Bledisloe Cup: Jogo de “loucos” termina empatado

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A Austrália viajou até ao outro lado do Mar da Tasmânia para dominar a Nova Zelândia, num jogo que acabou com um empate a 16 pontos. Este encontro não só marcou o regresso do Rugby internacional, como também foi o início de uma nova era para estas duas potências do hemisfério sul.

Em primeiro lugar, gostaria de realçar a mudança de paradigma pelo qual o Rugby australiano parece estar a passar. Dave Rennie trouxe um jogo muito mais dinâmico e organizado, comparando com os últimos tempos de Michael Cheika enquanto selecionador. Além do mais, conseguiu montar uma defesa pressionante e veloz, capaz de retirar espaço à linha atrasada da Nova Zelândia (Richie Mo’unga passou completamente ao lado do jogo). É verdade que foram evidentes as dificuldades dos avançados no breakdown, sobretudo no pós-placagem, e no alinhamento, mas, mesmo assim, os Wallabies dominaram os neozelandeses nos capítulos da posse e do território.

Apesar das condições atmosféricas, ambas as equipas apostaram fortemente no jogo ao pé. De um lado, os All Blacks aproveitaram, principalmente na primeira parte, diversas falhas de cobertura do eixo mais profundo do terreno para ganhar metros e colocar sob pressão o adversário. Do outro lado, Nic White, que, nos primeiros quarenta minutos não esteve bem neste domínio da partida, soube tirar partido do facto de ter o vento a seu favor na segunda metade para pressionar o trio defensivo adversário. Esta estratégia revelou-se profícua, visto que o três de trás da Nova Zelândia mostrou muitas dificuldades na captação de bolas altas.

Ainda para mais, seria de esperar a pouca utilização da profundidade, uma vez que a bola estava molhada, mas a verdade é que das escassas ocasiões em que a largura do terreno foi explorada, surgiram dois dos quatro ensaios do jogo.

Já os visitados, à semelhança dos australianos, apresentaram uma defesa agressiva, mas conseguiram superiorizar-se na leitura e na velocidade de ataque à bola no chão. Os turnovers de Damian McKenzie e Sam Cane foram essenciais, pois puseram termo a diversas oportunidades de que a Austrália dispôs. Ainda assim, os homens de Ian Foster pecaram no ataque, ao desperdiçar algumas ocasiões de ensaio, nomeadamente aquela em que Rieko Ioane perdeu o controlo da oval já para lá da linha de meta australiana.

Contudo, a maior oportunidade desperdiçada foi aquela seguida do pontapé de Reece Hodge ao poste, já com o relógio para lá dos oitenta minutos. Os australianos estiveram praticamente debaixo dos postes, tal comos os neozelandeses uns minutos mais tarde, mas nenhum dos conjuntos arriscou o drop da vitória.

A meu ver, Sam Cane foi o homem do jogo, na medida em que foi o líder de uma defesa forte, ao realizar vente seis placagens e ao recuperar duas bolas no breakdown. Já do lado australiano são diversos os nomes que se destacam, entre os quais Filipo Daugunu, Nic White e Matt Philip, mas, na minha opinião, Hunter Paisami realizou uma estreia sublime em termos táticos, além de ter oferecido fisicalidade à sua linha de três quartos.

A disputa da Blesdisloe Cup continua, desta feita no Eden Park, onde os australianos não vencem desde 1986. Será Dave Rennie capaz de vencer na fortaleza dos All Blacks? Teremos a reposta a partir das 4:30 da manhã portuguesas de domingo.

Foto de Capa: All Blacks

Marco Minelli
Marco Minellihttp://www.bolanarede.pt
Natural de Lisboa, mas de origem italiana, a sua paixão é o Rugby. Está inserido na modalidade enquanto jogador e árbitro.                                                                                                                                                 O Marco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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