Que jogos devo rever nesta quarentena? Rugby – Inglaterra 38-38 Escócia

- Advertisement -

17 de março de 2019. Última jornada do Torneio das Seis Nações. Em Cardiff, os galeses tinham acabado de garantir o Grand Slam ao vencer, de forma categórica, os irlandeses comandados, na altura, por Joe Schmidt. Faltava apenas mais um jogo para terminar a competição. Mas não era um jogo qualquer. Em disputa estava a Calcutta Cup, o troféu disputado todos os anos entre ingleses e escoceses.

Logo ao primeiro minuto, a Inglaterra inaugurou o marcador através de um ensaio de Jack Nowell. Seguiram-se outros três ensaios. À meia hora de jogo venciam os ingleses por 31-0. A Escócia ia mostrando muitas dificuldades em montar fases e em progredir no terreno. O domínio inglês era avassalador.

Até ao minuto 35 a seleção da rosa tomou conta do jogo
Fonte: Six Nations Rugby

Antes do intervalo, os homens de Gregor Townsend ainda conseguiram reduzir para 31-7, com um ensaio algo insólito no Rugby. Um talonador a correr 60 metros e a bater dois defesas antes de fazer o grounding. Com os seus 110kgs, Stuart McInally provou que, no Rugby moderno, os jogadores da primeira linha não servem apenas para as fases estáticas e para o jogo de combate.

Nos segundos quarenta minutos tudo mudou. A Escócia mudou radicalmente o seu estilo de jogo. Na primeira parte jogou muito no perímetro curto, com os três quartos a não receberem bolas de qualidade. Já no segundo tempo a sua forma de jogar mostrou-se mais profunda e larga.

Foram precisos apenas vinte minutos para recuperar de uma desvantagem de 24 pontos. Foram quatro os ensaios (a Escócia somou seis no jogo todo) dos escoceses neste período, mas daria especial atenção a dois.

Foi um maul à entrada dos 22 metros adversários, a cinco metros da linha lateral, que deu início à jogada espetacular que viria a ser finalizada pelo três quartos ponta Darcy Graham. Linhas de corrida de grande qualidade, com e sem bola, utilização da largura do terreno de jogo e um passe monumental de Finn Russell foram a chave para chegar à área de validação inglesa.

Os homens de Eddie Jones não pareciam os da primeira parte. Em termos defensivos pareciam desorientados. Se até ao momento só pareciam, então acabaram por ficar mesmo ao minuto 74, quando Sam Johnson quebrou a linha da vantagem e bateu quatro defensores antes de somar mais cinco pontos para a sua equipa (que, com a conversão de Laidlaw, se tornaram sete). Mais uma vez, uma quebra de linha antecedida por uma transmissão de bola de grande qualidade do médio de abertura escocês. Faltavam apenas cinco minutos para o final do encontro, a Escócia liderava por 31-38.

Mesmo assim, ainda houve tempo para o empate. George Ford atacou bem o espaço deixado pela defesa contrária e empatou a partida, num momento em que o relógio já marcava mais de 80 minutos.

Twickenham, a catedral do Rugby, rendeu-se à exibição da seleção forasteira. É difícil destacar apenas um jogador, mas eu teria entregue o prémio de Man of the Match a Sam Johnson. Defensivamente esteve irrepreensível, realizando 21 placagens e dominando o seu opositor direto, Manu Tuilagi. No processo ofensivo, percorreu 81 metros, bateu quatro opositores e fez um ensaio.

Um jogo que ficará certamente na memória dos adeptos desta modalidade. Em termos técnicos e táticos foi uma disputa de grande qualidade em que, apesar do empate, a Escócia segurou a Calcutta Cup, pois tinha derrotado os ingleses no ano transato, em Murrayfield.

Foto de Capa: Six Nations Rugby

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Marco Minelli
Marco Minellihttp://www.bolanarede.pt
Natural de Lisboa, mas de origem italiana, a sua paixão é o Rugby. Está inserido na modalidade enquanto jogador e árbitro.                                                                                                                                                 O Marco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Anatoliy Trubin e o futuro: há novidades em relação à proposta de renovação do Benfica

O Benfica apresentou uma proposta de renovação a Anatoliy Trubin, mas com um salário inferior ao que aufere atualmente.

Richard Hughes é o novo diretor-desportivo do Al Hilal

Al Hilal anuncia Richard Hughes como novo diretor desportivo. O escocês deixou o Liverpool para ingressar no clube árabe.

Bertrand Traoré reforça a equipa de César Peixoto

O Wolverhampton anunciou a contratação de Bertrand Traoré. O avançado chega a custo zero ao plantel liderado por César Peixoto.

Rony Lopes deixa o Tondela e vai jogar na Polónia

Motor Lublin anunciou a contratação de Rony Lopes. O extremo de 30 anos assinou um contrato válido até 2028.

PUB

Mais Artigos Populares

Dor de cabeça para José Mourinho na estreia da Champions: Baixas de peso obrigam Real Madrid a solução de emergência

Bernardo Silva, Arda Guler e Eduardo Camavinga estão suspensos para o Real Madrid x Inter de Milão, forçando José Mourinho a ajustar o onze.

Chumbo nos testes físicos: 3 árbitros da Primeira Liga não passaram provas

João Gonçalves, Cláudio Pereira e José Bessa chumbaram os exames físicos e não marcaram presença na quarta jornada da Primeira Liga.

Massimiliano Allegri deixa reparo para Alisson Santos: «Precisa de lidar melhor com certas bolas»

Massimiliano Allegri deixou uma pequena crítica para Alisson Santos, após a derrota do Nápoles. O treinador italiano admitiu erros da sua equipa no jogo frente ao Inter.