que mandou o jogo empatado a catorze para o intervalo.

Depois do espectáculo de Katy Perry acompanhada por Lenny Kravitz e Missy Elliott durante a pausa, Seattle começou com a bola na segunda parte, acabando por conseguir um field goal e passando a estar na frente do jogo pela primeira vez (17-14).

Tom Brady voltou então a enterrar e teve o seu segundo lançamento interceptado no jogo, desta vez um passe para Gronk, que ficou parado em vez de atacar a bola. No seguimento, Bobby Wagner foi mais rápido e inteligente e acabou por ir lá buscá-la. Depois da intercepção Seattle voltou a marcar, numa jogada bizarra em que um jogador dos Patriots, Darrelle Revis, acabou por ser “bloqueado” por um árbitro, permitindo que Doug Baldwin recebesse a bola sozinho na endzone. A vantagem dos Hawks aumentava assim para 24-14.

Foram dezassete pontos seguidos da equipa de Seattle sem qualquer tipo de resposta da equipa de New England. Em suma, um terceiro quarto para esquecer em que o ataque não conseguia converter nada e a defesa parecia um buraco.

Chegámos então ao último quarto, aos quinze minutos finais. Com muito esforço e paciência, Brady levou a sua equipa até à redzone adversária, acabando a jogada com um touchdown para Danny Amendola (24-21). O ataque dos Patriots estava de volta; agora era a vez da defesa mostrar serviço, o que miraculosamente aconteceu. Depois de um terceiro quarto para esquecer, no último quarto tudo parecia correr bem a New England e a defesa parou o ataque de Seattle, dando ao seu ataque a oportunidade de empatar o jogo com um field goal ou passar para a frente com um touchdown.

Tom Brady não se fez rogado e acabou mesmo por fazer outro touchdown, o seu quarto no jogo, desta vez para o fantástico Julian Edelman (109 jardas em 9 recepções), voltando assim os Patriots a virar o resultado (28-24).

gronk
GRONK!
Fonte: 9news.com

O último minuto foi algo tirado de um filme. Tivemos uma recepção de Kearse estatelado no chão depois de a bola bater em tudo quanto era sítio, uma intercepção na linha de uma jarda que acabou por resolver o jogo a favor dos Patriots e uma cena de pancadaria imensa e completamente desnecessária. Fica para a história a péssima decisão do treinador de Seattle, Pete Carroll, de lançar a bola em vez de correr com Lynch na jogada que lhe custou o jogo, acabando Malcolm Butler, um rookie na defesa dos Patriots, por ser o herói inesperado.

Os Patriots acabaram por conquistar o Super Bowl XLIX por 28-24, destronando os campeões em título Seahawks. Tom Brady foi eleito o MVP do jogo com 4 touchdowns e 2 intercepções, 37/50 passes completados e 328 jardas, uma performance para a História em que o quarterback dos Patriots bateu uma série de recordes: maior número de passes completados numa primeira parte de um Super Bowl, com 20, maior número de passes completados num Super Bowl, com 37, e ainda o facto de ter ultrapassado Joe Montana como o quarterback com o maior número de touchdowns em Super Bowls, com 13. Isto tudo além de ganhar o quarto Super Bowl e o terceiro MVP do Super Bowl. A performance de Brady é ainda mais impressionante quando se tem em conta que New England quase não realizou um jogo em corrida, o que obrigou o quarterback a lançar a bola cinquenta vezes.

Os New England Patriots conquistaram assim o seu quarto Super Bowl num jogo memorável e que fica para a história como possivelmente um dos melhores de sempre, ajudando a cimentar o estatuto de Tom Brady e Bill Belichick como (possivelmente) o melhor jogador e treinador da História da liga.

Foto de capa: bleacherreport.com

João Folgado
João Folgadohttp://www.bolanarede.pt
O João defende que o Porto devia acabar e o Sporting nunca devia ter existido. Carrega, Benfica! Fora de brincadeiras, para além desta paixão cega pelo clube da Luz, venera Mourinho, despreza Villas-Boas e é fã dos Boston Celtics e dos New England Patriots.                                                                                                                                               O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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