Chamem-lhe o que quiserem

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Cabeçalho modalidadesA sorte não existe. Aprendi isso ao longo dos anos em que, pelos clubes de ténis deste país, ora ia ganhando, ora perdendo, semana após semana, torneio após torneio. Um dia, num treino com aquele que foi um dos Quatro Mosqueteiros da Geração de Ouro do ténis português, e o treinador com quem mais gosto tive em trabalhar, Bernardo Mota disse-me a sua fórmula do Sucesso: Trabalho X Horas.

Retive essa equação até hoje e vejo-a como uma verdade do desporto, seja ele qual for. E quando se fala desta fórmula, é também matemático o recurso às comparações de sempre: Nadal precisa de trabalhar muito mais do que Federer (um pouco à semelhança da comparação entre o “talento” de um “predestinado“ como Lionel Messi e o “mérito” de um trabalhador incansável como Cristiano Ronaldo).

Fonte: ATP World Tour
Fonte: ATP World Tour

Não posso estar mais em desacordo com estes “rótulos” que muitos (e, em grande parte, por culpa dos media) teimam em colocar nos Grandes deste mundo do desporto. Se o termo “Talento”, aplicado ao desporto, é habitualmente objeto de conversa para largas horas, para mim resume-se à capacidade de sacrifício total pelo sonho. Talentoso não é aquele que executa amorties e half-volleys habilidosos. Esse é o tecnicista, muitas vezes apurando essa técnica ao mais alto nível. Vejo o talentoso como aquele que com 12 anos chorava todas as noites em Alcochete com saudades da mãe e dos irmãos. Aquele que, com a mesma idade, ouvia centenas de vezes o tio Toni gritar “aguenta!” enquanto os colegas de treino se divertiam naquele clube de ténis em Manacor. Ou aquele que com 36 anos, 19 títulos do Grand Slam, 94 títulos ATP e uma família já numerosa continua a acordar cedo todas as manhãs para pegar na sua raquete e entregar tudo o que tem, dentro do court.

Henrique Carrilho
Henrique Carrilhohttp://www.bolanarede.pt
Estudante de Economia em Aarhus, Dinamarca e apaixonado pelo desporto de competição, é fervoroso adepto da Académica de Coimbra mas foi a jogar ténis que teve mais sucesso enquanto jogador.                                                                                                                                                 O Henrique escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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