ATP World Tour Finals: Dimitrov no País das Maravilhas, e um torneio para refletir

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Estava então marcada uma Final surpreendente, com dois jogadores que se tinham vindo a exibir a um alto nível – Goffin havia derrotado Rafa Nadal e Roger Federer, e Dimitrov chegava à Final sem ter sofrido nenhuma derrota ao longo de toda a prova. Era a quinta vez este ano que ambos mediam forças, e o ascendente estava claramente a favor do búlgaro: até Londres Dimitrov havia vencido 2 dos 3 encontros e já na capital inglesa, na fase de grupos, Goffin não tinha sido capaz de roubar um único set ao mais novo dos jogadores. O encontro começou de forma atribulada para ambos, com pouca segurança e muitos nervos à mistura, condições que só foram desaparecendo lá para meados do segundo set, quando Dimitrov já liderava por 7/5. A consistência do belga encaixa bem na solidez defensiva e velocidade do búlgaro, pelo que, como já tinha acontecido diante de Federer, Goffin conseguiu um break solitário aos 3/3 e não mais o largou, levando de vencida o 2º set por 6/4. Dimitrov acabou por ser aquele que menos falhou ao longo do encontro e, mais do que isso, aquele que se sentiu menos “peixe fora de água”, e por isso sagrou-se campeão do ATP World Tour Finals pela primeira vez (Dimitrov d. Goffin 7/5; 4/6; 6/3).

Goffin foi uma das figuras do torneio Fonte: ATP World Tour
Goffin foi uma das figuras do torneio
Fonte: ATP World Tour

Se por um lado é de louvar o aparecimento de novas caras no circuito, capazes de roubar o protagonismo aos crónicos (e, entretanto, já “veteranos”) campeoníssimos, é também de assinalar a diferença abismal no que toca a espetacularidade tenística exibida por estes “novos” jovens – sim, porque os anos também passam por eles e o “Baby Fed” búlgaro já conta com 26 primaveras, bem como o “Le petit gars” belga. Uma final de uma prova deste calibre pedia um pouco mais de criatividade, pois não só de longas – por vezes monótonas – trocas de bolas do fundo do court é feito o ténis e essa foi a regra tanto deste embate (salteado aqui e ali por alguma dose de criatividade de Dimitrov), como daqueles que são protagonizados pela chamada “NextGen”: muita potência, muita consistência, pouca inovação. Será este o ténis que os adeptos querem ver, ou a futura ausência de Federer e companhia vai ser uma dolorosa experiência para os amantes da modalidade?

Foto de Capa: ATP World Tour

Henrique Carrilho
Henrique Carrilhohttp://www.bolanarede.pt
Estudante de Economia em Aarhus, Dinamarca e apaixonado pelo desporto de competição, é fervoroso adepto da Académica de Coimbra mas foi a jogar ténis que teve mais sucesso enquanto jogador.                                                                                                                                                 O Henrique escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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