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Filipa Jales trocou a ginástica pelo rugby, para mais tarde trocar os ensaios pelo apito. E essas mudanças não poderiam surtir melhor efeito: foi jogadora de rugby do Sport Lisboa e Benfica, representou a Selecção Nacional e foi nomeada em 2014 pela Federação Portuguesa de Rugby para melhor árbitro de rugby do país. Foi ainda considerada como o melhor elemento de arbitragem em Portugal pelo Bola na Rede na época passada.

 

Bola na Rede (BnR): Quando, e de que forma, o rugby começou a fazer parte da sua vida?

Filipa Jales (FJ): Foi quase por acaso. Tinha terminado a minha carreira como ginasta (por ser demasiado grande) e uma prima que jogava rugby na Costa da Caparica convidou-me para ir a um treino, e foi ”amor à primeira vista”.

BnR: Alguma vez pensou em ser árbitra de rugby? Ou foi algo que surgiu e aceitou por impulso?

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FJ: Nunca me tinha passado pela cabeça. Foi o Carlos Nobre (antigo director de secção de rugby feminino do Benfica) que, após ter comunicado que iria deixar de jogar, pegou no telefone e ligou para o Ferdinando de Sousa (director técnico de arbitragem), dizendo-lhe que ”tinha uma miúda que era capaz de ter jeito para a arbitragem”, e enquanto eu dizia que não ele já agendava o meu primeiro convívio na Escola de Jovens Árbitros. Cumpri esse compromisso pela grande estima e respeito que tinha pelo ”Tio” Nobre, e desde aí nunca mais parei!

BnR: Qual foi o primeiro jogo oficial que apitou? Como considera que lhe correu?

FJ: Foi um St. Julians – Belenenses B no escalão de sub-16… Sobrevivi, o que significa que até correu bem (risos). A cada momento da carreira de árbitro as exigências são diferentes. Aquele era o momento de eu provar a mim mesma que era capaz de levar um jogo a bom porto; era o único objectivo traçado para esse jogo… Os treinadores de ambas as equipas foram uma grande “muleta” nesse dia!

BnR: Em alguma etapa da sua carreira sentiu na pele o peso de ser mulher?

FJ: O politicamente correcto seria dizer que não, mas é claro que em determinados momentos o facto de ser mulher influenciou o rumo tomado. Umas vezes negativamente, mas a grande maioria positivamente. Sem dúvida que as portas para a carreira internacional se abriram mais rapidamente pelo facto de ser mulher, mas também já tive de lidar com algum machismo em determinados momentos. No geral a comunidade “rugbystica” em Portugal estranhou, mas depois aceitou e acarinhou, a minha ”ousadia”.

BnR: Como avalia o nível de rugby masculino e feminino em Portugal?

FJ: Infelizmente a época passada não trouxe boas notícias para o rugby masculino. As prestações a nível internacional condenaram-nos a uma baixa de divisão no XV e à saída do Circuito Mundial de Sevens. Acho que está na hora de olhar para as bases e começar a construir o futuro com maior envolvimento dos clubes, mas também me parece que neste início de época os clubes se estão a organizar e a fazer um enorme investimento na qualidade dos treinadores e no trabalho dentro dos clubes para elevar o nível de jogo. Se se conseguir elevar o nível de jogo, as prestações das nossas selecções serão claramente influenciadas! No rugby feminino, o cenário é diferente: a selecção de Sevens tem feito um caminho de aplaudir (pese embora este pior resultado da última etapa do Grand Prix Sevens, fruto da grande renovação da equipa). As integrantes da selecção de sub-18 podem elevar a qualidade das seniores. Digo isto porque assisti in loco ao europeu de sub-18 e à qualidade destas meninas. No que diz respeito à competição interna, a minha opinião é sabida por quem está envolvido no rugby feminino; embora respeite as opiniões contrárias, sou defensora do rugby de XV. Não há duvida de que os Sevens são uma boa porta de entrada para a modalidade, mas, se colocarmos os olhos nos países ditos tier 2 da Europa, todos apostam no rugby de XV: dá-lhes um maior leque de recrutamento, envolve mais jogadoras, dá-lhe mais competição. Defendo um plano de desenvolvimento por etapas (com competições de X e de XV regionais), de forma a voltar-se a uma competição de XV regular, dando também espaço aos Sevens, sem nunca lhe tirar a importância da chancela olímpica.

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A Ana Cristina é uma apaixonada pelo mundo do desporto. Do futebol ao Rugby, passando pelo ténis e pelo surf, gosta de assistir a quase todo o tipo de desportos, mas confessa que lhe dá um prazer especial que os atletas enverguem um leão rampante na camisola.                                                                                                                                                 A Ana não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.