50 sets depois o Rei caiu, e com estrondo!

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Por vezes o “destino” pode ser matreiro. Mesmo para aqueles que já há muito inscreveram o seu nome no Olimpo do ténis. Esta semana, Rafa Nadal era, mais uma vez, o centro de todas atenções no mundo tenístico. O maiorquino partia para a sua previsível e já quase anunciada vitória em torneios oficiais, e seria em Madrid que quebraria (mais um) record, daqueles que parecem impossíveis de ser alcançados. Tratava-se de ultrapassar a marca dos 49 Sets vencidos de forma consecutiva por John McEnroe, em 1984.

E foi até de forma bem natural que começou a prova madrilena para o super-campeão espanhol, com uma vitória autoritária sobre Gael Monfils na primeira ronda. O pequeno Diego Schwartzman revelou-se, porém, um grande obstáculo à supremacia Nadaliana e, apesar de não ter conseguido fazer mais de quatro jogos por set, pode dizer que a si deve esse facto. O argentino de 25 anos lutou bem e dispôs de vários pontos de break no primeiro set – desperdiçando um deles com um smash falhado que lhe podia ter dado a vantagem no marcador no início da primeira partida. No entanto, com maior ou menor dificuldade, Rafa lá foi somando mais pontos do que o seu adversário e venceu, quebrando o famoso recorde de McEnroe – mas não convenceu.

Pela primeira vez no último mês e meio, viu-se um Nadal nervoso, preso em alguns momentos mais “apertados” e menos acutilante. Como foi aqui abordado, Madrid não reúne as condições ideais para o maiorquino praticar o seu melhor estilo de jogo, mas havia “algo mais” do que isso. Dominic Thiem seria um adversário mistério nos quartos-de-final. Se por um lado o austríaco entrou para o court sabendo que havia sido ele mesmo o último a impor uma derrota em terra batida a Rafa (em Roma, 2017), por outro o jovem de 24 anos vinha de uma série de resultados desastrosos nesta superfície – incluindo um humilhante 6/0, 6/2 aplicado exatamente…por Rafa, há menos de quatro semanas.

Dominic Thiem colocou um ponto final na série de sonho de Rafa Nadal, e brilhou em Madrid
Fonte: Mutua Madrid Open

Já em Madrid, foi com “demasiada” dificuldade que Thiem ultrapassou Federico Delbonis, e precisou novamente de três sets para vencer Borna Coric. Não se augurava grande sina a Dominic Thiem. Porém, bem como na maioria das modalidades, a bola é redonda e o campo é o mesmo para os dois intervenientes, o que significa que tudo pode acontecer e Thiem fez questão de levar essa ideia ao extremo. Inspirado por defrontar o Rei no seu próprio reino, o mais novo dos jogadores entrou decidido a mudar a história do último encontro entre os dois e o que se viu foi um Thiem extremamente agressivo que ameaçou o break logo no jogo de serviço inaugural de Nadal, colocando o espanhol em sentido.

Break esse que acabou mesmo por surgir no sétimo jogo do primeiro set e, ainda que Rafa o devolvesse poucos minutos depois, acabaria mesmo por ser Thiem a quebrar a longa série de 50 sets vencidos de forma consecutiva por Rafa e selou a vitória no primeiro parcial por 7/5. A juntar a uma exibição de encher o olho por parte de Thiem, Nadal “ajudou” à festa do austríaco, mostrando por vezes um ténis irreconhecível, repleto de erros crassos e muito pouco comuns da sua parte. Certo era que à partida para o segundo set, Nadal estava nervoso e pouco confiante, contrastando com um Thiem que respirava vontade de colocar mais uma vez o seu nome na história.

O austríaco acabou por concretizar uma tarde de sonho, repleta de golpes bonitos que bem sabe executar, e castigou de forma severa os erros infantis do – até então – líder do ranking ATP e fechou o segundo set com o parcial de 6/3 a seu favor, impondo o primeiro desaire do ano a Rafael Nadal na sua superfície de eleição e consequente perda da “coroa” para Roger Federer.

Henrique Carrilho
Henrique Carrilhohttp://www.bolanarede.pt
Estudante de Economia em Aarhus, Dinamarca e apaixonado pelo desporto de competição, é fervoroso adepto da Académica de Coimbra mas foi a jogar ténis que teve mais sucesso enquanto jogador.                                                                                                                                                 O Henrique escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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