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Após a passagem do circuito masculino pela paisagem idílica de Monte Carlo, os principais nomes do Ténis regressaram, dois anos depois, a Barcelona para disputar mais um dos torneios em terra batida no qual Rafael Nadal, rei no pó de tijolo, soma uma enormidade de títulos conquistados – 11, mais concretamente. Ao contrário da competição que se disputou em Belgrado, a prova da Catalunha pertence à categoria ATP 500, o que faz de si um palco frequente de embates entre os melhores classificados do ranking.
POUCAS SURPRESAS NAS RONDAS INAUGURAIS
Para agrado do público que foi enchendo as bancadas ao longo da semana e, certamente, da organização, as primeiras rondas do torneio viram os favoritos confirmar, com mais ou menos dificuldade, o seu estatuto e marcarem encontro entre si nos oitavos de final, a primeira fase da prova onde se podiam defrontar.
À exceção de Cristian Garín (24.º do ranking), que caiu em três partidas para um Kei Nishikori (39.º) a tentar voltar ao seu melhor nível, e de Fabio Fognini (18.º), desqualificado por alegados insultos a um juiz de linha, quase todos os restantes cabeças de série conseguiram um lugar entre os 16 últimos da competição. Nesse sentido, o destaque das rondas iniciais acabou por ser Cameron Norrie (52.º), o britânico que eliminou Karen Kachanov (23.º) e David Goffin (15.º) antes de ser afastado por Rafael Nadal (3.º).
“TOURO DE MANACOR” EM CRESCENDO
🔛🎾 Huracán Rafa 🌪️🇪🇦@RafaelNadal 🇪🇦 consigue otro break y coloca el 3-0 en el marcador 🔥@RafaelNadal 🇪🇦 6 / 3 @pablocarreno91 3 / 0#BCNOpenBS #ATP #atptour pic.twitter.com/vuiQqOGdFV
— Barcelona Open Banc Sabadell (@bcnopenbs) April 24, 2021
Depois de sair de cena em Monte Carlo antes do esperado, frente a um inspirado Andrey Rublev (8.º), que acusou em Barcelona o desgaste da semana anterior, Nadal entrou de forma tremida no torneio cujo court principal tem o seu próprio nome. Cedeu uma partida frente ao qualifier Ilya Ivashka (111.º) no encontro de estreia, algo que voltou a acontecer num embate de altos e baixos frente a Nishikori.
Seguiram-se depois duas vitórias mais convincentes frente a Norrie e, sobretudo, diante de um Pablo Carreno Busta (12.º) em grande forma e motivado após uma enorme vitória frente a Diego Schwartzman (9.º) nos quartos de final. Apesar de ter baixado o nível no final do primeiro set, numa altura em que já liderava por 5-1, mostrou muitas vezes o seu melhor Ténis e venceu por 6-3 e 6-2.
“EL GRECO” EM MODO ROLO COMPRESSOR
Sem dúvida o jogador em melhor forma nesta fase da temporada, Stefanos Tsitsipas (5.º) passeou rumo à final de Barcelona, onde já tinha estado em 2018. Sem ceder qualquer partida, apenas por uma vez o grego perdeu mais do que três jogos de serviço num mesmo set – perdeu cinco frente a Alex de Minaur (25.º) nos oitavos de final.
Para além do australiano, pelo caminho deixou também, sem grandes problemas, o espanhol Jaume Munar (81.º), o canadiano Felix Auger-Alliasime (21.º) e Jannik Sinner (22.º), italiano que foi o responsável pela eliminação de Andrey Rublev.
Foto de Capa: ATP Tour
STEFANOS TSITSIPAS X RAFAEL NADAL: BOA FORMA DO GREGO ESBARRA NA FIBRA DE CAMPEÃO DO ESPANHOL
Num confronto entre os dois primeiros cabeças de série do torneio, o favoritismo natural do veterano espanhol em terra batida enfrentava o excelente momento de forma do jovem grego. No confronto direto, Nadal partia em vantagem, com seis vitórias em oito encontros, contudo, o último embate tinha sorrido a Tsitsipas, numa batalha em cinco partidas no Open da Austrália.
Para além disso, o número cinco mundial já conhecia a sensação de bater o antigo número um em terra batida, quando o derrotou no Masters 1000 de Madrid, em 2019. Os dois também já se tinham defrontado numa final em Barcelona, em 2018. Na altura, Nadal venceu facilmente por 6-2 e 6-1.
O encontro começou com ligeiro ascendente para o espanhol que venceu o seu jogo de serviço em branco e levou depois Tsitsipas a discutir o seu nas vantagens. Ainda assim seria o grego a adiantar-se no marcador, ao consumar o break aos 1-1, numa altura em que já se registavam algumas longas trocas de bola e se percebia que o quinto da hierarquia mundial ia apostar em bolas profundas para a direita de Nadal.
