ATP 500 Roterdão: Um torneio de metades com algumas surpresas

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O CAMINHO ATÉ À FINAL

O ATP de Roterdão, ainda que jogado três semanas depois do habitual, manteve-se como o primeiro evento de nível 500 da temporada. Com o Australian Open disputado há pouco tempo, os favoritos eram aqueles que tiveram melhores prestações nessa prova do Grand Slam, nomeadamente Daniil Medvedev e Alexander Zverev.

A melhor forma de resumir este torneio é dividi-lo em duas metades, a parte de cima do quadro e a parte de baixo. Na parte de cima estavam os dois maiores favoritos a vencer o torneio, Medvedev e Zverev, e estavam ainda Bautista Agut e Felix Aliassime como os outros dois cabeças-de-série.

Já na parte de baixo estavam Tsitsipas, Rublev, Goffin e Wawrinka. Na parte de cima do quadro houve uma razia completa, os quatro cabeças-de-série caíram todos na primeira ronda. Em relação aos principais favoritos, Medvedev perdeu para Lajovic, e Zverev para Bublik.

Na parte de baixo, por sua vez, apenas Wawrinka não conseguiu seguir em frente na primeira ronda, depois de apanhar Karen Khachanov, que produziu um ténis de grande nível e apenas foi eliminado por Tsitsipas, no set decisivo. Devido a esta primeira ronda diabólica para os favoritos, a parte de cima do quadro ficou muito aberta e era difícil prever quem pudesse chegar à final.

Borna Coric, que, apesar de já andar há largos anos ao mais alto nível, parece tardar em afirmar-se de pedra e cal junto dos melhores do mundo. Fez um torneio muito sólido e foi, inclusive, o único que chegou às meias-finais sem ter de ter sido posto à prova num terceiro set.

Nas meias-finais tinha pela frente Fucsovics, o búlgaro, que teve de ultrapassar o quadro de qualificação para chegar ao quadro principal, tinha tido uma excelente prestação no primeiro Grand Slam do ano e está a lançar as bases para uma época sólida. Apesar de o croata chegar a esta fase do torneio com mais descanso, foi o Fucsovics que entrou de forma mais imponente e liderou a partida do início ao fim.

O búlgaro foi exímio em todas as oportunidades de break que teve, tendo aproveitado as cinco de que dispôs. O serviço de Borna Coric foi, sem dúvida, o seu calcanhar de aquiles, o croata venceu apenas 28% dos pontos disputados no seu segundo serviço o que comprometeu a passagem à final.

Andrey Rublev, o “dono” dos ATP 500 da última temporada – conquistou os três últimos torneios desta categoria, fez um bom percurso para chegar às meias-finais. Jérémy Chardy, a jogar a um nível como eu nunca o tinha visto fazer na vida, foi a única pedra no sapato de Rublev que até o obrigou a ter de disputar o set decisivo para vencer o encontro.

Do outro lado, para disputar o acesso às meias-finais, tinha Tsitsipas, o segundo cabeça-de-série do torneio que teve uma vida bem mais complicada depois de ser obrigado a disputar dois sets decisivos nas duas eliminatórias anteriores, frente a Hurkacz e Khachanov. Este era o jogo grande do dia e, certamente para muitos, uma final antecipada.

O embate entre estes dois jogadores já havia proporcionado grande encontros, como o da final do ATP 500 de Hamburgo que acabou por cair para Rublev na partida decisiva, e este encontro não foi exceção e foi decidido nos detalhes. Rublev teve três pontos de break e aproveitou dois, Tsitsipas teve cinco e não aproveitou nenhum. Este foi o pormenor que desequilibrou o jogo na primeira partida e que permitiu a Rublev ter o ascendente psicológico no tie-break da segunda. 6-3 e 7-6 para Rublev que ia, na final, lutar pelo seu quarto título seguido em torneios ATP 500 e pela sua 20ª vitória seguida nesta categoria.

Foto de Capa: ATP Tour

José Maria Reis
José Maria Reishttp://www.bolanarede.pt
O Zé Maria é neste momento estudante daquele que ele espera ser o último ano de Economia no ISCTE. Desde muito cedo que começou a praticar vários desportos exceto, ao contrário da regra geral, futebol porque chamar pé esquerdo ao seu pé direito é um elogio. Mais tarde percebeu que era com uma raquete de ténis na mão que mais gostava de passar o tempo e foi aí que começou a crescer a grande paixão que tem pelo ténis. Vê e acompanha muito desporto, mas o ténis e o futebol, sobretudo o seu Sporting, são a sua perdição.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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