As dificuldades do número três do mundo mantiveram-se nos minutos seguintes, com Tsitsipas a mostrar-se muito sólido do fundo do court, com enorme profundidade e peso de bola. O jovem de 22 anos voltou a dispor de pontos de break aos 3-1, mas não conseguiu aproveitar. Um pouco contra a corrente da partida, seria Nadal, que vinha sofrendo mais nos seus jogos de serviço, a quebrar o adversário e a chegar ao 4-4.
No jogo seguinte, houve mais oportunidades de quebra de serviço para o grego, prontamente salvos pelo espanhol que se adiantou para 5-4 e obrigou Tsitsipas a servir para se manter no set. No momento crucial da primeira partida, o já vencedor das ATP Finals vacilou, perdeu profundidade de bola, e às custas de uma dupla falta e dois erros não forçados, permitiu que Nadal vencesse o set inaugural por 6-4.
À imagem do primeiro set, o grego voltou a ser o primeiro jogador a dispor de pontos de break, a 1-1, e aproveitou de novo a oportunidade para chegar rápido a uma liderança de 3-1. Apesar de ter recuperado a profundidade de bola e a eficácia nos ataques à direita de esquerdino do espanhol, Nadal estava mais confiante e colocava mais problemas a Tsitsipas que teve de enfrentar break points quando liderava por 3-2. Ainda salvou os dois primeiros, mas sucumbiu ao terceiro.
Just. Too. Good.
Outrageous, @RafaelNadal! 💥#BCNOpenBS pic.twitter.com/SKdJ11hcls
— Tennis TV (@TennisTV) April 25, 2021
Tal como na primeira partida, o espanhol chegou ao 5-4 e obrigou o número cinco do mundo a servir para não perder a partida. O grego voltou a tremer, mas conseguir salvar dois match points. O antigo número um mundial acusou a oportunidade perdida e enfrentou três pontos de break a 5-5, que resgatou de forma consecutiva e autoritária. A pressão passava de novo para o lado do mais jovem dos dois tenistas que, de forma mais calma, voltou a segurar o serviço e empurrou as decisões para o tie-break.
Nas decisões, Nadal foi o primeiro a conseguir o mini break e adiantou-se para 4-2, mas os quatro pontos seguintes foram para Tsitsipas que dispôs de dois pontos consecutivos para ganhar o set. O espanhol salvou ambos de forma enfática: o primeira junto à rede e o segundo com uma potente direita inside in. No entanto, uma dupla falta acabou por dar nova oportunidade ao grego que não desperdiçou e ganhou a segunda partida por 7-6, com 8-6 no tie-break.
No terceiro set, os servidores foram ditando a lei e, apesar de vários jogos discutidos nas vantagens, as oportunidades break não apareceram. Com alguns pontos de enorme espetacularidade, a partida prosseguiu, sem grandes sobressaltos, até ao momento das decisões.
An incredible point! 🔥
We’re being treated to a special match by Nadal and Tsitsipas ✨#BCNOpenBS pic.twitter.com/tj7BXhQx4I
— Tennis TV (@TennisTV) April 25, 2021
Desta vez, foi Nadal quem teve de servir para não perder o encontro e, numa fase em que o fator físico entrave em jogo, dois erros crassos do espanhol deram um match point ao grego, que não foi convertido. O décimo jogo do terceiro set transformou-se numa autêntica batalha e o seu desfecho acabou por ser decisivo para o que ainda falta jogar.
O 11 vezes campeão de Barcelona fez o 5-5 e, qual predador, pressionou Tsitsipas no jogo seguinte. Depois de obrigar o número cinco do mundo a salvar três pontos de break, consumou, à quarta tentativa, a quebra de serviço, ganhando a oportunidade de servir para ganhar o encontro.
The moment @RafaelNadal won his 12th Barcelona title! 🏆
The Spaniard ends Tsitsipas’ winning streak 6-4 6-7(6) 7-5.#BCNOpenBS pic.twitter.com/DKUyI1h7le
— Tennis TV (@TennisTV) April 25, 2021
Como os melhores do mundo também tremem, Nadal, após ter chegado ao 30-0 a seu favor, permitiu que o grego tivesse pontos de break ao seu dispor, contudo, o espanhol acabaria por selar a vitória por 7-5 no terceiro set e conquistar o seu 12º título em Barcelona.
Com esta vitória, Rafael Nadal mantém um registo imaculado em finais no torneio catalão, conquista o seu 87º título de campeão e regressa ao segundo posto da hierarquia mundial, por troca com Daniil Medvedev. Por sua vez, Stefanos Tsitsipas mantêm-se no quinto posto do ranking.













